Archive for the ‘Milão’ Category

Milão verão 2010 – os acessórios da DSquared²

Tuesday, September 29th, 2009

acessorios_dsquarted

Olha que fofo esses acessórios da DSquared². As formigas e besouros aparecem primeiro na forma de estampa, depois viram aplicações de jóias até virarem besouros, presos de forma bem pontuais e em locais inusitados, como se os insetos estivessem subindo pelo corpo mesmo. E fez super sentido para coleção que era uma adequação “natural” a menina urbana. Como se ela tivesse ido acampar e junto levou todo seu guarda-roupa da cidade. Daí que ela envolve seus vestidos, blusas e até calças jeans plásticos impermeáveis, usa botas pesadas e de salto mega altos para fugir da grama alta ou da lama e aquece os pés com coloridas meias de lã.

No fim, o desfile traduziu bem a identidade da marca, que tem um background meio roost mesmo, bem a cara da Canadá (país de origem dos estilistas Dean e Dan Caten), mas com essa vibe urbana, moderna e contemporânea que agrada as consumidoras cosmopolitas da marca.

Milão verão 2010 – Dolce & Gabbana, Versus, Emilio Pucci e Missoni

Monday, September 28th, 2009

Na semana de moda de Milão os estilista apresentam dois caminhos para combater o baixo número de vendas. Ou reforça a identidade da marca, trazendo de volta elementos e estilos clássicos da grife, ou então abusar do clima sensual e imaginar o próximo verão como uma imensa festa ultra-glamourosa.

+ Veja mais fotos do desfile verão 2010 da Dolce & Gabbana

Domenico Dolce e Stefano Gabbana ficam com a primeira opção. Trazendo de volta a alfaiataria clássicas misturada a elementos puramente latinos/siciliano que deu sucesso a marca nos anos 90, com apadrinhamento das supermodelos. Só que muito mais que uma coleção nostálgica, o verão 2010 da Dolce & Gabbana é uma adequação aos valores atuais, de todo aquele fundamento que deu base a grife.

Os vestidos rendados, com estruturas corsetadas, decorados com franjas, animal prints e detalhes em macramé evocam um certo regionalismo, mas agora com apelo global. A consumidora da marca agora é uma mulher cosmopolita, jovem, que adora viajar e não quer só extravagância no seu guarda-roupa. Realidade, mas com alta carga emocional. O jogo do masculino e feminino, onde micro vestidos ou delicados shortinhos bufantes, se contrapõem a alfaiataria precisa, fazem perfeito sentido. É energético, é autoral e ao mesmo tempo real, global e pronto para consumidora da marca que sente falta daquelas peças icônicas, mas que também quer algo mais atual. O problema é que ainda assim, com essa relevância contemporânea, não tem como eliminar a sensação de deja-vu.

+ Veja a coleção completa da Versus.

Sucesso também nos anos 90, a Versus (segunda marca da Versace) ressurge agora sob o comando de Christopher Kane. O fundamento é praticamente o mesmo: recuperar a essência da marca, buscando adequá-la às vontades atuais. Só que aqui, além da execução impecável, o debut da marca chega a parecer um pouco nostálgico demais.

Vestidos com top bem ajustado e saias levemente mais soltas, as vezes plissadas, vem decorados com rendas, recortes sensuais e fendas presas com alfinetes coloridos (alguém lembra de Elizabeth Hurley em 1994?). Com proporção e silhueta bem micro, e próximas ao corpo, Kane fala de uma sensualidade bem 90´s, dando respiro moderno ao inserir tecidos mais contemporâneos, como o neoprene que aparece recortado em forma de renda. Para uma primeira coleção, o reconhecimento de terreno (tão necessário) deu conta para provar a boa sintonia entre o estilo do estilista britânico e a tradição da marca. Resta saber agora, como Kane fará da Versus uma marca relevante para os dias de hoje, capaz de atender às vontades de clientes do século XXI.


+ Veja o desfile completo de Emilio Pucci.

Peter Dundas, porém, no comando da Emilio Pucci prefere seguir um caminho mais escapista, imaginando o verão como uma festa glamourosa, cheia de bombshells sofisticadas. Na verdade, o verão 2010 da marca é uma continuação daquela estética tough-chic que Dundas apresentou na temporada passada. Só que agora, os links com o histórico da tradicional marca italiana ficam um pouco mais claros.

