Será que o medo de se arriscar em tempos de crise acabou afetando Stefano Pilati na Yves Saint Laurent? De certo, ele se arriscou, passando aquela questão da alfaiataria gótica-futurista-geométrica para trás e investindo em formas mais soltas e orgânicas. Formas estas que vinham de varies referências orientais, mixadas com elementos puramente ocidentais. O tema não tinha como ser mais YSL. Só faltou mesmo aquela força de suas duas últimas coleções.
Nada de muito errado nas roupas, bem pelo contrário. Pilati consegue trabalhar bem, sem cair em clichês, o tema oriental. Logo nos primeiros looks, as jaquetas de jacquard com mangas amplas e formas mais soltas, vinham bem boa referência ao quimono. Formas mais circulares e soltas (as vezes amarradas) ao longo de todo o desfile evocam essa influência oriental. A alfaiataria continua em posição de destaque, assim como as calças, agora em crepe, mais largas com cavalo mais baixo, levemente ajustadas na cintura, que Pilati executa com perfeição – as versões de coleções passadas parecem ser verdadeiros hits lá fora.
E apesar das transparências, trabalhadas em sobreposições revelando peças mais íntimas, como sutiãs da mesma cor, o desfile pareceu carecer um pouco de sensualidade. Apenas alguns looks traziam aquela imagem forte e sensual, mas ainda muito elegante e sofisticada, que representa a ousadia de Saint Laurent si. Aliás, esse sentimento parece permear a coleção por completa. De fato falta aquele algo mais. Mesmo com roupas desejáveis, execução impecável, e tecidos da mais alta qualidade, falta aquela ousadia saudável e inteligente que fez do fundador da marca, um dos mais importantes estilistas da história.
Tags: Paris, Paris Fashion Week, verão 2009, YSL




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