Reserva abre sua primeira loja em São Paulo

Reserva, verão 2009 1 Comment »

Demorou, mas chegou. Na verdade desde que a marca de moda masculina de Rony Meisler, Frennado Sigal e Diogo Mariani, migraram do Fashion Rio para o SPFW, já estava meio que anunciado a abertura em breve de uma loja em São Paulo. Mas agora é oficial, a Reserva acaba de inaugurar sua primeira loja paulista no Shopping Iguatemi. Sorte para os homens, já que a grife é uma das mais promissoras no segmento de moda masculina.

Para o verão 2009, a Reserva trouxe uma visão abrasileirada do Dândi inglês. Um dândi que assim como seu primo inglês viaja o mundo trazendo muitas referências do oriente, mas usando-as de um jeito mais despojado, com uma certa bossa e uma elegância boêmia.

Com uma roupa simples e desejável, a coleção que foi apresentada no SPFW vem focada no consumidor final, mostrando que os meninos conhecem bem seu público e entendem suas necessidades. Uma coleção bem distribuída que rende boas peças, prontas para a vida real.

A marca mistura bem peças de modelagem mais simples como os bons cardigans de tricô bem leve e as camisas levemente mais amplas, com outras um pouco mais elaboradas, como as sarouels – que aparecem aos montes no desfile – e os casacos com referências orientais mais fortes.

Nesta coleção a Reserva ainda ousa um pouco com os tons flúos, que apesar de um pouco datados, oferecem certa resistência para o público masculino. O interessante é que há uma boa dosagem dos tons mais fortes com os neutros, vide os casacos listrados de amarelo e cinza ou os jeans com tie-dye mais discreto nas barras dos jeans.

Ah, e ainda vai rolar uma vesta de inauguração. Assim que tiver mais informações, coloc aqui!

Tags: ,

pensando no que vamos comprar + crise do fast-fashion?

fast-fashion, moda, verão 2009 7 Comments »

Não é de hoje que o assunto de consumo consciente está em pauta. Desde que toda essa onde de sustentabilidade começou a ganhar relevância, vem se falando em formas de comprar menos compulsivas. Daí que agora, mais do que nunca, é hora de prestar atenção em como gastamos nosso dinheiro, principalmente com moda.

Com a crise financeira os mercados ficam malucos e super oscilantes, o que dificulta previsões precisas sobre o que vai acontecer no futuro. O jeito é tomar bastante cuidado com o nosso dinheirinho. É hora de re-pensar toda e qualquer forma de consumo e não só até a crise passar, mas para sempre. Afinal, a gente não quer que isso tudo aconteça de novo, né?

As meninas da Oficina de Estilo já disseram, o Style.com também, assim como Sarah Mower. Definitivamente não é hora de investir em looks muito trendy, que vão durar apenas uma temporada e depois nunca mais vai sair do armário. Muito menos de baixa qualidade. É melhor gastar um pouco mais numa peça de melhor qualidade, corte e formas mais tradicionais e cores mais discretas - assim dá para usar mais vezes sem ficar muito marcado. Desse modo a gente gasta uma vez só. Afinal peças que se encaixam nesse perfil tendem a durar mais de uma estação, além de poderem ser repetidas mais vezes.

E isso bate de frente com todo o fundamento fast-fashion que hoje vai além das redes tipo H&M e Zara, afetando do o ciclo da moda. Pensando sob esse ponto de vista, não é de se espantar a afirmação de Suzy Menkes que o fast-fashion tem seus dias contados. Afinal, não dá mais para ficar gastando $10 numa camiseta que a gente vai jogar fora depois da terceira lavagem, né?

A Ale Farah colocou um vídeo faz pouco tempo no FilmeFashion falando que ultimamente as redes de fast-fashion abaixaram ainda mais os preços, só que levando a qualidade lá para baixo também.

O tema é bem paradoxal mesmo. Em tempos difíceis é natural a gente querer gastar o mínimo possível, logo comprando roupas mais baratas. Mas as vezes o preço mais baixo nem sempre vale a pena. Tem que prestar muita atenção na qualidade das roupas, no acabamento nos tecidos de quais são feitas. Caso contrário, é bem capaz que a peça não dure muito mais de umas três lavagens - por mais cuidadoso que você seja.

