Rei Kawakubo para H&M - uma nova fase para o fast fashion?

Comme des Garçons, H&M, Rei Kawakubo, fast-fashion, moda 7 Comments »

Está chegando, e está me dando a maior inveja de quem vai ter um H&M pertinho para poder conferir – e comprar – a coleção que Rei Kawakubo assinou para a marca de high-street/fast-fashion sueca. As roupas chegam nas lojas do mundo inteiro só no dai 13 de novembro e cinco dias antes na nova loja da marca em Harajuku, em Tóquio.

Eu, pessoalmente confesso que tomei um mini susto quando fiquei sabendo da parceria. É que Rei Kawakubo sempre foi conhecida pelo seu desgin intelectual, questionador, nada convencional, as vezes até radical e perturbador. Características que não combinam muito com os conceitos de roupas fáceis das redes de fast-fashion, né?

Mas tudo bem, fui lendo mais sobre o assunto, refletindo mais sobre tudo isso e hoje acho que Rei está mais do que certa. Primeiro que pelo que dizem, ela é super metódica e exigente e não ia assinar seu nome – um dos mais reverenciados no mundo da moda – em algo que não fosse bom, ou então que apresentasse um produto de má qualidade.

Segundo, que como Suzy Menkes disse, esta parceira pode significar o começo de uma nova fase para o fast-fashion. Eu to cada vez mais concordando com ela. Vocês já viram as fotos que saíram da coleção? No Telegraph de hoje tem uma matéria falando disso, com algumas imagens. De fato não são peças que a gente encontra sempre nessas lojas de high-street ou fast-fashion.

Não chegam a ser difíceis de usar como uma Comme des Garçons original, ainda que dê para reconhecer a identidade da marca naquelas roupas. Os preços também são bem acessíveis. Não são baratos como aquilo que estão chamando de disposable fashion – que de tão barato, você usa uma vez e joga fora. E mais importante de tudo, não são peças que vão durar apenas uma estação.

Sim, não é todo mundo que vai conseguir usar de cara, eu sei. Mas se a gente parar para pensar, onde é que encontrarmos roupas desse tipo – usáveis, mas com um certo diferencial, cheias de informação de moda e ainda e com assinatura de Rei Kawakubo?

Talvez seja mesmo o marco de uma nova fase para o fast-fashion. Uma fase onde com a crise, ou mesmo depois dela, as pessoas passem a consumir com um pouco mais de consciência e menos compulsivamente. O jeito é esperar e ver no que dá.

P.S.: desculpa o texto pobrinho, é que não estou lá muito bem hoje, aliás não to nada bem…

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pensando no que vamos comprar + crise do fast-fashion?

fast-fashion, moda, verão 2009 7 Comments »

Não é de hoje que o assunto de consumo consciente está em pauta. Desde que toda essa onde de sustentabilidade começou a ganhar relevância, vem se falando em formas de comprar menos compulsivas. Daí que agora, mais do que nunca, é hora de prestar atenção em como gastamos nosso dinheiro, principalmente com moda.

Com a crise financeira os mercados ficam malucos e super oscilantes, o que dificulta previsões precisas sobre o que vai acontecer no futuro. O jeito é tomar bastante cuidado com o nosso dinheirinho. É hora de re-pensar toda e qualquer forma de consumo e não só até a crise passar, mas para sempre. Afinal, a gente não quer que isso tudo aconteça de novo, né?

As meninas da Oficina de Estilo já disseram, o Style.com também, assim como Sarah Mower. Definitivamente não é hora de investir em looks muito trendy, que vão durar apenas uma temporada e depois nunca mais vai sair do armário. Muito menos de baixa qualidade. É melhor gastar um pouco mais numa peça de melhor qualidade, corte e formas mais tradicionais e cores mais discretas - assim dá para usar mais vezes sem ficar muito marcado. Desse modo a gente gasta uma vez só. Afinal peças que se encaixam nesse perfil tendem a durar mais de uma estação, além de poderem ser repetidas mais vezes.

