Posts Tagged ‘Alexandre Herchcovitch’

Eu e minha obsessão (ou quase) por camisas de flanela

Tuesday, May 5th, 2009

Já faz um tempo que eu ando meio obcecado por camisas de flanelas. Acho que já está até ficando chato de falar isso aqui, de tanto que estou repetindo. Mas enfim, parece que fui picado um tanto quanto tardiamente pelo mosquito do grunge/anos 90. Daí que eu não parava de pensar em lugares onde poderia encontrar uma boa camisa desse estilo, com aquela xadrez típico dos lenhadores canadenses ou do norte dos Estados Unidos.

Brechós seriam a primeira – e mais garantida – opção, mas por algum motivo bizarro ou força maior, sempre encontro alguma dificuldade com roupas de brechós. Ainda mais com camisas. Não por preconceito nem nada do tipo, mas é que simplesmente sempre parece haver alguma coisa de errado com elas. Não me caem bem, tem algum probleminha de proporção, a modelagem não funciona para mim… Enfim, brechó não iria funcionar.

Daí, no domingo passado (03/05) fui lá no Shopping Cidade Jardim para conhecer a loja nova da Ellus, a Ellus And Guests, e qual não foi minha surpresa quando me deparo com um monte de camisas super noventinha, no melhor estilo grunge? Na hora até me senti meio burro, afinal a coleção da marca veio repleta de referências a essa década e estilo, e eu nem me liguei.

Daí fiquei meio que passando todas as coleções na cabeça e me dei conta que boa parte delas deviam ter uma camisa desse tipo, ou pelo menos alguma versão dela. O masculino do Alexandre Herchcovitch, 2nd Floor, V.ROM e de repente até na Osklen que mostrou uma coleção super grunge.

flanela

Mas voltando a Ellus And Guest. Lá tinha desde versões em algodão mesmo, mais fininho, mas com aquela típica estampa xadrez, como as originais de flanela – que são as mais legais. A única diferença – tirando o preço que achei bem carinho para uma camisa de flanela (R$284,00) era que essas tinha uma modelagem um pouco menos oversized. Com corte mais certinho e comprimento quase que padrão. Mas até aí, se a idéia é usar mesmo num estilo mais grunge, é só compra um ou dois números maior e arrasar com seu camisåo xadrez.

O mais legal é combinar ele com uma camiseta ou regata um pouco mais sequinha, de preferência lisa. Aquelas camisetas com aspecto podrinho, de envelhecido, com malha bem fininha, super funcionam. Estampas até que rolam, mas requerem um pouco mais de habilidade na hora de coordenar para não sair numa explosão de cores, né?

Se a camisa for mais largona na parte de baixo é legal compensar com alguma peça um pouco mais seca. Não precisa ser skinny – se bem que uma legging com um bom sapato pesado, ou até uma meia calça opaca com uma sandália plataforma bem pesada iria ficar incrível -, mas apenas mais seca. As boyfriend pants, também funcionam, mas se for jeans e muito detonada, fica quase uma fantasia grunge, sabe? Talvez seja só implicância minha, sei lá… Mas se for para usar com uma calça mais larga, eu prefiro usar com uma camisa um pouco mais ajustada ao corpo, ou não tão oversized.

Também é legal de usar sobrepondo um vestido, ou então, se o dia estiver mais quente, substituir a calça por um shortinhos jeans mais soltinho, por curto. Enfim, o bom da camisa de flanela é bem isso. É uma peça super versátil que dá para usar de várias formas, adaptando-a a cada situação. Agora é só achar um modelo ideal.

As pedras de Alexandre Herchcovitch

Thursday, April 2nd, 2009

inverno2009

Semana passada, ou melhor na sexta passada (27/03) aconteceu o lançamento da coleção inverno 2009 do Alexandre Herchcovitch, com um eventinho super legal com as meninas da Oficina de Estilo (faltou a Cris, que estava cuidando da Estelinha que nasceu não faz muito tempo). Mas o que eu quero falar aqui, é que pude ver de perto aquela bolsa-carteira meio de pedra que parece na campanha incrível da marca.

19v002_2No desfile, assim como na foto da campanha achei que a peça era simplesmente estampada de um jeito que reproduzia a textura de uma pedra cinza, meio um paralelepípedo ou tijolo de concreto. Mas não, é mesmo uma réplica de uma pedra – com textura e cor super fiel – adaptada para uma carteira.

O processo de desenvolvimento das peças durou menos que 60 dia. “Queríamos um acessório que exemplificasse o tema”, conta Herchcovitch. E a partir daí o estilista e sua equipe fizeram um “casting” de pedras pela acidade até encontrar os dois modelos que acabaram sendo reproduzidos na técnica de papier-machê.