Sinceramente, não acredito que o fast-fashion vá desaparecer. Ao meu ver foi o ponto máximo da democratização de moda que começou lá na década de 60 com a popularização do prêt-à-porter (graças ao mestre Saint Laurent e sua Rive Gauche). E apenas uma pequena parcela dos consumidores leva em conta toda essa questão de qualidade, durabilidade e também de produção mais ética - sem trabalho escravo, sabe? Porém, isso tudo promete mudar agora com toda essa turbulência na economia.

De qualquer forma, ainda é muito cedo para dizer com certeza o que vai acontecer, e avaliar tudo de forma mais clara. Como dizia na matéria do Style.com, a gente só vai ver os reais efeitos dessa crise na moda, na próxima temporada, lá para janeiro. Afinal, por mais que sinais já tenham aparecido nesta estação, as coleções começaram a ser produzidas meses antes de tudo isso explodir.

Tags: , ,

para não perder a elegânica no verão

Moda Masculina, verão 2009 1 Comment »

Homem sempre sofre no calor, né? É que a gente já tem menos opção para se vestir no dia-a-dia quando comparado ao vasto guarda-roupa feminio. E quando faz essa calor dos inferno que tem feito aqui em São Paulo, fica pior ainda. Mais difícil então, se você tem que se vestir para trabalhar.

Aquela história dos homens de terno, porém de shorts que começou a rolar em NY, parece muito moderna aqui para os homens brasileiros - infelizmente. E se não tem jeito de se livrar do convencional terno para hora de trabalhar, o jeito é prestar atenção nos materiais. Hoje já existem ternos de tecidos bem levinhos que, ainda que sejam bem formais, deixam o corpo respirar melhor. Hoje já existem uma imensa variedade de tecidos para todos os gostos e bolsos. Mas o truque é sempre fugir dos materiais sintéticos. Eles até podem ser mais baratos, mas não respiram tão bem e também acabam pegando cheiro mais fácil. Por isso, melhor sempre apostar naqueles de tecidos naturais.

The Sartorialist

E essa preferência pelos tecidos de fibras naturais não valem só para os ternos, tá? Vale para tudo, todos os looks. Outra coisa que vale a pena prestar atenção, agora já saindo um pouco dos ternos, é nas formas das roupas. Para o verão, é aconselhável peças mais soltas, nada muito ajustado ao corpo. Assim é mais fácil para ventilar, fica bem mais confortável e também ajuda a não marcar a roupa em caso de muito suor.

Outro truque para não deixar as marcas de suor aparecerem muito é prestar atenção nos tecidos e principalmente nas cores. Tem tecidos que absorvem mais água e demoram mais para secar. Enquanto algumas cores ficam mais escuras do que outras quando molhadas. Um exemplo clássico é o cinza, cor super criminosa em tempos muito quente, já que qualquer gotinha de água fica super aparente.

E já que estamos falando de verão e calor, vamos logo a dúvida mais frequente: bermuda para trabalhar, pode? A resposta depende muito do ambiente de trabalho. Se não houver nenhuma regra explícita, vale sempre a do bom senso.

Então dependendo do modelo de bermuda/shorts dá super para usar no trabalho. No Hypercool, blog do Sylvain Justum, tem um editorial ótimo mostrando vários modelos de bermuda (e looks completos) que funcionam super bem no trabalho e são bem confortáveis e frescos.

Looks Reserva, Ivan Aguilar e Redley verão 2009

Looks Reserva, Ivan Aguilar e Redley verão 2009 Fotos Chic/Charles Naseh

Para trabalhar o mais aconselhável são os modelos mais secos - as largonas, mais utilitárias parecem casual de mais para uma ocasião de trabalho -, de preferência em tons mais escuros que é mais fácil de passar uma imagem elegante. No geral, é mais seguro investir num look monocromático, dificilmente dão errado. Mas não há nada de errado com as estampas. Bem pelo contrário, misturá-las (principalmente xadrezes e listras) de forma mais livre, mas sempre com bom senso, é mais do que aconselhável. Não deixam de ser elegantes e ainda transmitem um imagem cool e com um pouco mais de informação de moda.

