It Shoes?

Antonio Berardi, Balenciaga, Chloe, Marc Jacobs, Miu Miu, Nina Ricci, Sapatos, Verão 2008 4 Comments »

Já falei aqui sobre as especulações sobra qual acessório de moda seria “a nova bolsa”. Se é que a bolsa será desbancada do seu pedestal de principal acessório de luxo, né? Eu acredito que não, pelo menos por enquanto.

Suzy Menkes apostou nas jóias e relógios como as novas bolsas. O principal motivo é porque “um tamanho veste todos”. Mas tem também a questão financeira, já que os preços de jóias, relógios e bolsas são mais ou menos equivalentes hoje dia. Lógico, levando em conta as devidas proporções.

Algum tempo depois o WWD publicou matéria dizendo que o novo acessório a ameaçar as bolsas eram os óculos. Por que? Porque expõem bem a marca e ajudam como nenhum outro acessório a compor um look de forma harmônica, para dar ainda mais ênfase na mensagem/conceito que uma grife quer passar.

Aí, estou eu ontem lendo uma entrevista – incrível by the way - com ninguém menos que Miuccia Prada, na última edição da revista POP – tem que ter, porque esta edição tem matérias ótimas – e me deparo com a seguinte questão: a jornalista pergunta para Sra. Prada o que ela acha dessa obsessão por bolsas nos dias de hoje. E olha aí a resposta dela:

Bolsas, hoje em dia são uma coisa muito importante. As vezes me interesso por bolsas, as vezes não. No momento não estou interessada. Eu acho que essa obsessão por bolsas está acabando agora. It bag, depois de it bag, depois de it bag, em algum ponto isto tem que parar. Claro que as bolsas são muito importante para nossos negócios. Mas agora eu acho que é a vez dos sapatos.”

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E morre aí sem explicar muito o porque dos sapatos. Então, resolvi ir pesquisar um pouco na internet. Foi quando me lembrei que o NY Times também já havia publicado uma matéria anunciando os It Shoes, como substituto das It Bags.

A aparência de tantos sapatos que eram ingênuos, ou arquitetônicos, ou maravilhos ou potencialmente assassino dá crédito ao que os estilista haviam previsto como um movimento de moda para longe das It bags, já que há agora tantas auto-proclamadas It bags que ninguém consegue mais dizer o que é It ou não”, escreveu Eric Wilson no NY Times.

Nas coleções de verão, enquanto os vestidos, saias e blusas voltam para um conservadorismo romântico, algo muito mais “sinistro” acontece nos pés das modelos. Com designs desafiadores para qualquer pé, os It Shoes acabam sendo muito mais para insiders fashionistas e mais desafiantes para a maioria dos consumidores. Quer exemplos? Basta olhar as fotos a seguir:

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Balenciaga

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Chloé

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Antonio Berardi

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Miu Miu

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Nina Ricci

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Marc Jacobs

Fotos por Marcio Madeira/Style.com

Hussein Chalayan

. DESFILES ., Hussein Chalayan, Verão 2008 3 Comments »

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Hussein Chalayan é provavelmente um dos estilistas mais intelectuais da atualidade. Suas criações e desfiles estão mais para instalações ou happenings do que uma mera parada de vestidos incríveis. Desde o início de sua carreira, Chalayan ficou marcado pela forte carga conceitual em suas apresentações. Mas ao invés de se enraizar na questão do choque – de espantar as pessoas -, seus desfiles são embasados em diálogos inteligente sobre genética, antropologia, migração, preconceitos culturais, impactos ambientais, identidade, arquitetura e agora pela adoração primitiva do sol em relação com o status das celebridades contemporâneas.

Chalayan já apresentou mulheres todas cobertas por um chador – peça de roupa que as mulheres muçulmanas usam para cobrir todo o corpo – ou completamente nuas, vestidos com pedaços de vidro em suas tramas ou inspirados em asas de avião, onde pedaços da roupa se abriam para revelar o corpo da modelo e até vestidos e saias de madeira.

Só para dar um exemplo de como o estilista incorpora estes elementos à um contexto intelectual mais elevados. Os looks de madeira da coleção “After Words” (inverno 2000/2001), eram na verdade mesas de café, reconstruídas para remeter à vida dos refugiados que tinham que se camuflar para fugir, tudo inspirado pela situação em Kosovo.