E isso bate de frente com todo o fundamento fast-fashion que hoje vai além das redes tipo H&M e Zara, afetando do o ciclo da moda. Pensando sob esse ponto de vista, não é de se espantar a afirmação de Suzy Menkes que o fast-fashion tem seus dias contados. Afinal, não dá mais para ficar gastando $10 numa camiseta que a gente vai jogar fora depois da terceira lavagem, né?

A Ale Farah colocou um vídeo faz pouco tempo no FilmeFashion falando que ultimamente as redes de fast-fashion abaixaram ainda mais os preços, só que levando a qualidade lá para baixo também.

O tema é bem paradoxal mesmo. Em tempos difíceis é natural a gente querer gastar o mínimo possível, logo comprando roupas mais baratas. Mas as vezes o preço mais baixo nem sempre vale a pena. Tem que prestar muita atenção na qualidade das roupas, no acabamento nos tecidos de quais são feitas. Caso contrário, é bem capaz que a peça não dure muito mais de umas três lavagens - por mais cuidadoso que você seja.

Sinceramente, não acredito que o fast-fashion vá desaparecer. Ao meu ver foi o ponto máximo da democratização de moda que começou lá na década de 60 com a popularização do prêt-à-porter (graças ao mestre Saint Laurent e sua Rive Gauche). E apenas uma pequena parcela dos consumidores leva em conta toda essa questão de qualidade, durabilidade e também de produção mais ética - sem trabalho escravo, sabe? Porém, isso tudo promete mudar agora com toda essa turbulência na economia.

De qualquer forma, ainda é muito cedo para dizer com certeza o que vai acontecer, e avaliar tudo de forma mais clara. Como dizia na matéria do Style.com, a gente só vai ver os reais efeitos dessa crise na moda, na próxima temporada, lá para janeiro. Afinal, por mais que sinais já tenham aparecido nesta estação, as coleções começaram a ser produzidas meses antes de tudo isso explodir.

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algumas notinhas…

moda No Comments »

>> A maioria dos fashionistas já deve conhecer o Garden Gallery. Aquela galeriazinha no final da Alameda Tietê, onde fica o brechó Juisi. Pois é, o brechó cresceu mudou de loja e começou atrair um monte de gente para lá. Tanto que tempos depois chegou a Rainbow Room, uma das livrarias mais fofas da cidade, cheia de livros de moda, arte, música, comics e outras coisinhas mais. Tem também o café Volúpia que (além do wi-fi) oferece músicas, comidinhas e até cerveja gelada para os consumidores.

A novidade é que daqui 1 mês, a galeria ganha duas novas lojas. A Cream, marca de lingeria inspirada nos anos 50 da Patricai Gerjanin - a mesma da Laundy - e a loja de objetos de decoração e arte, Teu é o Mundo, do Frank Dezeuxis. Agora é só esperar!

>> Vogue Paris, V Magazine, Dazed&Confused japonese, Vogue Hommes Japan, são só algumas das publicações com as quais Hedi Slimane já colaborou com suas fotos. Só que tudo isso sem representante nenhum. Mas confirmando uns boatos que já estavam rolando por aí, o ex-diretor criativo, assinou contrato com a agência Art + Commerce. Então a partir de agora, Slimane passa a ser representado pela agência, membro do grupo IMG, que representa uma série de outros fotógrafos, makeup artist, stylist, ilustrados e diretores de arte.

>> Para comemorar seus 10 anos de pesquisa de tendências de moda e comportamento, o WGSN desenvolveu um site de aniversário aberto para todo mundo. Então se você sempre quis ter acesso as informações da empresa, agora é a chance. Mas corre que o site só fica no ar até o fim do ano.

>> No sábado (18/10) tem festinha na Surface to Air a partir das 17h. A ocasião? Lançamento da coleção verão 2009 da Fashion Innovation Attitude, a linha de roupas da Fiat, agoar assinada pelo coletivo OEstudio.