Na parte de cima, se o ambiente de trabalho é mais liberal, mas ainda exige uma certa “formalidade casual”, o mais indicado é combinar a bermuda com uma camisa, pode ser lisa ou estampada. Se der para usar com um blazer, desses mais contemporâneos, mais desestruturados, de proporções levemente reduzidas, melhor ainda. Mas se o calor for muito, só a camisa funciona super bem.

The Sartorialist

Ah, e camisa sempre de manga comprida, tá? Para ficar mais fresco, é só dobrar as mangas até acima do cotovelo. Camisas polos também são boas opções. Embora um pouco mais casuais, funcionam super bem.

Camisetas também podem ser usadas. Só é preciso ter cuidado para o look não ficar muito informal para o trabalho. O ideal nesse caso é sempre usar com um blazer desses mais descontraídos.

Nos pés, eu prefiro tênis, de preferência mais monocromáticos, ou de pegada retro. Assim dá para fugir do já super batido mocassim. Alguns sapatos também são indicados, é só prestar atenção para não ser um acessório muito mais formal que o resto do look. E sapatênis nem pensar, ok? h

Tags: , , , ,

o mundo inteiro se veste igual

verão 2009 4 Comments »

Outro dia estava numa reunião e ouvi um comentário que me deixou bastante incomodado. É aquele velho pensamento que a moda aqui no Brasil não passa de uma cópia e reprodução (re-interpretação) daquela mostrada meses antes nas semanas de moda de NY, Londres, Milão e Paris. Ok, a gente sabe que cópias existe, não preciso nem lembrar daquela matéria que saiu na Piauí em junho de 2007, né?

Mas enfim, enquanto fazia a cobertura dos desfiles internacionais (via fotos diga-se de passagem) para o site do SPFW, não tinha como perceber uma certa semelhança com algumas coisas que aparecem por aqui, tanto no Fashion Rio como no SPFW. São tendências ou vontades meio que globais que todo mundo meio que já previa, mas que acabamos vendo primeiro aqui do que lá.

Isso nem é muito surpresa já que com toda a globalização e a atuação do bureaus de tendências, de fato começar a surgir um estilo global. Ronaldo Fraga já tinha me dito uma vez durante uma entrevista, “hoje todo mundo se veste igual no mundo inteiro”.

Então, para quem gosta de seguir a risca as macro-tendências do planeta fashion, já pode começar a correr atrás de alguns temas que foram bem relevantes na temporada internacional para o verão 2009, com alguns produtos nacionais.

Metalizados - Vestido Reinaldo Lourenço (R$ 8.743,00) e Look Prada

Metalizados - Vestido Gloria Coelho (preço sob consulta) e Look Giambatista Valli

Metalizados - Vestido Gloria Coelho (preço sob consulta) e Look Giambatista Valli

Babados - Vestido Forum (R$1950,00) e look Giambatista Valli

Babados - Vestido Alexandre Herchcovich (R$2512,00) e Look Luella

Babados - Vestido Alexandre Herchcovich (R$2512,00) e Look Luella

Transparência - Vestido Alexandre Herchcovitch (R$ 1.190,00) e Look Marni

Transparência - Vestido Alexandre Herchcovitch (R$ 1.190,00) e Look Marni

Macacão - Macacão Huis Clos (R$1023,00) e Preen

Macacão - Macacão Huis Clos (R$1023,00) e Preen

Estruturados - Vestido André Lima (preço sob consulta) e Vestido Gimabatista Valli

Estruturados - Vestido André Lima (preço sob consulta) e Vestido Gimabatista Valli

Safári - Vestido 2nd Floor (preço sob consulta) e Look Gucci

Safári - Vestido 2nd Floor (preço sob consulta) e Look Gucci

Futurismo - Look Carlota Joakina (preço sob consulta) e vestido Hussein Chalayan

Futurismo - Vestido Pedro Lourenço (preço sob consulta) e Vestido Gareth Pugh

Futurismo - Vestido Pedro Lourenço (preço sob consulta) e Vestido Gareth Pugh

Ombros estruturados - Vestido Pedro Lourenço (preço sob consutla) e jaqueta Louis Vuitton

Ombros estruturados - Vestido Pedro Lourenço (preço sob consutla) e jaqueta Louis Vuitton