Mais recentemente, Chalayan chamou atenção para vestidos móveis em sua coleção para o verão 2007, numa apresentação que retomava os principais momentos da história da moda em um só look – ok, talvez 3, mas vocês entenderam. Na coleção seguinte, Chalayan incorporou LEDS à suas roupas retráties/móveis, que faziam com que os vestidos se iluminassem e transmitisse mensagens luminosas.

Para o verão 2008 Chalayan surpreende de novo. Começando pela forma como decidiu apresentar sua coleção. Ao invés da clássica forma de desfile, o estilista em parceira com o SHOWstudio e Antonhy Hegarty (do Antonhy and the Johnsons), exibe um filme, chamado “Readings”, para mostrar sua nova coleção.

Ao som de piano, vidros quebrando e vozes, as modelos dançam e se movem como que em um ritual tribal, só que aqui com as ótimas propostas de Chalayan, sempre numa slhueta solta, confortável e em tecidos leves. Blusas de mussleine, vestidos de seda, curtos e longas e também camisas e shorts de alfaiataria.

Mas Chalayan guardou o melhor para o final. Desta vez o estilista resolveu trabalho com laser, uma tecnologia com a qual nunca havia feito nada. Das aplicações de cristais swarovskis nas roupas e acessórios, feixes de laser eram emitidos, caindo sobre os corpos das modelos ou refletindo em espelhos formando um verdadeiro caleidoscópio.

Balenciaga

. DESFILES ., Balenciaga, Verão 2008 2 Comments »

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A essa altura do campeonato todo mundo já deve ter visto, lido ou até ouvido à respeito do desfile da Balenciaga, por Nichola Ghequière, né? Enfim, como já é de praxe, o desfile era um dos mais esperados da semana da Paris, senão de toda temporada de moda. Para inverno 2007/08, Ghesquière deu o que falar, fazendo a moda de luxo se adaptar ao streetwear, tirando de lá fundamentos e elementos multi-étnicos para compor uma das melhores coleções da temporada.

Agora, Ghesquière sai das ruas e volta para os arquivos do grande mestre Cristobal Balenciaga, de onde tira estampa florais, formas e silhuetas. Depois, pega tudo isso e dá seu toque único, moderno, mostrando uma coleção que vai além das tendências, dos desejos comerciais/consumistas e se torna um verdadeira marco de moda, um ponto de partida para a imaginação e idéia. Um dos poucos desfile que uni tão bem conceito, imagem de moda, com o usável e “vendável”.

A silhueta/formas podem ser do século 18, as estampas florais – algumas desenhadas pelo próprio Cristobal Balenciaga – podem ter ares retros, os tecidos e as técnicas de costura e estruturação dignas de alta-costura existentes à séculos, mas ainda sim Ghesquière consegue apresentar tudo isso de forma nova e fresca. Na verdade, a silhueta se aproxima muito da visão futurista de Ghesquiére, com os ombros bem estruturados e redondos, tecidos rígidos e sais em forma de sino, acentuando o quadril.

Meus preferidos, so far…

. DESFILES ., Martin Margiela, Verão 2008, Vivienne Westwood No Comments »

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Sou um pouco suspeito para dizer, pois sou bem fã dele, mas para mim, o melhor desfile até agora em Paris, foi da Maison Martin Margiela. Brincando com formas ajustadas ao corpo e formas mais soltas, Margiela apresenta uma das silhuetas mais originais desta temporada. Começando com looks em bege e preto, numa coisa meio trompe l’oeil – principalmente nas leggings que pareciam mais 7/8 -, bem justos no corpo, acrescentando elementos mais soltos e fluídos como caldas nas bluas e jaquetas ou saias mais compridas.

Sempre bem sexy, Margiela solta looks com suas clássicas ombreiras pontiagudas, à la Flash Gordon – em vestidos, blazers ou jaquetas. Estes vem sobrepor algumas vezes, micro shorts de jeans desfiados. O melhor de tudo, é que ao mesmo tempo que o estilistas consegue atingir e transmitir uma imagem única, totalmente adaptada ao seu universo, também apresente elementos da estação, como transparências, formas fluídas e soltas e até um pouco de ode ao estilo americano.