Os vestidos continuam ultra-justos, curtos com modelagem bem simples, onde as formas do corpo feminino ficam em evidência. Decorações precisas, mas bem notáveis, como brilhos, drapeados que envolvem o corpo sensualmente e as clássicas estampas da grife, que agora ganham contornos mais gráficos e menos psicodélicos. Jodhpurs e jaquetas mais encorpadas, com ombro ligeiramente marcado completam a coleção que renova o repertório da marca, injetando energia e dirigindo a Pucci para um público mais jovem e também mais amplo.


+ Veja mais fotos do verão 2010 da Missoni.

Essa nova geração de consumidores com certeza também está na mente de Ângela Missoni. Na temporada passada a estilista já revolucionou a imagem da marca, ao sobrepor em várias camadas os clássicos tricôs da marca, de forma contemporânea e cheia de apelo fashion. Agora o fundamento é o mesmo, só que com extrema leveza.

A imagem final pode parecer complicada e difícil para vida real. Comprimento longuetes, silhueta alongada, com várias peças se enrolando o corpo, escondem peças delicadas, em tricôs dos mais leves, em perfeita sintonia com as vontades desse verão. Cardigans em tons pastel de rosa, azul e verde, se enrolam na cintura, por cima de delicadas saias envelopes, ou vestidos de tricôs próximos ao corpo. Com silhueta jovem, cores alegres e uma imagem de moda poderosa, Ângela Missoni, agrada de fashionistas a consumidores tradicionais, injetando jovialidade na marca.

Texto publicado originalmente no site do SPFW.

Milão verão 2010 – Gianfranco Ferré, Versace, Jil Sander, Bottega Veneta, Gucci

Monday, September 28th, 2009

Gianfranco Ferré

©FirstView

+ Veja o desfile completo da Gianfranco Ferré

Em sua terceira coleção para a Gianfranco Ferré, os estilistas Tommaso Aquilano e Roberto Rimondi olharam para o lado mais leve do trabalho de Ferré, que foi um verdadeiro arquiteto da moda. Focando-se na alfaiataria e, principalmente,  na camisaria, os estilistas trabalham com tecidos extremamente leves – como  a organza -, dando uma cara mais atual e contemporânea para as peças de formas estruturadas que marcaram os trabalhos do fundador da marca.

Contudo, o foco excessivo na silhueta casulo (“cocoon”) – por mais leve que seja – começa a levantar dúvidas sobre uma crise de identidade. Muitas vezes, as decorações excessivas – aqui em pregas, babadados e plissados geométricos numa verdadeira prova de maestria técnica – se mostram mais perto do universo criativo dos próprios estilistas do que de Gianfranco Ferré, onde as formas arquitetônicas tinha uma apelo mais real e puro para as consumidoras da marca. Em sucessões desse tipo, inovar e rejuvenescer a grife é mais do que necessário, mas sempre adequando o estilo do atual estilista dentro da identidade e universo já existente. E é justamente isso que parece faltar nessa coleção.

Versace


©FirstView

+ Veja o desfile completo da Versace.

Nunca antes uma coleção da Versace esteve em tão boa sintonia com o estilo que Gianni Versace difundiu na década de 90. Sem parecer nostálgica, Donatella Versace consegue dar extrema relevância aos  micro vestidos ultra-sensuais e super estampados que deram fama à marca, sem vulgaridade ou deslocamento temporal. As estampas que seu irmão trabalhou duas década atrás agora ganham desenhos ligeiramente mais gráficos, aplicados sobre os tons pastel tão em alta dessa temporada. Detalhes em vinil, ou placa metálicas geométricas, dão ares mais modernos e agressivos aos looks ultra coloridos de silhueta micro.

Quando o sexy começa a voltar como uma das principais vontades da semana de moda Milão, Donatella aproveita a onda e mostra por que a marca virou sinônimo de sensualidade. Depois de toda uma geração tentando mostrar que a mulher Versace também pode ser madura e levada a sério, Donatella parece ter acertado em cheio ao assumir tudo aquilo que a marca tem de mais essencial.

Jil Sander


©FirstView

+ Veja o desfile completo da Jil Sander

A moda não é um terreno onde a liberdade é exercida de forma aberta ou mesmo tida como algo positivo. Não são raros os comentários sobre a falta de foco e limites da coleção X, ou do look Y na pessoa Z. A realidade em si impõe limites e fatores reguladores para a moda. Ainda assim, Raf Simons escolheu justamente a liberdade como tema principal do verão 2010 da Jil Sander.