Franjas - Vestido Neon (preço sob consulta) e vestido Jil Sander

Franjas - Vestido Neon (R$5000,00) e vestido Jil Sander

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

meus top 5, quer dizer, 6

Dries Van Noten, Hussein Chalayan, Jil Sander, Lanvin, Marc Jacobs, verão 2009 1 Comment »

Estava aqui pensando sobre todos os desfiles da temporada, tentando listar na minha cabeça meus preferidos. Na verdade nem ia publicar isso aqui porque não vejo muito utilidade nessas listas, depende muito do ponto de vista de cada um, do critério para selecionar as coleções e tal… E também porque dá uma preguicinha rever os mais de 100 desfiles da temporada, né?

Mas vamos lá. Fiquei bem em dúvida sobre o primeiro lugar. Estava entre a Jil Sander e a Dries Van Noten. As duas apresentaram coleções super criativas, autênticas e ambas conseguiram injetar uma certa “novidade”, ou pelo menos uma sensação de novidade, numa temporada onde os estilistas ficaram muito presos naquilo que sabiam dar certo, caindo muitas vezes no óbvio, previsível ou até no tédio e monotonia.

Mas no fim acabei ficando com Dries Van Noten. O estilista belga foi um dos poucos - senão o único - que conseguiu agradar tanto compradores quanto a imprensa. Suas roupas simples e descomplicadas caem perfeitamente para essa nossa necessidade de realidade na moda. E ainda sim conseguiu trazer uma certa novidade, ao substituir suas clássicas estampas e texturas étnico-orgânicas, por formas mais geométricas e gráficas de um jeito bem sutil e harmonioso, de modo que as linhas retas até pareciam não ser tão estritas e sérias assim.

Depois vem a Jil Sander por Raf Simons, que meio que dispensa comentários. Afinal já falei tudo aqui e segue os mesmos fundamentos de Dries Van Noten: roupas simples, com uma abordagem direta, individual e com muito informação de moda.

Aí então acho que vem a Lanvin, que foi capaz de despertar desejos de moda, a meu ver, bem fortes mesmo numa época onde poucas pessoas vão estar dispostas a comprar. Sem contar no trabalho incrível de Alber Elbaz na construção das roupas, né? E no modo como ele consegue injetar informação de moda de um jeito simples e super real.

A coleção de Marc Jacobs também entra para essa lista. Uma das suas melhores ever, apresenta uma imagem super forte e cheia de significados com todas aquelas sobreposições, mix de referências, que apesar da boa imagem de moda - que funciona perfeitamente tanto na passarela como em editoriais -, também é super acessível a mulher real quando o look é desmontado peça a peça.

Tem também o desfile incrível de Hussein Chalayan, que não podia faltar nessa lista. Nem tanto pelas roupas, apesar dessas estarem mais comerciais do que nunca, fáceis de chegar num consumidor final e super bem trabalhadas. Mas o que mais me chamou atenção - sem apagar as roupas, o que é ótimo - é a visão do estilista. Sua visão sobre a velocidade do nosso mundo hoje, num protesto nada pesado, é quase como que Chalayan estivesse antecipando o desastre econômico que estamos vivendo.

Tags: , , , , ,

Verão 2009 - moda com realidade

Balenciaga, Jil Sander, Lanvin, Prada, verão 2009 11 Comments »

Não sei quanto aos outros profissionais da área, mas é um tanto quanto estranho ficar falando de moda enquanto o mundo está vindo abaixo com uma das piores crises financeiras ever - tipo a Islândia, o país todo, pode quebrar se não conseguir um empréstimo! É difícil não se sentir a pessoa mais fútil do mundo falando de moda e situações como essa.

São em momentos como esses, ou quando ocorreu os atentados de 11 de setembro no meio da Semana de NY ou nos ataques do PCC aqui bem durante o SPFW, que a moda (e os eventos de moda) faz alguns questionamentos morais (um tanto quanto raros) à seu respeito.

Justamente por isso, muito mais do que as cores neutras, as formas sóbrias e austeras, é que, mais do que nunca, a moda para o verão 2009 vêm com uma imensa necessidade de realidade. Realidade de chegar ao consumidor final, de despertar desejo não só pela estética, mas também por conter alguma praticidade e funcionalidade.