Outro destaque (pelo menos para mim) foi o desfile/manifesto de Vivienne Westwood. Não é de hoje que a estilista, mãe do punk utiliza a moda como forma de expressão política. De certo modo, suas visões sobre acontecimentos globais sempre esteve presente em todas suas coleções, só que em algumas de formas mais explícitas que as outras.

E o verão 2008 foi uma forma bem explícita, com estampas de “no propaganda” contra a decisão de estender o tempo que suspeitos de terrorismo podem ficar presos sem julgamento na Inglaterra. Fora isso, o que se viu na passarela foi Vivienne Westwood em seu mais puro estilo. Nos vestido e looks assimétricos, desconstruídos, elementos do masculinos re-editados e seus clássicos drapeados, que ora escondem, ora mostram partes do corpo.

Além dos looks mais difíceis de chegarem à um consumidor final, Westwood também apresenta boas opções comerciais, com vestidos mais românticos e comportados, assim como calças e camisas.

Entre o masculino e feminino em Paris

. DESFILES ., Benhard Wilhem, Dior, Kris van Assche, Rick Owens, Verão 2008, Yohji Yamamoto No Comments »

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Reta final para a temporada de moda do verão 2008. Domingo começou a semana de moda de Paris, uma das mais esperadas do calendário internacional. No primeiro quem teve destaque foi o desfile/instalação de Benhard Whilhem, com suas modelos maquiadas como se fossem manequins vestindo suas roupas sempre bem coloridas e com um quê lúdico.

Teve também a elegância e extrema sofisticação avant garde de Rick Owens. Depois de um inverno de formas soltas, muitas camadas, o estilista californiano opta por um verão mais estruturado. Mas não pense em tecidos duros e rígidos. Owens mostra excelência ao estruturar e dar formas – que chegam até a desconfigurar a silhueta feminina – à tecidos finos e leves. Os drapeados também merecem destaque, desde o vestido que abre o desfile até as calças com cavalo mais baixo. Tudo em branco e preto. Começando com os brancos lisos, passando para looks listrados e terminando com os negros.

No segundo dia de desfiles teve o tão esperado desfile da Dior, por John Galliano. E algo parecido com o que aconteceu na Prada, foi visto neste desfile da grife francesa. Depois de um inverno ultra fashion, com looks extremamente trabalhos e decorados – já prenunciando o que estava por fim no desfile de alta costura -, de uma comemoração de 60 anos da marca no palácio de Versailles e de uma das melhores cruise collections da temporada, foi mais do que compreendido que Galliano deixa-se as odes ao New Look de lado e aclama-se um pouco os ânimos.

Assim, o verão 2008 da Dior vem bem mais simples e bem mais comercial que a coleção passada. Mas mais do que simplicidade, o que chama mais atenção nesta coleção, é que ela vem bem mais Galliano do que Dior. Já fazia umas boas duas coleções onde o nome do grande estilista que dá nome a casa falava mais alto nas passarelas de Paris. Agora, depois de tanta comemoração em seu nome, vemos Galliano dando o tom para o desfile, e no seu melhor e mais elegante estilo.

Dos clássicos vestidos em viés, às calças de alfaiataria e aos looks com referências ao japonismo – lembra da coleção do Madame Butterfly? -, Galliano revisita suas peças chaves, viajando entre fins da década de 20 e e anos 40, o que tornou impossível não ver Marlene Dietrich na coleção. A atriz, musa do estilista, foi ponto de partida para vários looks, principalmente os mais andróginos ternos e fraques, sempre dotados de extrema elegância e sofisticação.

A androginia também foi ponto alto – de novo - no desfile de Yohji Yamamoto, com destaques para os vários macacões e os incríveis vestidos drapeados, volumosos ou soltos sobre o corpo, quase sempre com uma jaqueta ou blazer desconstruído.