O modo que Simons encontrou para traduzir isso nas roupas foi um misto de sexualidade, arte contemporânea e vida natural. Como é de praxe em suas criações, nada disso se desdobrou de forma literal ou óbvia. Os vestidos minimalistas cheios de praticidade da Jil Sander agora apresentam acabamentos incompletos, tecidos rasgados que se penduram como delicados babados, ou então apurada manipulação têxtil que deixa os tecidos naturais com uma delicada transparência em locais inesperados. Blazeres e jaquetas trazem aberturas nas cavas, costas com tecido mais leve revelando a pele ou então mangas presas somente pelas cavas, como se não fossem costuradas nos ombros.

Em uma de suas mais conceituais e criativas coleções, Simons mostra toda sua maestria técnica e visão criativa. Peças mais simples não ficam de fora, com proporções mais amplas e uma certa naturaldiade que parece totalmente fresca para o guarda-roupas de trabalho da mulher Jil Sander.

Bottega Veneta


©FirstView

+ Veja o desfile completo da Bottega Veneta

Quem diria que essa onda esportiva apareceria até na Bottega Veneta, marca que oferece a mulheres sofisticadas e elegantes um guarda-roupas completo e super low-profile. Tomas Maier, diretor criativo da marca, já havia dado sinais de um certo rejuvenescimento da marca na coleção passada. Ao ajustar levemente as roupas as formas do corpo, acrescentou a dose de sensualidade e colocou a grife na mira de uma série de mulheres jovens que se identificam com a sofisticação discreta da Bottega.

Agora, para o verão 2010, Maier dá continuidade a esse exercício com um foco um pouco maior no sportswear. Para Bottega Veneta, isso significa ajustar aquela silhueta confortável com modelagens típicas daquele segmento. Emprestar a praticidade de uma camiseta para vestidos amplos, com cintura marcada por delicadas estruturas corsetadas. Ou então aumentar as mangas de jaquetas e blusas em referência ao quimono de karatê. Calças vem bem soltinhas, como as de moletom, e faixas coloridas injetam energia nessa coleção dominada por tons neutros. Assim, com extrema elegância, Maier oferece ainda mais peças para essas novas consumidoras, sem esquecer das mais velhas, e mostrando uma das melhores e mais sofisticadas interpretações do sportswear da temporada.

Gucci

+ Veja o desfile completo da Gucci.

Frida Giannini finalmente deixou para trás aquelas referências rock ‘n’ roll e retrô que vinham dominando suas coleções, e colocou a Gucci de olho no futuro. Ou pelo menos no presente. Ao buscar no sportswear formas e elementos para o verão 2010, a estilista dá roupagem nova à estética sexy que virou sinônimo da grife.

Em sua melhor coleção no posto de diretor criativa da Gucci, ela ajusta as calças a ponto de virarem leggings de cintura alta com recortes de tecidos emborrachados e rendados. Reduz sensualmente as proporções das jaquetas que trazem recortes em tecidos perfurados que brincam com transparência. Blazeres ganham costas totalmente abertas, onde tiras elásticas lembram o fechamento de cortes, e vestidos pretos ultra-justos ganham recortes circulares, trazendo de volta todo poder e energia sexy da Gucci, sem parecer nostálgico.

Texto publicado originalmente no site do SPFW.

Milão verão 2010 – Prada de costas

Friday, September 25th, 2009

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De frente as roupas parecem bem simples, né? Mas olha que fofo esse volume meio capinha de alguns looks da Prada. Achei bem interessante, dá uma leveza e feminilidade diferente para as peças, além de gerar uma proporção bem fresca.

Milão verão 2010: Prada

Thursday, September 24th, 2009

“A Prada vai fazer praia”, “diz que o desfile da Prada vai ter clima praiano”, “Miuccia Prada se inspira no beachwear”. O circo estava armado momentos antes da coleção verão 2010 da grife entrar na passarela. Miuccia Prada é mestra em causar estranhamento e levantar muitas sobrancelhas com suas criações. Quando a revista do jornal New York Times publicou nota revelando que beach style estaria de alguma maneira (provavelmente atípica) envolvido na coleção verão 2010 da Prada, não precisou de muito mais para o assunto dominar os aficionados por moda.

