“O estilista cria, o figurinista apresenta e o público incorpora.” Quem disse esta frase foi Marília Carneiro, uma das maiores figurinistas nacionais e a número 1 da TV Globo, durante o debate Arena da Moda, que aconteceu na última segunda-feira no Teatro Folha, aqui em São Paulo.
Acho que a frase sintetiza bem todo o processo que uma tendência, ou até mesmo uma roupa, percorre na indústria da moda brasileira. A gente já cansou de ouvir que as novelas são quem realmente dizem o que é moda aqui no Brasil. No mesmo debate, Alexandre Herchcovitch, deixou bem claro isso, dizendo que as novelas funcionam como uma grande revista de moda, com um público enorme, englobando todas as classes sociais. Fica fácil ver ai o grande poder de difusor e democratizador de tendências que uma novela pode ter.
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Outra coisa que o Alexandre Herchcovitch também disse é que é bem interessantes reparar é nas várias edições que uma mesma coleção ou roupa passa. Primeiro, editada para um desfile, para ser usada por uma modelo manequim 38, teoricamente numa situação onde o conceito pode aparecer mais. Depois, editado quase que para a vida real pelo figurinista para uma novela, por um ator e atriz de medidas também mais reais – ou comuns -, e de um jeito mais fácil para um público muito maior assimilar. E muitas vezes, apesar de não ser exatamente a mesma roupa, mas a mesma tendência, forma e silhueta, ganha uma última edição já totalmente de vida real. É quando as pessoas que assistem a novela tem o desejo de se vestido do mesmo jeito que determinado personagem.
Até ai, tudo bem. Mas eu sempre fui um daqueles que criticava as novelas por não contribuírem em nada para mudar/incentivar a cultura de moda nacional. Mas depois deste debate fiquei pensando e acho que tem muito pouco o que se fazer na novela. Os figurinista tem um compromisso e uma pressão muito grande para se manterem fiéis ao contexto da história e também a realidade brasileira. Não adianta colocar roupas de vanguarda num personagem criado para ser uma dona de casa de classe média, por exemplo. Então, será mesmo que não tem um jeito de contribuir para cultura de moda nacional através das novelas?
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