Por isso que a Jil Sander empolgou tanto, enquanto a Prada desanimou. Porque as roupas apresentadas por Miuccia eram até que bem forte enquanto imagens de moda. Mas é difícil imaginar elas fora das passarelas ou de editoriais de moda. É difícil encontrar ali essa realidade que nosso tempo pede.

Já Raf Simons, para Jil Sander, consegue o mesmo poder de imagem com roupas extremamente práticas e funcionais para nossas necessidades contemporâneas. A escolha dos tecidos, sempre muito leves mesmo quando aparentam uma certa rigidez, o corte simples, porém preciso e atual, conseguem imprimir criatividade e até um certo frescor de forma simples, individual e direta. Daí vem essa realidade, as roupas tem forte apelo de vida real. Não precisam de muito esforço para chegar à um consumidor final, e nem por isso não conseguem espaço em editoriais de moda.

O mesmo pode-se dizer sobre as roupas de Alber Elbaz para Lanvin. Sim, são lindas e principalmente por isso despertam desejo. Mas boa parte desta beleza está no simples e autêntico trabalho de Elbaz, onde volumes aparecem de forma suave por simples dobras ou pregas de tecidos. Seus trabalhos não se sustentam pelo hype, ou por intelectualidades e extravagâncias fashion. E sim por essa simplicidade que dá realidade e deixam mulheres dispostas a desembolsar consideráveis quantias de dinheiro por uma simples peça da marca.

Por aí dá para entender também porque o verão 2009 da Balenciaga também não deve entrar para a listas dos top 5. Quer dizer, talvez até entre pelo incrível trabalho de pesquisa têxtil, com tecidos que refletem luz mudando de cor. Não há como negar o ótimo trabalho de Nicolas Ghesquière nesse sentido. Mas vocês imaginam a as roupas da Balenciaga fora daquele contexto? E mais ainda, já tentaram imaginar elas separadas do look do desfile, em um look de vida real?

Então, vale mais uma roupa com apelo para a vida real, para nosso cotidiano, do que apenas uma imagem forte que fica bem apenas nas passarelas e editoriais, ou então aquela coisa ultra luxuosa e elegante que se sai da passarela vai direto para um tapete vermelho e nada além. Para vender hoje - e é isso a maior preocupação dos diretores executivos das principais marcas do planeta fashion - é preciso tirar as roupas do pedestal. É preciso mostrar uma moda pé no chão - o que não significa perder a elegância e sofisticação, afinal ainda criar desejo ainda é fundamental. Mas mais do que isso, é preciso uma moda real que esteja de acordo com nossa vida e nosso tempo.

Fotos por Marcio Madeira

Tags: , , , ,

Paris Fashion Week - Le Grand Finale

Lanvin, Louis Vuitton, Paris, Paris Fashion Week, verão 2009 3 Comments »

Nesses últimos desfiles de Paris as referências étnicas, principalmente vindas da África, parecem ter tomados moldes perfeitamente parisienses, de modo que resta apenas um perfume de inspiração tribal. Foi assim na Hermès, e mais ainda na Louis Vuitton. E frente à uma das mais graves crises econômicas desde a quebra da bolsa de NY em 1929, vender parece ser a principal e mais difícil tarefa para as principais marcas do planeta fashion. Ora, para isso acontecer é necessário haver desejo. Muito desejo.

E foi justamente isso que Marc Jacobs apresentou em sua coleção para o verão 2009. Começando que fazia tempo que não víamos uma coleção da Vuitton que agradasse tanto a jovens fashionistas dispostas a mostrar suas pernas magras com micro saias de plumas, até consumidoras mais adultas desesperadas para as reinterpretações de blazers com ombros estruturados e cintura marcada por cintos obis. Isso sem contar nas pantalonas de poás, camisas mais soltas, blusas transparentes, vestidos mais soltinhos drapeados ou mais rígidos com ombros estruturados, nas incríveis sandálias decoradas com penas e saltos de madeira e nas bolsas, nos mais variados tamanhos, misturando animalprints com os clássicos logos da marca - peças que vão deixar qualquer consumidora, de qualquer faixa etária, cheias de desejos e dispostas a pagar por alguma delas.