E de fato a praia apareceu. Não só entre estampas lavadas de pessoas à beira mar, micro shorts com barras inacabadas, bolsas e sapatos de plástico transparente ou vestidos feitos de rede de maxi-cristais, mas na atitude casual e leve clima esportivo. Complexo, questionador, duvidoso. O verão 2010 mostra Prada retomando toda sua esquisitice e abordagem literalmente cerebral sobre assuntos e imagens tão simples, banais e cotidianas, como beleza, antiguidade e… bem a casualidade de um verão na praia.

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É justamente esse jogo de opostos que dá o tom para coleção. A sobriedade dos ternos, contrapostos a casualidade dos looks mais esportivos que abrem os desfiles. Blazeres e jaquetas leves, porém sem muito movimentos, vem cortados logo acima da cintura, combinados com micro shorts de seda com barras diagonais. Ou então barras ajustáveis típicas de roupas esportivas aparecem nas barras de blusas e bermudas, num mix de alfaiataria com sportswear. Tops esvoaçantes (as vezes com uma mini capa atrás), em tecidos texturizados mixam extrema sensualidade com a leveza e elegância quase clássica de vestidos em seda estampada.

No fim das contas, quando os ânimos se acalmam, a coleção – sem perder todo seu potencial imagético – se mostra pouco além de uma interpretação pessoal (ok, muito pessoal, repleta de visões filosóficas e ideológicas) sobre algumas das principais vontades da temporada. Com extrema leveza, Miuccia fala dessa simplicidade sofisticada, sensualidade e ainda oferece uma visão muito peucliar sobre o sportswear. Peças que a primeira vista causam estranhamento, com um olhar mais cauteloso se mostram de uma simplicidade clássica, mas que acabam enaltecidas pela enorme carga intelectual de Miuccia (dona de uma das mentes mais brilhantes da atualidade).

Texto publicado originalmente no site do SPFW.

Milan Fashion Week – Versace e Fendi

Tuesday, March 3rd, 2009

Sex sells! Com certeza Donatella Versace estava com isso em mente enquanto trabalhava em sua coleção para o inverno 2009. Tudo bem, no veio sexy daquele jeito vulgar que a gente já viu antes. Afinal, ela vem coleção após coleção dosando bem sua dose de sensualidade dando ares mais glamourosos e sofisticados para a marca.

Só que um dos truques mais recorrentes nessa temporada foi olhar para o próprio passado da grife e ressaltar sua identidade. Calhou que para Versace isso significava um look poderoso, sexy, glamouroso e bem… anos 80. A diferença aqui, é que Donatella – ainda bem – não traz aquela estética retro e nostálgica para suas roupas. Ao invés disso só dá uma idéia de anos 80 com uma certa provocação, poder e sedução inerente as suas roupas.

versace_inverno2009

A coleção toda, desde suas referência, passando pela questão da sensualidade até as decoração vem de um modo bem simples, sem muito rebuscamento. As decorações ficam quase que restritas a algumas drapeados, pregas, repuxes e aplicações de cristais de forma mais discreta.

Primeiro tudo bem preto, numa silhueta mais justa, salvo alguns vestidos longos fluídos. Chega até parecer meio decepcionante porque a gente logo pensa que vai ser mais uma daquelas coleções cheias de preto e cinzas. Ainda bem que não demora muito para sinais de cores – e bem fortes – darem sinal de vida, até tomarem conta numa série de vestidos bem no estilo Versace, com fendas e decotes. Curtos e mais justinhos com aplicações de paetês, cintura marcada e decote em V, ou então longos, cheio de drapeados, com recortes sinuosos, fendas abusadas e tecidos esvoaçantes.

Parece que depois da coleção passada, super criticada por ser muito ostentadora, apesar dos ótimos vestidos e trabalhos com zíperes, Donatella resolveu por os pezinhos no chão, e se focar mesmo num estilo mais limpo e simples. Se isso significou uma imagem de moda com menos apelo, deve ter agradado compradores e possíveis consumidores pela facilidade e variedade da coleção. De mini vestidos para uma festa de dia, passando por alguns dos melhores casacos da temporada – com direito até a jaqueta de motoqueiro – até aos clássicos vestidos de festa.

Na Fendi dava para sentir um certo clima ou estética cru. Não tanto como na Prada, porque aqui a imagem final era mais glamourizada do que a gladiadora natural que Miuccia Prada mostrou em seu desfile. Mas esse mesmo senso de poder e força quase que bárbaro aprece de novo no inverno 2009 da Fendi, sob direção de Karl Lagerlfed.