A alfaiataria também aparece como elemento importante na coleção de Kris Van Asche – já cansei de falar que ele é o substituto de Hedi Slimane na Dior Homme. Com o mesmo fundamentos do masculino, onde já é nome de peso, Van Asche traz influência mexicanas – vide as estampas gráficas e as saias longas, num estilo meio faroeste -, mas são os elementos da alfaiataria masculina que ganham mas destaques. Diferente da Dior, aqui eles ganham ares mais esportivos, aparecendo de forma mais despojada e leve

Marni

. DESFILES ., Marni, Milão, Verão 2008 No Comments »

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Já faz umas duas estações que a Marni vem apostando em matérias tecnológicos, de aparência plástica e brilhante. O verão 2008 da marca, não foi diferente. Ou melhor, foi sim, já que tais matérias assumiram uma posição menos chocante do que antes, sendo usados de forma muito mais elegante e sofisticada junto com outros tecidos mais finos, sempre em cores marcantes – verde água, tons de azul, roxo, mostarda, cinzas, marrons, amarelo e até um pouco de laranja bem forte.

A silhueta, apesar de mais afastada do corpo é sempre bem “body conscious”, ou seja, segue sempre as linhas do corpo. Os matérias sintéticos, com apelo mais futurístico aparecem na coleção sobre forma de bons vestidos/túnicas bem quadradões, sem marcar muito o corpo. Essa silhueta continua quase que intocável mesmo quando o look é composto por duas peças, com saias bem quadradas (na maioria em tecidos tecnológicos) e blusas mais retas também.

Consuelo Castiglioni, estilista da marca, é a responsável por levar a marca de uma posição vista como mais alternativa para o mainstream não só da moda italiana como de todo planeta fashion. O verão 2007 da marca foi considerado uma das melhoras coleções da temporada, fazendo excelente uso do sportwear e já de matérias tecnológicos. Estes vieram a ganhar ainda mais força na coleção passada (inverno 2007/08), e agora ganham ares mais harmoniosos e menos chocantes. Prova de que Castiglioni continua no caminho certo, sem perder a mão e cair em clichês comerciais.

Not so quiet revolution

. DESFILES ., Jil Sander, Milão, Raf Simons, Verão 2008 1 Comment »

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Ok, o desfile da Prada é sempre o que causa mais frisson durante a semana de Milão, mas para mim, o maior destaque de ontem foi a coleção para o verão 2008 da Jil Sander, assinada pelo estilista belga Raf Simons. Para quem não sabe, Simons assumiu o posto de diretor de criação da marca há dois anos atrás, ficando responsável por reinventar a clássica silhueta minimalista assim como a famosa alfaiataria da marca. E até então, o estilista vêm mostrando sucesso em sua tarefa, re-erguendo o status da grife, para uma das mais prestigiadas dos dias de hoje.

Sem cair em clichês minimalistas dos anos 90, Simons tem conseguido modernizar itens clássicos da marca, assim como a própria silhueta Jil Sander, sem perder por completo a assinatura e características essenciais da grife. “A quiet revolution”, como foi publicado na i-D, é o melhor termo para definir com o belga vem fazendo com a Jil Sander.

Para o verão 2008 essa “revolução silenciosa”, não foi tão silenciosa assim. Simons parece dar uma alavancada com essa coleção, experimentando com novas formas, proporções e cores para além da monocromia minimalista que marcou a grife na década passada. Qualquer um mais interessado em moda sabe do bom e velho truque de proporção: justo em baixo, solto e compridinho em cima e vice versa.

Simons usa e abusa deste recurso com expertise. Encolhendo os clássicos blazers Jil Sander até virarem boleros sobre blusas justas e alongadas até os quadris, com calças mais soltas e amplas. Ou alongando a parte de cima ou deixando-as bem fluídas sobre calças ultra justas. Os vestidos também são ponto forte da coleção. Cheio de camadas de tecidos leves, Simon também brinca com transparências, revelando algumas partes do corpo de forma sensual e totalmente nova para a mulher Jil Sander.

Prada

. DESFILES ., Milão, Prada, Verão 2008 No Comments »

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Conversando uma vez com um amigo Dj, ele me contou que quando se está tocando chega uma hora em que você se vê sem saída. A música cresceu tanto que não há mais para onde ir, senão quebrar – meio que drasticamente – o ritmo acelerado. E foi mais ou menos – numa comparação bem porca – o que aconteceu no desfile da Prada, ontem em Milão.

Miuccia Prada sempre apresentou coleções fortes, sempre causando impacto e até agressivas de certo modo. Porém, o verão 2008 foi a coleção responsável por quebra toda essa força – não que está coleção não seja boa e cheia de significados e interpretações, tão característicos nos trabalhos desta estilistas. Agora, o tom é mais calmo, quase que bucólico, retomando fundamentos da Art Noveu, com um quê meio anos 70.

