para mudar o olhar

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Há alguns anos deu-se início a uma série de discussões sobre o que seria a identidade brasileira na moda e no design. Como transpor características marcantes de nossa cultura para nossa roupa, sem deixá-la com cara de fantasia de carnaval ou de folclore, sem caricatices e clichês. Uma roupa que falasse nossa língua, se motrando adaptada ao nosso cotidiano e nosso tempo.

 

Não foram poucos os estilistas que descobriram fórmulas mágicas em elementos puramente brasileiros. Provavelmente o mais conhecido e bem sucedido seja a Osklen, que tirou do estilo de vida carioca e da vibe naturalista, que começava a ganhar força, os fundamentos de suas coleções. Resultado: aliado a uma modelagem feita para o brasileiro, sucesso garantido e vendas no exterior.

 

Mas temos que admitir que a Osklen não faz uma moda muito regionalista, apesar de estar cheia de brasilidade. Principalmente quando olhamos o trabalho de Ronaldo Fraga, ou da última coleção da Maria Bonita - que, por sinal, estabeleceu novos parâmetros para toda discussão sobre identidade brasileira.

 

Danielle Jensen (Maria Bonita) apresentou um verão cheio de referências tipicamente brasileiras, trouxe o minimalismo do universo das ribeirinhas, e com matérias tipicamente regionalistas (como redes de pesca) apresentou uma moda nacional aliada à vontade internacional.

 

União que poucos conseguem fazer. O maior problema não está na roupa em si, mas no olho do consumidor. Segundo o estilista Ronaldo Fraga: “Temos uma olhar muito provinciano sobre esta questão (a moda regionalista, no caso)”. Para ele, “vivemos admirando e adorando os estilistas belgas e japoneses, achando seus trabalhos incríveis, quando, na verdade, são extremamente regionalistas”, completa.

 

 

O que acontece no caso dos belgas e dos japoneses é que, assim como Ronaldo e Danielle Jensen, na Maria Bonita, eles conseguem aliar o regional às vontade internacionais, sem descaracterização marcante ou clichês.

 

“O estrangeiro valoriza muito mais nossa própria cultura, do que nós mesmos”, afirma Ronaldo. “Achamos que é coisa de pobre, varremos para debaixo do tapete”.

 

Não é de se espantar que a moda regionalista venda muito mais no exterior do que no próprio Brasil. Tem até quem argumente que uma moda regionalista não faz mais sentido quando o mundo inteiro caminha para a globalização, para a formação de uma “aldeia global”. Mas, como bem disse Danielle Jensen, “olhar para coisas ao seu redor, próximos de você, é olhar para o mundo também”.

 

Mas não pára por ai, conforme Ronaldo Fraga disse, “hoje as pessoas se vestem igual no mundo todo. O que traz a verdade local é o que vai ganhar valor daqui presente”.

 

“Deveria existir um compromisso civil do designer brasileiro tentar entender aquilo que temos mais bem resolvido, que é a cultura brasileira”, finaliza.

 

Matéria publicada originalmente no site do SPFW

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moda rápida, fácil e barata

C&A, H&M, Renner, Zara, fast-fashion 2 Comments »

 

Você com certeza já ouviu falar nas redes de fast-fashion: Zara, H&M, TopShop, C&A, Renner, Marisa, só para citar algumas. Aquelas lojas onde as coleções são renovadas a cada 15 dias e as vezes até semanalmente, oferecendo todos os hits e peças-chave de cada coleção.

 

O nome é auto-explicativo (’fast’, em inglês, significa ‘rápido’), não só pela rapidez com que os (novos) produtos vão chegando as lojas, mas também pela velocidade com que eles absorvem e digerem as principais tendências de cada temporada. Para isso contam com um intenso trabalho de pesquisa. Segundo o gerente geral de compras da Renner, Haroldo Rodrigues, “as referências sobre as tendências de moda são extraídas de pesquisas realizadas por profissionais do departamento de estilo, responsáveis pela criação e desenvolvimento dos produtos de marca própria da rede, que além de rastrearem as novidades pelo mundo, contam ainda com resultados de pesquisas realizadas por consultores”. Sem contar na pesquisa e utilização de serviços de empresas especializadas em tendências, como a rede global WGSN, parceira do SPFW.

 

 

Adicione a isso as novelas brasileiras. Isso mesmo, as novelas, principalmente as da Globo, constituem o maior desfile de moda para o povo. Então nada mais natural do que ficar de olho nelas para saber que peças vão ter grande aceitação com o público. Basta lembrar dos vestidões da personagem da Claudia Abreu em Belíssima; ou do visual ultra sexy de Alinne Moraes na pele da malvada Sylvia em Duas Caras.

 

Através das lojas de fast-fashion, ficou fácil e barato atualizar o look. Assim que a temperatura começa a mudar, as araras já ficam repletas de peças da nova estação, totalmente atualizadas com as principais tendências.

 

 

Mas, como reza o ditado, a pressa é inimiga da perfeição. Como tudo é produzido em velocidade máxima, as roupas acabam pecando pela qualidade questionável e, em alguns casos mais críticos, pelo mal acabamento. Esse fator aliado ao hábito de “copiar” as grandes marcas mundiais contribuiu para prejudicar a imagem das redes de fast-fashion no Brasil e lá fora, mas essa repulsa já passou: principalmente porque as lojas de departamento, com seus setores poderosos de marketing e pesquisa de mercado, passaram a firmar parcerias com estilistas consagrados numa tentativa de restaurar a sua imagem. A primeira grande jogada nesse sentido foi entre Karl Lagerfeld, da Chanel, e a rede H&M. Depois dele, vieram Stella McCartney, Viktor&Rolf e até mesmo Rei Kawakubo, da Comme des Garçons. Bingo: a estratégia funcionou, e ajudou a minimizar a impressão negativa que as pessoas tinham das grandes redes.

 

Tanto que, recentemente, lojas que atuam no Brasil, como C&A e Renner, contrataram os serviços e produtos de estilistas e grifes como Marcelo Sommer e Alexandre Herchcovitch. Apesar de os negócios do fast-fashion estarem indo de vento em popa, já existem alguns especialistas que apostam num futuro não muito promissor. O problema maior, segundo eles, é que a atual tendência de consumo cada vez mais se preocupa com a rastreabilidade e auto-sustentabilidade dos produtos oferecidos. No caso de uma rede que atualiza as suas coleções a cada semana, fica um pouco complicado (e muito caro) agir de maneira ambientalmente correta. A renovação de uma coleção envolve, entre outras coisas, logística de transporte e armazenagem, lavagem química de tecidos, etc.

 

 

Mesmo assim, esse futuro está longe de acontecer. Grandes mudanças levam tempo, e ainda há chances de que os departamentos de inteligência dessas redes encontrem uma solução para lidar com um novo tipo de consumidor que cada vez mais domina o mercado. Enquanto isso, fica a critério de cada um, seja por motivos financeiros ou conceituais, decidir entre uma compra numa grande rede ou numa loja mais exclusiva. Os prós e os contras já estão explicados aqui!

 

E você, o que prefere?

 

Texto publicado originalmente no site do SPFW

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