e já que o assunto de hoje é esporte…
Friday, August 8th, 2008Foi-se o tempo em que os esportes se resumiam puramente a habilidades e capacidades físicas dos atletas. Ainda que essas duas características tenham papel fundamental no desempenho dos esportistas, hoje em dia o uniforme/roupa perfeita para cada competição pode fazer toda diferença. É uma área em que a menor vantagem, seja em milímetros ou milésimos de segundo, pode decidir quem vence e quem perde uma prova.
Com o avanço da ciência, com a globalização e com a profissionalização dos esportes no mundo todo, os níveis de treinamento e capacidades físicas entre atletas de diferentes partes do mundo ficaram muito próximos. Deixando assim que as competições fossem decididas mais pelo aparato tecnológico do que pela força física. Foi nesse cenário, que começou a ganhar proporções jamais imaginadas nos anos 90, que surgiram as super-roupas.
Na verdade, o super fica mais por conta dos tecidos ou matérias nelas utilizados. Marcas esportivas como Nike, Adidas e Speedo começaram a se unir com as principais universidades e centros de pesquisa do mundo para desenvolverem o traje esportivo perfeito, capaz de reduzir a quantidade de desgaste físico de um atleta e potencializar seu desempenho.
Muito mais do que a resistência do náilon ou a impermeabilidade do neoprene, esses tecidos se tornaram verdadeiras revoluções para os esportes – causando também muitas discórdias. Alguns chegaram a considerá-los como uma forma de dopping, já que o atleta acaba fazendo uso de ajuda externa, além de sua real capacidade física. Mas, a verdade é que hoje não se pode mais separar o esporte da tecnologia. Por mais que isso acabe acrescentando um cunho financeiro – já que essas roupas não são nada baratas – dificilmente você irá encontrar atletas competindo sem elas nas principais provas do mundo.
Uma das mais famosas – e também uma das primeiras e mais simples – é o conhecido dry-fit, que hoje já é até ultrapassado. Seu fundamento é bem simples: um tecido bem arejado, que retém pouquíssima água, deixando a roupa mais leve e fresca.
A Nike, uma das marcas líderes em corrida e atletismo, é a responsável pela última inovação nesse sentido. Sua mais nova regata de corrida de longas distância é 30% mais leve do que as peças convencionais, além de possuir um design bem simples, com quase nenhuma costura para evitar desconfortos e distrações na hora da prova.
Sem contar os vários poros que ajudam na ventilação e, consequentemente, no controle de temperatura do corpo. Para quem não sabe, quanto mais baixa a temperatura do corpo durante a prova, melhor. Por isso a Nike possui um colete que pode ser enchido de água e congelado, para resfriar o corpo momentos antes da competição.
Na natação, a busca por uma roupa que elimine por completo o atrito com a água também vem dando o que falar. Ainda esse ano a Speedo lançou seu novo racing suit, o Fast Skin LZR Racer. A marca se uniu à NASA para, depois de inúmeras pesquisas e testes, criar um traje que possui um coeficiente de arraste mínimo (atrito com a água).
O LZR RACE foi o primeiro traje do mundo totalmente soldado por processo ultrasônico que elimina as costuras, cria silhuetas com menos ondulações e reduz o atrito com a pele em 6% se comparada a uma peça costurada de forma tradicional.
O mesmo acontece no triathlon, onde conforto, leveza e pouca retenção de água são fatores essenciais. Foi pensando nisso que a Orca, líder mundial em trajes de triathlon, desenvolveu um macaquinho para corrida – praticamente uma segunda pele -, o Pro Killa, que serve tanto para natação como para o ciclismo e corrida. Para natação, a ausência de costura, junto com o caimento extremamente justo ao corpo garantem um menor coeficiente de atrito.
Como o tecido é hidrofóbico, ou seja, repele a água, seca instantaneamente com a saída do atleta da água. Essa característica também garante mais conforto durante a corrida e ciclismo, não retendo o suor e ajudando no controle da temperatura corpórea. Sem contar a leveza da peça.
Tudo isso pode parecer frescura ou bobagem. Mas o desgaste dos atletas em competições oficias – principalmente em provas de longa duração – é imenso, e toda ajuda, por menor que seja, pode determinar um novo vencedor, um novo recorde mundial e, é claro, a medalha de ouro.
Texto publicado originalmente no site do SPFW em 06/08/2008