Aquela estética pijamas da coleção masculina continua, principalmente nos looks de tricô mais ajustados ao corpo, às vezes até me macacões. Mas o que chama atenção de verdade são as formas curvilíneas, a maciez e leveza dos tecidos, assim como suas transparências – que junto com recortes arredondados traziam ares eróticos para a coleção. As cores também eram suaves, com muitos tons de verde, azul e cinza. Estampas de flores, fadas e outros temas naturais remetiam à ilustrações de contos de fada. Enquanto outras mais corridas, como os xadrezes ficavam responsáveis por trazer referências da década de 70.

Apesar de mais leve e suave do que as últimas coleções, Prada continua a explorar um lado menos comercial da moda, trabalhando com estéticas consideradas feias, com o estranho e com proporções que nem sempre são consideradas as que mais favorecem o corpo feminino. Tudo isso devido a complexa visão que a estilista tem sobre a mulher e toda a feminilidade nos dias de hoje.

Rapidinhas de Milão

. DESFILES ., Alesssando Dell'Aqua, Burberry, D&G, Gianfranco Ferré, Giorgio Armani, Milão, Verão 2008 No Comments »

Depois da semana de Londres, vem a de Milão. Acho que isso todo mundo já sabe… Enfim, a terceira etapa da temporada de moda começou no fim de semana bem pianinho e só foi ganhar força ontem (24/09). Até então nada de muito extraordinário, nem novo. Mas mesmo assim boas coleções, como coleção nipônica-sensual-moderna de Alessandro Dell’Aqua. Fazendo bom uso de elementos típicos japoneses, como os quimonos e obis (aquelas faixas largas na cintura) e de materiais mais sintéticos como vinil e borracha junto com outros mais clássicos e finos, como plumas, forros de tule, organza e chiffon.

Apostando numa silhueta mais próxima ao corpo – bem anos 90 -, assim como Dell’Aqua, Christopher Bailey, para Burberry, apresentou uma das coleção mais sensuais da marca até os dias de hoje. Com um leve toque de rock’n’roll, Bailey apresenta uma coleção chique, porém com ares de rebeldia. A peça chave da coleção – e do verão 2008 também – são os vestidos, aqui em sua maioria de chiffon, alguns em tiras, sempre com a cintura marcada e com meias pretas e sandálias plataformas da mesma cor. Os trenches vêm em menos quantidades e mais leves, e com aplicações de tecidos nos ombros, dando mais volume para região.

Plumas e passamanarinas trazem ainda mais ares de sofisticação para a coleção, assim como os looks pretos brilhantes – parecem maxi paetês nos vestidos – do final. Os coloridões, em azul e roxo já se aproximam um pouco mais da estética apresentada na coleção masculina.

E se a silhueta se ajusou para Bailey e Dell’Aqua, para Stefano Gabbana e Domenico Dolce, veio bem solta para o verão 2008 da D&G. Depois de algumas coleções com temas mais futurísticos e tecnológicos, a dupla opta por uma lado mais natural, com uma estética bem hippies. Não faltaram estampas florais, patches, jeans, couro, bababos, quase sempre em proporções bem afastadas do corpo, bem confortável. Claro que a coleção traz alguns looks mais sexys e sofisticados, como os looks com couro do começo de desfile, as peles e as peças em tons de bronze, afinal ainda é D&G.

Outro que apostou em formas mais soltas e fluídas foi Giorgio Armani. Olhando para o sul da Itália o estilista apresenta muitas bermudas e saias sempre mais soltas, com pequenos laços nas laterais, com topos ora mais próximos ao corpo ora mais soltos. No fim foram os tops que mais variaram, uma vez que as bermudas e saias eram quase sempre iguais, com sutis diferenças na modelagem, cor ou comprimento. Desde regatinhas de malha com aplicações de cristais, até jaquetas acinturadas, casacos desestruturados e mini blazers.

