NY Day #4

Halston, Malo, NY Fashion Week, Proenza Shouler, Thom Browne, inverno 2008 No Comments »

Fotos por Marcio Madeira

O quarto dia de semana de moda de NY não trouxe nenhum grande destaque ou surpresa. Talvez a maior expectativa foi a volta da Halston, que agora tem na direção criativa um ex-estilista da Versace, Marco Zanini – sem contar nos grandes nomes que estão por traz da marca nessa nova fase: Tamara Mellon, presidente da Jimmy Choo, Harvey Weinstein, um dos sócios da Miramax Films e a super stylist das celebridades Rachel Zoe.

Devo confessar que num primeiro momento não achei a coleção boa, como ainda acho que podia ter sido melhor. Mas depois, analisando bem a situação, acho que foi um estréia bem ok. A Halston foi uma marca de muito sucesso nos EUA, com grande tradição e um conceito e estilo muito forte e marcante. Assumir a direção criativa de uma grife como essa, depois de mais de 30 anos do seu auge, não é tarefa nada fácil e exige muita cautela.

E foi assim que Marco Zanini mostrou a primeira coleção da Halston nessa nova fase. Sem força demais a barra, Zanini mostrou roupas bem fáceis de usar, práticas e com a cara da marca. Daí vinham os looks em jérseis, os chemises, as calças bem soltinhas, meio boca de cino, as camisas mais longas e os looks de cashmere. Tudo sempre numa silhueta bem confortável, mais afastada do corpo, numa proposta bem simples e prática, dois conceitos que sempre foram mote para o próprio Roy Halston.

De quem eu gostei mesmo foi da Proenza Shouler. Agora que contam com um apoio financeiro maior, Jack McCollough e Lazaro Hernandez encontraram maior liberdade para trabalharem com suas roupas, sem ter sempre aquela preocupação em vender mais. O destaque do inverno 2008 está todo em dobraduras e no bom trabalho de volumetria e construção. Daí as várias sobreposição de camada e tecidos, os laços, babados e drapeados. Os casacos com lapela dupla, recortes, pregas e penses deslocadas. Tudo numa silhueta mais afastada do corpo com comprimento variando entre os curtos e logo abaixo do joelho.

Outro bom destaque do dia foi da dupla Roberto Rimondi e Tommaso Aquilano, da Malo. Para o inverno 2008 o duo decidiu trabalhar círculos, forma que também já serviu de tema para a coleção de verão 2008 da Fendi. Usando a forma não só em estampas, mas principalmente na forma de textura, os estilistas apresentam bom trabalho estruturando suas roupas e deixando-as na forma chave da coleção. Destaque também para o ótimo trabalho na pesquisa e tratamento de tecidos.

Já olhando mais para a moda masculina, Thom Browne é sempre um estilista que diverge opiniões. Ele ficou bem conhecido por alterar as proporções clássicas e tradicionais do terno, encurtando a barra das calças até logo acima do tornozelo. Considerado por alguns como um visionário e questionador das tradições do guarda-roupa masculino ou como um estilista de extremo mal gosto. Isso sem falar na alta dose de criticas política e social que pode-se interpretar a partir de seus desfiles, quase que teatrais.

Seu último desfile não foi diferente. Apesar de toda bizarrice e looks que beiram o ridículo, não há como negar o excelente trabalho que o estilista faz alterando e propondo novas formas de se usar um terno. Suas experimentações com volumes e principalmente proporções são essenciais para a busca de uma nova forma de vestir o homem, assim como de ir acostumando o público e a mídia com mudanças que podem estar por vir.

Surfando em novas proporções

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O surfe definitivamente é o esporte da vez. Depois de ser referência em algumas das melhores coleções das semanas de moda masculina – Alexander McQueen e Burberry por exemplo -, o esporte aquático volta a dar as caras na semana de Nova Iorque, agora na coleção para o verão 2008 de Thom Browne, o nome mais promissor da moda masculina americana.

Mas apesar do surfe ter sido um dos temas escolhidos por Browne, as referências aos esportes quase que se resumespraticamente às pranchas e aos looks descaradamente esportivos (com direito até a touca). Na verdade, Browne fez como que uma ode ao famoso “american style”, tendo o surfe como segundo plano. Claro que esta homenagem não ia vir de forma pura, e sim sobre a ótica quase misteriosa e cheia de mensagens subliminares do estilista.

Foi uma coisa meio Ralph Lauren encontra Rei Kawakubo. Os ternos, os looks esporte fino, mesmo que com proporções que jamais se veria na Ralph Lauren, traziam claras lembranças da marca que foi uma das pioneiras em difundir o estilo americano. Já as experimentações com proporções e os looks com tiras chegam a lembrar trabalhos antigos de Rei Kawakubo na Comme des Garçons.

E é justamente essas experimentações em proporções que me chamam atenção no trabalho de Thom Browne. Ele logo ficou conhecido por encurtar a barra das calças de seus ternos, para logo acima do tornozelo. Agora Browne vai além, encurtando também as mangas dos blazers, para o meio do braço, como que uma camiseta da manga curta. E se as mangas dos blazers se encurtam, as das camisas se alongam, a ponto de serem amarradas atrás dos modelos – imagem super forte, e cheia de significados. As bermudas e shorts também se encurtam virando quase que hotpants masculinos. E o mais incrível – pelo menos para mim -, é que apesar de toda esquisitice que essas novas proporções possam suceder nas pessoas, Browne consegue manter a masculinidade de suas roupas intactas.

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