Tanto pelo acabamento meio esfiapado das roupas, como pela textura e tratamento de aspecto rústico e cru dos tecidos, Lagerfeld evoca um certo primitivismo nessa sua coleção para a grife italiana. O tema em si já é algo para prestar atenção, já que até então o kaiser da moda sempre vinha dando um tratamento meio futurista e moderno para as coleções da Fendi.

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Lógico que esse tratamento continua nos tecidos, sempre com alguma inovação e de qualidade sem igual. Até mesmo as pelas ganham um toque especial. Só que aqui ao invés de dar um certo brilho, o caminho fio meio inverso, para dar uma aparência bem natural.

A silhueta varia entre uma mais estruturada, com destaques para os bons casacos e blazeres, com corte bem contemporâneo e ombros marcados sem exagero, e uma mais solta, com drapeados quase naturais e vestidos mais soltos, as vezes com a cintura marcada por bustiês de couro sem muita decoração. Essas ficam por conta das texturas e tratamentos que alguns tecidos recebes, seja em jacquard e brocados, ou em nervuras e aplicações da pele.

A imagem pode parecer muito pesada na passarela, mas se olharmos com atenção dá para encontrar um monte de peças que fazem a ponta passarela-vida real com a maior facilidade, e ainda bem no estilo dessa temporada. Afinal, Karl Lagerfeld pegou todas as principais vontades dessa estação e trabalhou de um jeito meio pessoal, fugindo um pouco do lugar comum.

Milan Fashion Week – Salvatore Ferragamo

Monday, March 2nd, 2009

Eu nem ia ver a coleção da Salvatore Ferragamo, mas daí li a critica da Suzy Menkes e fiquei curioso. É não é que estava incrível. Acho que pela primeira vez eu vi uma certa conexão entre a roupa e a tradição que a marca tem com os sapatos. É que antes eu não via muita ligação entre aquele perfil de consumidor que adorava os acessórios de couro meio clássicos da marca com as roupas que a grife apresentava nas passarela.

ferragamo_inverno20091Mas agora parece que Christina Ortiz finalmente encontrou um equilíbrio nas formas rígidas e puras de suas alfaiataria ou então nos tricôs volumosas e estruturados. As decorações ficaram limitadas puramente a alguns dreapeados e pregas bem pontuais e super contidos. Havia uma certa elegância inerentes nessas formas, e principalmente na proporção, com esse jogo de justo e volumoso e solto. Os detalhes, as pregas e dobras nas mangas e ombros dos casacos, as aplicações de peles e a própria modelagem dão um efeito de sofisticação e glamour que parece perfeito para marca.

Milan Fashion Week – Aquilano.Rimondi

Monday, March 2nd, 2009

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Ai, to super travado para escrever hoje. Enfim, estou a uma hora tentando escrever aqui um post sobre o desfile da Aquliano.Rimondi, marca dos estilistas Tommaso Aquilano e Roberto Rimondi, e não sai nada que eu gosto.

O que eu queria dizer é que mais do que as formas e destaque nos ombros, essa coleção se destaca pela excelência técnica e qualidade dos materiais. O estilo super glamourizado, meio anos 40, que a dupla quis investir, resultou num dos melhores ternos desta temporada. Os ombros pontudos, ressaltavam ainda mais as formas da cintura, que a dupla deu uma certa atenção ao acinturar seus paletós.

ar_inverno2009_01

Mas o que chama mesmo atenção é a pesquisa têxtil, o modo como os estilistas manuseiam os matérias e os decoram. Até mesmo as formas mais extravagantes dos ombros ganho drapeados que de certa forma amenizam o look. Pregas, plissados e uma série de texturas e aplicações também são pontos de destaques na coleção.

Acho que é isso. Por mais que a coleção não se realcione bem com a nosso tempo, tem um destaque técnico que acaba dando as peças um certo potencial de desejo. Aquilano e Rimondi podem não recorrer a emoção para encantar suas consumidoras, mas no lugar disso apostam em certos valores de roupa em si, que acabam as colocando em posição privilegiada.

Milan Fashion Week – Prada

Monday, March 2nd, 2009

A gente já meio que sabia que não íamos ver uma ode aos anos 80 no desfile da Prada, né? Dona Miuccia nunca foi uma ávida seguidora de tendências, e mesmo quando o fez, deixou-as tão bem adaptadas ao universo da marca que passam quase que desapercebido.

Daí que quando ela disse que queria trabalhar com poder e liberdade, era meio óbvio que não ia fazer isso olhando para os clubes e festas undergrounds dos anos 80. Ao invés disso olhou para natureza, para o universo dos esportes naturais e dos outerwear para seu inverno 2009.