>> Neste domingo (19/10) acontece a inauguração da primeira Nokia Store de São Paulo, localizada no número 849 da Rua Oscar Freire. Esta é a décima flagship da marca de telefonia celular no mundo e a segunda da América Latina. Para o lançamento, além de proporcionar uma livre interação do público com os aparelhos da marca, a Nokia ainda convida os músicos Jair de Oliveira, Luciana Mello e Simoninha para se apresentarem na ocasião.

Além disso a marca ainda oferece um presente par a cidade de São Paulo, que será escolhido por voto popular. Do dia 19/10 até o dia 30/11 o público pode escolher entre o “Connect USP”, que traz uma rede wi-fi gratuita em todo campus da Cidade Universitária, o “Connect Book”, que disponibiliza obras de literatura gratuitamente para download em mp3, e o “Connect Art” que promove um tour guiado pelo celular em um importante museu de São Paulo.

Para votar é só acessar o site www.nokia.com.br/nokiastore, por SMS para o número 30120 (os eleitores devem enviar USP, BOOK ou ART) ou na Flagship da Nokia nos Jardins.

Ah e também dá para subir vídeos de boca de urna no site da marca.

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nova forma de fetiche?

fetiche, moda No Comments »

Um monte de gente tem costume guardar o cardeno Mais da Folha. Eu sempre achei um pouco de besteira, porque no fim a gente nunca acaba lendo. Só fica lá um monte de jornal amontado ocupando espaço. Mas enfim, o desse domingo (31/08) eu não consegui jogar fora. E acho que poucos fashionistas conseguiram também.

 

É que nesta edição ele veio quase todo dedicado a moda, com uma entrevista incrível do Alcino Leite Neto, editor de moda do jornal) com Lars Svendsen, autor do livro Fashion - a philosophy.

 

Daí que um dos assuntos abordados na matéria é sobre as modelos e a relação moda-corpo:

 

FOLHA - Por que as modelos se transformaram em grandes estrelas midiáticas de nossa época? Que função elas exercem na “ideologia da realização estética” do sujeito, como o sr. escreve?
SVENDSEN - As modelos são a mais alta encarnação de uma cultura em que nossas identidades essenciais devem estar situadas em nossos corpos, não em nossas almas. A formação da auto-identidade na era pós-moderna é, num sentido crucial, um projeto do corpo.
O corpo tornou-se um objeto de moda especialmente privilegiado. Aparece como algo plástico, que se modifica constantemente para adequar-se às novas normas que surgem. E as modelos são as representantes maiores dessas normas.

Mas mesmo elas não chegam a adequar-se às normas. Já na década de 1950 não era incomum que modelos se submetessem a cirurgias plásticas para se aproximarem das normas, por exemplo removendo seus molares posteriores para conseguir ter faces cavadas ou tendo costelas removidas para alcançar o formato de corpo desejado.

A distância entre os corpos das modelos e os corpos “normais” continua a aumentar. Assim, a norma se torna pura ficção, mas nem por isso perde sua função normativa.

 

E isso me lembrou muito aquela matéria de fetiche que escrevi para a revista Catarina, quando eu falava que hoje a relação moda-fetiche-corpo se aproxima das idéias de Baudrillard, segundo as quais à serviço do design, o fetiche controla o corpo.

 

“Não é mais o corpo que é enaltecidos com pelo salto agulha, ou pelo corset, e sim as próprias peças ganham relevância em prol do corpo. Como se o próprio ser humano se submetesse àquele ideal de poder e dominação que o fetiche carrega embutido em si. Os acessórios e roupas utilizados uma vez para dar poder e dominação ao corpo, acabam sendo subvertidos para dominar o próprio corpo. Não é à toa, que hoje uma das formas fetichisitas que mais cresce no mundo todo são as body modifications, ou alterações corporais.”

 

E eu super pensei nisso quando li esse trecho da matéria. Será mesmo que essas modificações seria uma nova forma de fetiche?