Despertar desejo ou ater-se aquilo que é certo fazer sucesso e vender bem - muitas vezes aquilo que define a identidade e estilo de uma grife. Foi pensando nisso que Alber Elbaz apresentou sua coleção para a Lanvin, uma das melhores desta, um tanto quanto confusa, semana da Paris.

Num primeiro momento Elbaz parece reforçar aquilo que marcou sua presença na grife. As construções puras, com volumes perfeitamente calculados como nos vestidos com uma única manga volumosa, formas arredondadas, drapeados milimetricamente pensados. Ou então nas calças que vão ficando levemente mais justas para equilibrarem numa proporção perfeita com a blusa de ombros arredondados e mangas mais amplas. Tudo com sapatos em tons crus ou então decorados com cristais, para não desviar atenção das roupas impecavelmente trabalhadas e camadas, em tons suaves cause neutros.

De repente Elbaz começa a dar mais vida a suas roupas que até então, apesar de todo trabalho, era apenas mais do mesmo. Primeiro vêm as cores mais fortes, depois as estampas de onça, seguidas por acessórios cada vez mais decorados por cristais, que também começam a aparecer nas roupas junto com aplicações de flores em looks mais românticos, até terminar com looks totalmente brilhantes com saias e tops com mini franjas de lurex. Afinal, mesmo em tempos difíceis as mulheres da Lanvin não podem ficarm sem desejo e sem sonhos.

Tags: , , , ,

Paris Fashion Week - Miu Miu

Miu Miu, Paris, Paris Fashion Week, verão 2009 No Comments »

Miuccia Prada, para Miu Miu, também aproveitou essa onda do primitivismo da temporada para seu verão 2009, propondo um estudo bem subjetivo ao passado da humanidade na Europa. Daí vem os tecidos com aspecto detonada, as saias plissadas com pequenos rasgos, sob espécies de pequenos aventais em tecidos mais rígidos. Os plissados, aliás, parecem ter sido o volume da vez. Miuccia os aplicou em quase todos os look, desde saias, onde aparecem em quase toda a peça, assim como em algumas blusas e camisas, ou apenas na parte frontal ou leteral de vestidos em tons neutros, com destaque para o bege.

Pequenos rasgos ou desgastes nas peças davam a aparência de antigo ou envelhecido, junto com estampas que eram como se tivessem passado uma faixa de spray de tinta sobre as peças - estampa que também aparece nos sapatos. Já os desenhos com referências mais romanas, ficam numa tradução mais literal, e de certo modo, até meio lúdico sobre a questão histórica que Miuccia se propõe na coleção.

Como sempre na Miu Miu, Miuccia parece dar mais atenção a suas vontade próprias, com menos preocupações de mercado, e também com temas e designs menos complicados do que da Prada. Todavia não podemos esquecer que ainda é de Miuccia Prada que estamos falando, e mesmo quando sua coleção é uma brincadeira subjetiva, ainda contém grande potencial de influência fashion.

>> Resenha e fotos do desfile de John Galliano aqui.

Tags: , , ,

Paris Fashion Week - western chique da Hermès e a menina adulta da Chloé

Chloe, Hermès, Paris, Paris Fashion Week, verão 2009 1 Comment »

O étnico está em alta em Paris. Mas ele nunca pareceu tão francês como na Hermès. Afinal, se tem uma coisa que Jean Paul Gaultier, atual diretor criativo da marca, conhece muito bem é o que as francesas gostam de vestir. O tema era faroeste, deixa perfeita para abusar de outra forte tendência da estação: as franjas. Mas muito mais do que modismos temporais, esta última coleção da Hermès nunca esteve em tão boa sintonia com o universo da marca.

Pela primeira vez Gaultier não deixou seu lado mais subversivo e excêntrico influenciar seu trabalho, e o resultado foi da mais pura sofisticação e elegância. Agora a mulher Hermès aprece na passarela fumando charutos, com chapéus da cowboy, pantalonas de couro, camisa masculina mais solta e blazer de croco. Tudo em tons de bege, marrom, cru e arais, pontuados por azuis e preto, num bloco mais sofisticado do desfile. Peças em couro e camurça nunca estiveram mais chiques, desde looks mais ajustados ao corpo, como mais soltos com barras decoradas com franjas. Sem faixa de idade definida, Gaultier traz tudo aquilo que tem de mais essencial na tradicional casa parisiense que ficou conhecida pelos acessórios eqüestres em couro.