No meio do caminho entra uma silhueta mais justa e outra mais folgada – se bem que tendendo mais para esta última – ficou a coleção de Gianfranco Ferré. Para quem não sabe o “arquiteto da moda” (como Ferré era conhecido) faleceu em junho deste ano. Assim, que assinou a coleção para o verão 2008 foi a equipe de criação que já trabalhava com o estilista. Porém, daqui para frente, segundo o WWD, quem assumirá o posto de direção de criação é Lars Nilsson.

O verão 2008, apesar de não desapontar, não vem no bom e velho estilo Ferré. Ao invés dos looks mais estruturados, quase que esculturais, formas mais soltas, fluídas, tudo bem confortável. O que permanece do estilo original de Gianfranco Ferré são os elementos do guarda roupa masculino, mas ainda assim longe do que o próprio estilista costumava apresentar.

MAN - o masculino do Fashion East

. DESFILES ., Aitor Throup, Cassete Playa, Kim Jones, London Fahsion Week, MAN, TopMan, Verão 2008 No Comments »

Aconteceu ontem, no último dia da London Fashion Week, o desfile do projeto MAN, uma iniciativa do Fahsion East e da loja de moda masculina TopMan. É como se fosse a versão masculina das apresentações do Fashion East – só que ao meu ver, foram bem melhores. Afinal, é na moda masculina onde novos e talentoso estilistas encontram mais espaço para experimentações, e, por que não, inovações.

Quem abriu o desfile foi o estilista Kim Jones. Conhecido pela seus looks causais refinados – num perfeito hibridismo entre esporte e alfaiataria -, Jones desfilou pela primeira vez em 2003 na LFW, se apresentando depois nas semanas de Paris e NY. Foi ele o responsável por dar um ar mais fashion para a marca de sportwear Umbro, com sua linha Umbro by Kim Jones. Agora, como integrante do projeto MAN, Jones apresenta sua segunda linha, KY by Kim Jones, destinada à um público mais amplo que sua linha principal.

Todo em tons neutros e suaves, com muito branco, cinza, cáqui, e de silhueta levemente mais ajustada ao corpo, o verão 2008 da KY segue bem a linha da marca principal de Kim Jones. Embora mais comercial (entenda-se simples) e mais casual, a segunda linha apresenta boas peças de alfaiataria remodeladas, com penses deslocadas, proporções reajustadas e algumas desconstruções.

Em seguida foi a fez de Carrie Mundane, com sua marca Cassete Playa, numa coleção totalmente oposta a de Kim Jones. Sem muitas novidades na coleção, o verão segue no estilo divertido e descompromissado de Carrie, cheio de estampas que remetem à desenhos animados, imagens pixeladas, simbolismo, universo digital e até à um certo quê de arte tribal. Tudo no melhor street-style-gangsta-hip-hop, com muitas cores, proporções oversized e diversão.

E depois de uma explosão de cores, ares mais sóbrios voltam com o desfile de Aitor Throup. Já falei dele aqui e o Sylvain também já falou deste talentoso estilista aficionado pela anatomia do corpo humando, refletindo isso em peças incríveis e cheias de funcionalidades. Não é à toa que as principais revistas de moda masculina já o apontam como uma dos principais criadores deste segmento.

Ao invés de modelos reais (humanos), bonecos de tela branca, suspensos no ar como se fossem marionetes. As roupas, com fortes referências militares – fato super recorrente nas criações de Aitor -, ganham destaques pelo trabalho de alfaiataria. Moderna, precisa e com reconstruções super “fashion forward”. Os blazer vinham em comprimentos mais curtos, ou com ombros ou golas mais estruturadas ou volumosas. As calças, ora mais largas – lembrando as de Kris Van Asche para Dior Homme – ora mais curtas, apresentavam uma espécie de sapatilha embutida, ou ganhavam modelagens dhoti – mais largo na coxa e ajustado do joelho para baixo. O único porém, é que os bonecos acabou prejudicando o caimento das roupas.

E para finalizar aconteceu o desfile da própria TopMan, bem casual, leve, solto, esportivo e com toques de alfaiataria, mas sempre bem descontraído. Shortinhos e mais shortinhos (adoro!!!), com camisas ou camisetas sempre bem soltinhas, com cardigans de proporções mais alongadas, parkas ou balzers, tanto mais curtos como no comprimento convencional. Boa coleção, com certa informação de moda, visão moderna da moda masculina ainda que sem acrescentar muita novidade, e prontas para a loja.

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