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moda e fetiche - entrevista com Ricardo Oliveros

Ricardo Oliveros, fetiche, moda 2 Comments »

Lembra que eu republiquei aqui uma matéria que escrevi para a Revista Catarina sobre moda e fetiche? Então, quando estava preparando-a entrevistei o editor de moda e blogueiro Ricardo Oliveros, do Fora de Moda. Daí que hoje ele colocou lá no blog dele a entrevista que fiz com ele na íntegra. Super vale a pena ler, passa lá!

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fashion guide para a temporada de desfiles

. DESFILES ., moda, verão 2009 No Comments »

Bom, vamos lá. Dando continuidade a preparação para a temporada de desfiles internacionais. É meio que sabido e estabelecido no meio da moda, embora nada seja dito por elas oficialmente, mas cada semana de moda Nova York, Londres, Milão e Paris tem um característica bem definida, e logo, um papel dentro de toda essa indústria.

 

E para quem trabalha com moda, em qualquer área, é super importante saber bem essas diferenças para poder entender bem as coleções e o contexto que elas se inserem. Não adianta esperar uma coleção super inovador, ou um desfile super show em NY que não vai acontecer, nem esperar algo pronto para o consumidor final em Londres.

 

Cronologicamente falando o roteiro é o que já disse acima, NY, Londres, Milão e Paris, mas se pensarmos sobre outra perspectiva pode se alterar um pouco. Em termos de criatividade e infra-estrutura da marca Londres seria o começo.

 

 

É lá onde a criatividade e excentricidade dos estilistas encontram mais espaço e liberdade para serem apresentadas. Os desfiles são sempre marcados por algo que foge do padrão ou do convencional atraindo atenção da mídia. É lá também onde novos e jovens estilistas começam a ser observados e apontados como os próximos talentos de moda. Vide Jonathan Saunders, Marios Schwab, Christopher Kane, Roksanda Ilinic e Gareth Pugh.

 

O próximo passo seria a NY Fashion Week. E na Big Apple tudo se resume a negócios e dinheiros. Lá se apresentam aqueles que buscam apoio financeiro e boas vendas para as grandes lojas de departamento como Barneys e Bergdorf Goodman. Não é à toa que as roupas apresentadas lá são bem mais simples e usáveis do que em Londres. É muito mais vida real, do que moda conceitual. É roupa para sair da passarela e ir direito para as araras das lojas.

 

Depois vem Milão, num esquema bem parecido com NY. Só que aqui os estilistas geralmente já estão mais bem estabelecidos, com bom apoio financeiro e buscam aumentar ou melhar sua produção. Milão é mundialmente conhecida por seus tecidos de ótima qualidade, por possuir os melhores profissionais de confecção manufatureira e também como o lugar onde as roupas de melhor qualidade são produzidas. Não é à toa que algumas das principais marcas do planeta fashion concentram toda sua produção na Itália.

 

E para finalizar temos Paris. Capital mundial da moda, do mais alto luxo e glamour no mundo fashion. É o patamar mais alto entre as semanas de moda. Com uma tradição e história super vasta e cheio de marcos históricos é lá onde se apresentam os estilistas mais consagrados, com marcas e negócios bem estabelecidos.

 

Lógico que isso não é uma regra super fechada. Existem várias exceções, e nem é todo mundo que faz esse percurso. Tem quem pule algumas etapas, tem quem faça o caminho contrário, sempre de acordo com a estratégia de cada marca. Exemplo? Gareth Pugh, que migrou direto da London Fashion Week para Paris, Luella Bartley que migrou de NY para Londres e até Vivienne Westwood que desfila sua linha principal em Paris e passou a apresentar sua Red Label em Londres.

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diferentes olhares

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Logo mais, ou melhor, semana que vem (se eu não me engano) começa a temporada de moda internacional. Ou seja, mais uma maratona de desfiles e muita, mas MUITA informação. Daí que eu estava pensando que entre os fashionistas todo mundo meio que reserva um tempinho para dar uma olhada no que está sendo apresentado nas passarelas de NY, Londres, Milão e Paris.