Por falar em acessórios estes vem em perfeita sintonia com o grau de sofisticação das roupas, arrematando os looks com tudo que há de mais elegante. Desde bolsas maiores com longas franjas, à bolsas-carteiras de croco, malas/baús de viagem com estilo colonial, cintos de couros nos mais variados estilos até luvas com dedos de fora.

Desde que Phoebe Philo deixou a Cholé, há umas três temporadas atrás, a marca vem enfrentando sérias dificuldades em reafirmar sua nova identidade e fazer uma conexão mais firme com o público acostumado com aquele look menininha sexy que Philo firmou na marca. Eis então que Hannah MacGibbon, em sua primeira coleção para a grife, se vê na nada fácil tarefa de apresentar uma nova versão desse look e causar desejo nas consumidoras que antes fariam de tudo para um vestido Chloé, não importa quão caro fosse.

Some-se à tudo isso que essa estética menininha na moda não é de hoje que está sendo substituída por algo mais adulto, o que dificulta ainda mais o trabalho da MacGibbon. Afinal é de se esperar que uma marca/estilista esteja em sintonia com a moda do seu tempo. É justamente por isso que a estilista se sai melhor nos vestidos com recortes descomplicados, mas que ainda sim imprimem uma certa sensualidade. Os babados não muito exagerados, falam de uma certa feminilidade, mas ainda adulta. O que já não acontece nas camisas de ombros e mangas bem arredondadas, nos shorts com cintura meio clochard e babadinhos nas barras e laterais, e principalmente nas calças clochards metalizadas, super volumosas.

De todo modo ainda é muito cedo para poder julgar o trabalho de MacGibbon, dizer se elas está realmente apta, após cinco anos de assistência à Phoebe Philo, para assumir e reposicionar a Chloé no mercado. Ainda mais agora com um cenário econômico nada animador, que também vai exigir muito trabalho por parte dos executivos da marca.

Tags: , , , ,

Paris Fashion Week - Alexander McQueen

Alexander McQueen, Paris, Paris Fashion Week, verão 2009 No Comments »

De certo modo o tema esteve bem presente nas coleções para o verão 2009. Geralmente em inspirações mais étnicas, como África e Egito. Porém, para Alexander McQueen não foi preciso nenhum outro desdobramento sobre o tema. Natureza, pura e simples, em suas cores e texturas foi o que serviu como fonte de inspiração para o estilista, que a partir daí tomou um cunho mais ambientalista falando da espécies ameaçadas e também relembrando os conceitos de evolução natural da Charles Darwin.

O cenário já dizia bastante, uma projeção do globo em rotação, que as vezes morfava para um grande olho, sob réplicas de animais em extinção, como tigres, elefantes, girafas e urso polares. Agora bem menos agressivo em suas abordagens sobre os temas, McQueen se foca nos detalhes, ressaltando ainda mais suas habilidades dignas de alta-costura. Um lado muito mais romântico e delicado (detalhista) que no fundo é um dos pontos mais altos em seus trabalhos aqui.

Para o verão 2009, além de construções mais estruturadas se foca nas estampas, em referências as madeiras das árvores ou às peles dos animas, ou as vezes num hibrido entre os dois. Estampas de ossos, de um jeito nada literal, já vêm pendendo mais para o lado subversivo do estilista, assim como os looks bem estruturados em preto, com estampas suaves em tons de cinza, mostrando seios e outras curvas do corpo humano.

Darwin também serve como deixa para McQueen trabalhar suas influências eduardianas que sempre estiveram bem presentes em suas coleção. Aí dá um verdadeiro show de acabamento e de habilidades de alta-costura. Nos looks mais romântico, com volumes um pouco maiores, mais cheios de delicadeza e suavidade. Vestidos com estampas florais delicadas, vem aqui com cintura bem marcada por espécies de corsets de couros.

Tags: , , ,

Original WP Theme by N.Design Studio, darkened and improved by richl.com. oknaplus
Entries RSS Comments RSS Log in