Marcio Madeira / Style.com

Marcio Madeira / Style.com

Muito mais do que uma leitura óbvia de tais referências, Miuccia deu a tudo isso um toque urbano, aplicando lãs pesadas (tweeds e cashmere) em blazeres de proporções uma pouco mais avantajadas, digamos assim. Ombros e golas pareciam maximizado, em parte por conforto, em parte por traduzir poder, em parte para revelar o colo e busto de maneira sexy, mas despretensiosa.

Por falar em sexy, trench-cotas, saias e vestidos também vinham com uma abertura lateral, revelando as coxas e calcinhas/hot-pants de tricô, enquanto vestidos ou tops em tecidos mais leves vinham com decotes V profundos, mas sempre de maneira bem natural, sem nenhuma pretensão.

Marcio Madeira / Style.com

Marcio Madeira / Style.com

Gosto bastante do tratamento natural que Miuccia dá a seus ternos e looks de alfaiataria. Ao mesmo tempo que são super urbanos, vem com um espírito super rústico. Ao mesmo tempo, quando combina saias em tecidos mais pesados, com tops soltinhos paetizados ou com pele, dá um toque de glamour que vem de forma super natural. Até mesmo as botas de pescador vem num status bem mais urbano-fashion do que realmente são.

Mas o que mais gosto nas coleção da Prada são a infinidade de interpretações que ela sugere. Todas quase sempre com uma forte ligação com a nossa realidade ou tempo. Acho que grande parte do sucesso e influência da marca vem justamente dessa conexão moda e realidade que Dona Miuccia sabe fazer tão bem.

Marcio Madeira / Style.com

Marcio Madeira / Style.com

Não tinha como não perceber o sendo de proteção e fortalecimento que essa coleção sugeria. As formas mais rígidas, os tecidos encorpados e até as tão faladas botas de pescador, sugeriam uma certa proteção, como que se a gente precisasse retornar para a natureza para sobreviver.

Os volumes nos ombros e golas, assim como o couro e outros adornos já falam mais de poder, mas sempre de forma natural, sem recorrer a artifícios sintéticos. Como que se tivéssemos que retomar valores naturais para nossa sobrevivência, ou pelo menos entender o estado em que nosso mundo está.

E até essa adaptação de looks super urbanos para uma estética natural e rústica, sugere essa retomada de valores ou adaptação a um ambiente mais natural, meio fugere urbens, sabe? Enfim, essa é a mágica das coleções da Prada, a gente nunca sabe exatamente o que Dona Miuccia quis dizer.

Milan Fashion Week – Marni

Sunday, March 1st, 2009

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Bem interessante essa última coleção da Marni. Ela não chega a ser tão boa, ou a encantar tanto como a do verão passado, mas vem bem parecida em seu fundamento. É que enquanto imagem de moda ela pode não ser tão forte assim, mas quando olhada ao sobre o microscópio fica fácil entender todo seu potencial.

Não só de fazer a ponte entre passarela e vida real num piscar de olhos. Ou então por ser essa uma coleção cheia de objetos de desejos par qualquer mulher. Mas sim pelo primor e excelência técnica, qualidade de tecidos e acabamento impecável. Consuelo Castiglioni tem uma habilidade para manusear e mistura tecidos, texturas e estampas, que é dificilmente encontrada. Em suas mãos até as mais difíceis e estampas e texturas encontram caminho para a vida real de um modo totalmente encantador e cheio de frescor.

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Daí que o começo assusta um pouco. Depois daquele verão super colorido, lúdico e estampado, Castiglioni abre seu desfile todo em preto, focando-se em formas e silhuetas mais simples, cheias de referencia ao sportswear. Jaquetas, blusas e vestidos vem trabalhos com aplicações de peles ou em tecidos texturizados naquela silhueta retangular, bem geométrica que a estilista vem reforçando a cada coleção.

Essa mesma silhueta se repete ao longo de todo o desfile, até mesmo quando começa a trabalhar com um pouco mais de cor e estampa. É aí que a coleção ganha mais vida, e onde o trabalho têxtil e de coordenação de estampas da Castiglioni fica mais evidente. Xadrezes e florais tomam contam da passarela em estampas a jacquard que embora menos impactantes do que a coleção passada, mostram todo potencial dessa estilista quando o assunto é tecido (textura) e estampas.

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