 

Aquilo que vai ser mostrado por lá é material super importante para um monte de profissionais da moda. Muito alem dos jornalistas e críticos de moda, produtores, stylists, personal stylist, estilistas, compradores e até roteiristas ficam de olho nos desfiles para tirar inspirações, referências e tentar definir as principais tendências da temporada.

 

 

Cada um desses profissionais tem um olhar diferente sobre as coleções/desfiles. Cada um analisa e interpreta o que está sendo mostrado de acordo com o que sua profissão pede. A roteirista do GNT Fashion – e blogueira -, Laura Artigas, por exemplo, conta que olha o desfile de um panorama geral, mas sempre levando em conta o olhar de sua chefe, a Lilian Pacce. “O mais difícil, como roteirista, é imaginar como falar em poucas palavras e também numa linguagem mais simples, para um público que não entende muito de moda”.

 

Já as personal-stylists Fernanda Resende e Cristina Zanetti, da Oficina de Estilo, ficam de olho em “elementos que podem fazer diferença no guarda-roupa não só das nossas clientes, mas também de pessoas reais”. Além disso elas também prestam bastante atenção nos truques de styling, sempre pensando em como funcionam na vida real e também estudam como coisas aparentemente difíceis podem chegar num consumidor final.

 

Trabalho parecido é o da editora de moda Regina Guerreiro (aka a “legendária”), que busca em primeiro lugar a novidade. “Mas isso não significa loucura, coleções muito conceituais, mas sim inovações em termos de silhueta, proporção e principalmente nos tecidos. Busco aquilo que vai desenhar o futuro das pessoas, o que desperta desejo”.

 

 

É a novidade também que pega a atenção de Heleno JR, stylist e produtor de moda. “Quando vejo um desfile levo em conta a característica da marca, como isso é mostrado na passarela”. Daí, garimpa peças e idéias para depois de dissolvidas serem usadas no seu trabalho (e também no seu guarda-roupas).

 

Já para a estilista da C&A Gleice Pedra, os elementos mais técnicos, como formas, cores e tecidos chamam mais sua atenção. É dali que capta as principais vontades que irão ser hit em cada estação.

 

E para terminar, Karina Mota, da Surface2Air, conta que olha uma coleção pensando não só na consumidora da loja, mas também naquilo que considera mais relevante para cada temporada. “Eu vou para um desfiles com vontades prévias”, conta ela, daí vai vendo o que se encaixa nessas vontades e também vai acrescentando novas idéias para depois vender em sua loja.

 

Fotos por Rogério Cavalcante para o site do SPFW

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para mudar o olhar

Danielle Jensen, Maria Bonita, Ronaldo Fraga, Zara, Zero Maria Cornejo, Zoomp, Zulupapuwa, moda, moda regionalista 1 Comment »

 

Há alguns anos deu-se início a uma série de discussões sobre o que seria a identidade brasileira na moda e no design. Como transpor características marcantes de nossa cultura para nossa roupa, sem deixá-la com cara de fantasia de carnaval ou de folclore, sem caricatices e clichês. Uma roupa que falasse nossa língua, se motrando adaptada ao nosso cotidiano e nosso tempo.

 

Não foram poucos os estilistas que descobriram fórmulas mágicas em elementos puramente brasileiros. Provavelmente o mais conhecido e bem sucedido seja a Osklen, que tirou do estilo de vida carioca e da vibe naturalista, que começava a ganhar força, os fundamentos de suas coleções. Resultado: aliado a uma modelagem feita para o brasileiro, sucesso garantido e vendas no exterior.

 

Mas temos que admitir que a Osklen não faz uma moda muito regionalista, apesar de estar cheia de brasilidade. Principalmente quando olhamos o trabalho de Ronaldo Fraga, ou da última coleção da Maria Bonita - que, por sinal, estabeleceu novos parâmetros para toda discussão sobre identidade brasileira.

 

Danielle Jensen (Maria Bonita) apresentou um verão cheio de referências tipicamente brasileiras, trouxe o minimalismo do universo das ribeirinhas, e com matérias tipicamente regionalistas (como redes de pesca) apresentou uma moda nacional aliada à vontade internacional.

