Casa de Criadores - segundo dia

. DESFILES ., CASA DE CRIADORES, João Pimenta, Rober Dognani, Weider Silveiro, inverno 2008 2 Comments »

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Já no line-up oficial do evento, Weider Silveiro vai para África buscar inspirações para seu inverno 2008. É de lá que vem os volumes nas golas, ombros e cavas lembrando acessórios típicos das tribos africanas, assim como o constante uso de cordas, colares e os acessórios em madeira. Outra ponto marcante no desfile é a alfaiataria, quase sempre em lã, as vezes espinha de peixe (aquela com trama que lembra uma espinha de peixe mesmo, com vários triângulozinhos).

A alfaiataria quase sempre mais rígida e estruturada faz um bom contraponto as boas blusas de jérsei, com destaques para os drapeados e os volumes nas golas. O vestidos curtos, também em jérsei acabam não agradando muito e parecendo até um pouco desconexo com todo o resto da coleção. Já a aplicação de volumes e cordas em certas roupas acabaram por desconfigurar a silhueta feminina e acentuar falta de acabamento.

Em seguida surgiu uma vontade ser Galliano no desfile da Rober Dognani. Explico: tudo começou com o cabelo e maquiagem, bem parecido aos que Galliano vem usando em seus próprio desfiles, assim como nos da Dior. Uma coisa meio Belle Epoque, sobrancelhas super delineadas, cabelos meio desarrumados. Depois os grandes laços, os volumes bubbles nas saias e os vestidos de um ombro só fazem forte referência a Dior.

Mas ainda assim, o estilo de Rober fala mais alto. O estilista continua focado e roupas de festas com um quê punk-chic. O exercício com volumes (outra constante no trabalho de Rober) também tem continuidade no inverno 2008, principalmente devido ao fato da inspiração para esta coleção ser técnicas de moulage. É daí que vem aquela sensação de coberto enrolado no corpo, criando volumes assimétricos, muitas vezes exagerados ao extremo, e os repuxados.

No fim, Rober se sai melhor quando encontra equilíbrio, sem exagerar nos volumes e sem reduzir de mais a silhueta – se os looks ultra justos já marcavam o corpo da modelo imagina o que não vai marcar numa pessoa de vida real. E são justamente essas peças e looks menos exagerados – tanto para mais quanto para menos – que devem continuar fazendo sucessor entre suas consumidoras.

Mas coube a João Pimenta (de novo) o cargo de fechar o dia – bem fraco, convenhamos – com chave de ouro. Os desfiles de João sempre contam com uma energia muito forte, com música marcante e alta, mas que não deixam você desgrudar os olhos dos modelos desfilados. Desta vez a inspiração veio de civilizações antigas dos EUA, dos índios norte americanos Navarros e dos neozelandeses Maoris.

É impressionante como João consegue variar o tema e ainda sim manter elementos típicos e recorrentes de seu trabalho, sem parecer repetitivo, sem déjà vu fashion. Estava tudo lá, as influências punks, a androgenia, a sobreposição de camadas, referências étnicas, as desconstruções e a alfaiataria re-editada.

O desfile começa com bloco de marrons, com várias sobreposições de peças, o que acaba dando bastante volume aos looks, ai vão passando para os marinhos, pretos e jeans já em silhueta mais próxima ao corpo. A coleção continua rica em detalhes com bordados, patches, brocados, aplicações de taxas. Mas o que mais se destaca é o ótimo trabalho com teares e bordados africanos.

Demorou mas chegou. Já está no ar o post Dus Infernus, de Vitor Angelo, falando sobre a imagem que cada marca está construindo sobre sua própria imagem. Tem que ler!

As meninas do Oficina de Estilo também já postaram o texto delas, falando de todos os desejos de vida real do segundo dia de Casa do Criadores. Vale a pena ler.

Oliveros, do Fora de Moda, já adianta uma reflexão sobre a Casa de Criadores, mas que na verdade vale para todos as Semanas de Moda do Brasil. Mas o melhor mesmo está no texto sobre João Pimenta, onde Oliveros explica as referências da coleção, e porque João Pimenta faz um verdadeiro streetwear. Tem também um puxão de orelha em todos nós que falamos tanto na busca de mais infromação e cultura de moda para o Brasil, mas que não conseguimos nos desligar de valores extramente internacionai. TEM QUE LER!!!

E pra terminar mais um post Dus Infernus excelente. O Inferno são os outros! 

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