 

União que poucos conseguem fazer. O maior problema não está na roupa em si, mas no olho do consumidor. Segundo o estilista Ronaldo Fraga: “Temos uma olhar muito provinciano sobre esta questão (a moda regionalista, no caso)”. Para ele, “vivemos admirando e adorando os estilistas belgas e japoneses, achando seus trabalhos incríveis, quando, na verdade, são extremamente regionalistas”, completa.

 

 

O que acontece no caso dos belgas e dos japoneses é que, assim como Ronaldo e Danielle Jensen, na Maria Bonita, eles conseguem aliar o regional às vontade internacionais, sem descaracterização marcante ou clichês.

 

“O estrangeiro valoriza muito mais nossa própria cultura, do que nós mesmos”, afirma Ronaldo. “Achamos que é coisa de pobre, varremos para debaixo do tapete”.

 

Não é de se espantar que a moda regionalista venda muito mais no exterior do que no próprio Brasil. Tem até quem argumente que uma moda regionalista não faz mais sentido quando o mundo inteiro caminha para a globalização, para a formação de uma “aldeia global”. Mas, como bem disse Danielle Jensen, “olhar para coisas ao seu redor, próximos de você, é olhar para o mundo também”.

 

Mas não pára por ai, conforme Ronaldo Fraga disse, “hoje as pessoas se vestem igual no mundo todo. O que traz a verdade local é o que vai ganhar valor daqui presente”.

 

“Deveria existir um compromisso civil do designer brasileiro tentar entender aquilo que temos mais bem resolvido, que é a cultura brasileira”, finaliza.

 

Matéria publicada originalmente no site do SPFW

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aproveitando a parceria do SPFW com a InBrands…

InBrands, moda 1 Comment »

Resolvi re-publicar uma matéria que fiz sobre a empresa no site do SPFW. Aí vai:

 

O recado já foi dado há tempos: moda é negócio. Prova disso foi a recente invasão das empresas gestoras no mercado nacional. Existem alguns bons exemplos de que moda e o business podem andar lado-a-lado, e mais importante, para frente.

 

É o caso da InBrands, holding do fundo PCP, administrado pelo UBS Pactual. Ano passado o grupo deu início às suas atividades no segmento de moda e consumo unindo três fortes marcas nacionais: Ellus, 2nd Floor e Isabela Capeto. O objetivo é potencializar o crescimento e rentabilidade dessas grifes. Como já é de costume, o dito DNA da marca e a independência criativa de cada uma delas serão totalmente respeitados e preservados. A Inbrands entra na jogada para oferecer suporte administrativo, financeiro e operacional, sem contar os projetos futuros para concentrar todas as negociações com fornecedores, coordenar e gerenciar a distribuição das marcas parceiras.

 

Falamos com o presidente da holding, Gabriel Felzenswalb, para saber um pouco mais sobre a InBrands e seus projetos futuros. Confira abaixo nossa entrevista:

 

Portal SPFW >> Qual é o trabalho da InBrands dentro das marcas que possui?

Gabriel Felzenswalb >> Investimento de capital para crescimento, contratação de novos profissionais, integração de sistemas, melhoria de processos administrativos e benchmarking das práticas de negócio.

 

Portal SPFW >> Como que funciona o processo de adesão/incorporação das marcas à Inbrands? Elas são compradas, ou seus donos formam sociedade com a holding?

GF >> Acreditamos tocar negócios com “cabeça de dono”. Gostamos que nossos colaboradores se sintam donos e não empregados, alinhando a remuneração e os incentivos aos resultados do negócio. Logo, não faz sentido transformar donos em empregados. Isto é, buscamos empreendedores que queiram participar de algo maior e enxerguem a associação com outras marcas e com um grupo gestor como um caminho para o crescimento. Em resumo, os sócios fundadores continuam sócios dos seus negócios e a InBrands é apenas um novo sócio.

 

Portal SPFW >> Atualmente, a Inbrands conta com quantas marcas? Quais?

GF >> Ellus, 2nd Floor e Isabela Capeto.

 

Portal SPFW >> Existem outras marcas do mercado nacional que já estão sendo estudas para incorporarem o portifólio da Inbrands?

GF >> Preferimos não alimentar especulações.

 

Portal SPFW >> E sobre os rumores de que Alexandre Herchcovitch teria se juntado a Inbrands? Ficamos sabendo que no showroom dele já é possível encontrar também peças da Isabela Capeto e 2nd Floor…

GF >> Conforme o próprio Alexandre divulgou, estamos em conversações. As duas partes estão muito otimistas, mas ainda não temos nada concreto.

 

Portal SPFW >> Quais os critérios para uma marca poder fazer parte do grupo?

GF >> Não há critério científico. Buscamos marcas fortes, com identidade definida, potencial de crescimento e principalmente buscamos sócios com mentalidade alinhada ao nosso modelo, sócios que entendem muito bem o que sabem e não sabem fazer, pessoas com ambição para crescer, mas com a humildade necessária para trabalhar em sociedade.

 

Portal SPFW >> Uma vez parte da Inbrands, quais são os benefícios que uma grife possui?

GF >> O benefício de trabalhar duro para participar de um projeto de crescimento. Ninguém vai trabalhar menos, mas todos trabalharão melhor: mais focados, com menor custo e com acesso às melhores práticas gerenciais. Por exemplo, a Isabela Capeto trabalhava com um sistema de gestão empresarial simples, adequado para seu tamanho. Agora, estamos implementando o mesmo sistema usado na Ellus, por uma fração do custo e com toda a customização e treinamento feitos pelas próprias pessoas que trabalham no dia-a-dia com o software. É um super atalho para a Isabela que lhe permitirá ganhar agilidade e precisão na tomada de decisão.

 

Portal SPFW >> Até onde a Inbrands interfere/atua dentro do planejamento, criação e estratégia de marketing de suas marcas?

GF >> A independência criativa e de estilo será sempre mantida, mas participamos de todas as discussões de planejamento e de estratégia. Acreditamos em autonomia com cobrança. Um sistema de gestão centralizado onde um punhado de pessoas controlem as decisões não funciona. É preciso delegar poder a quem está na ponta do negócio. Os gestores das marcas definem conosco as metas a serem atingidas e os planos para chegar lá. Dentro desse escopo, os executivos têm autonomia para atuar. A InBrands vai monitorando, provendo assistência quando necessário e acompanhando o trabalho.

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verão da Huis Clos já nas lojas!

Huis Clo, moda, verão 2009 No Comments »

Nesta última edição do SPFW uma das melhores coleções desfiladas foi a Huis Clos. Seguindo uma linha mais minimalista o verão 2009 está nos top 10 de quase todos editores, revistas e sites especializados. De modelagem bem confortável, mas ainda super sofisticado, o destaque – como sempre – fica por conta da construção perfeita das roupas, com destaque para os quase ternos. Aqueles looks de calça que começam mais soltas no quadril e nas coxas, e vai afunilando levemente até o calcanhar, combinados com blusa bem leve e solta e um quase blazer (sem as lapelas) mais desestruturado e molenga.

 

 

Enfim, tudo isso para contar que a coleção já chegou às lojas, assim como as temperaturas mais altas que já anunciam o que o verão (ou melhor, o calor) já está aí.

 

Serviço:
www.huisclos.com.br

 

São Paulo
Rua Oscar Freire, 1105.
Jardins
Tel: 11 3088 7370

 

Rua Dr. Mário Queiroz, 538.
Itaim Bibi
Tel: 11 3168 2396

 

Shopping Iguatemi
Loja X55, Piso 3.
Tel: 11 3812 4021

 

Shopping Cidade Jardim
Salão Comercial L - Primeiro Piso
Tel: 11 3552 3464

 

Rio de Janeiro
Fashion Mall
Loja 217C – Piso 2
Tel: 21 3205 3258

 

Brasília
Park Shopping
Loja 128 – Nível inferior
Praça Central Brasília
Tel: 61 3234 9686

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