19v087_1E no fim essas carteiras, além de serem incríveis, acabam fazendo perfeito sentido com o tema que fala do caos urbano, do crescimento desorganizado e sem planejamento, meio como que uma materialização de todo esse conceito. E justamente por isso, como o próprio Alexandre Herchcovitch conta “este acessório é o mais importante da coleção”.

Várias coisas…

Wednesday, March 25th, 2009

Estou com o maior peso na consciência de não estar postando direito aqui. Mas é que as coisas estão tão corridas esses dias que está difícil mesmo. Mal dá tempo para fazer a leitura diária dos feeds e jornais, quando muito em parar para escrever alguma coisa mais interessante.

Enfim, para não deixar o blog largado até coloquei um boxzinho do twitter para poder ir postando coisinhas pequenas, notinhas rápidas e links legais que aparecem durante o dia. E como hoje vai ser mais um dia daqueles, com mil reuniões e coisas para fazer ai vai um post em tópicos com algumas coisas interessantes que eu vi ou andei pensando:

>> Lá no SCMC todo mundo ficou falando da vinheta de abertura do desfiles. E o videozinho é bem legal mesmo. Foi o pessoal lá da Catarina (editora, assessoria de imprensa e coletivo criativo) que fez, com a diretora Bia Chiaradia. No fim tanto se falou na tal vinheta que colocaram no youtube, olha aí:

>> Ainda sobre o SCMC fiquei meio impressionado com a quantidade de escolas de moda que tem em Santa Catarina. Ainda vou pesquisar quantos alunos saem formados por ano lá e no Brasil todo, mas agora não está dando muito tempo. Mas enfim, dá para imaginar que o número não é nada pequeno. E daí a eu fico me perguntando se tem lugar para tanta gente no mercado.

No fundo eu acho que até tem, o problema (além da questão de que se esses alunos recém formados estão ou são realmente aptos para ingressar no mercado) é que a grande maioria não enxerga outras possibilidades na moda além da função de estilista ou quando muito modelista. Parece meio que uma visão super glamourizada da profissão e até mesmo meio luxuosa, utópica.

É sério, pergunta quantos desses estudante querem ser o próximo Alexandre Herchcovitch? Parece que não há uma visão maior das outras carreiras na moda. Sem contar que ninguém parece estar muito interessado ou atento a moda menos “luxuosa” e mais barata. Ninguém quer por exemplo ser estilista da C&A ou da Renner. E isso é meio que um dos motivos da moda estar tão em crise com a atual situação econômica. Afinal, até agora ninguém conseguiu fazer uma roupa de boa qualidade com um preço acessível – mas acessível mesmo. Deu para entender?

>> Passei o dia todo hoje atualizando a seção de desfiles do site de SPFW e fiquei meio chocado com a quantidade de gente falando que estilista X fez uma moda super real – eu mesmo cheguei a falar isso sobre a Lanvin e YSL. No fundo eu meio que entendo o porque disso. De certo modo são roupas bem de acordo como nosso tempo, com as necessidades de uma dita mulher contemporânea. Só que falar que isso é uma roupa real, começou a me parecer um pouco furado, sabe?

É que não dá para falar que aquele vestido de lã e um ombro só que abriu o desfile da Lanvin, seria uma roupa real, sendo que ele custa cerca de US$ 2.300,00. Gente, esse vestido está de acordo com a realidade de quem pode pagar isso, né? E vamos combinar que não é tanta gente assim.

Quem sabe o dia em que as redes de fast-fashion e as lojas mais “democráticas” e acessíveis começarem a ter uma visão parecida com a de Alber Elbaz (será que isso acontece?), aí sim acho que dá para gente falar de moda com realidade, né?

Enfim, agora estou meio na correria, mas prometo desenvolver esses temas melhor assim que tiver um tempinho. É isso… Ah, e já falei que tem um projeto bem interessante rolando, né? Ainda não posso falar muita coisa, mas envolve essa nova agência de styling, fotografia e make que está para abrir, e todo mundo está falando a respeito. Depois conto mais!

Tem coisas que a gente só vê de perto…

Wednesday, February 4th, 2009

dscn0384Ontem fui visitar o showroom do Alexandre Herchcovitch, para ver de perto as roupas de uma das melhores coleções dessa última edição do SPFW. Como não consegui passar no backstage da marca durante o evento, achei que valeria a pena dar uma passada lá e poder ver melhor a coleção.

Visitar showrooms ainda não é uma prática muito comum entre a imprensa nacional. Lá fora, é quase tão importante quanto assistir os desfiles da temporada. E também acaba sendo um complemento à vista do backstage. Afinal, no showroom dá para ter uma visão mais ampla da coleção, com todas as peças, até mesmo aquelas mais comerciais que acabaram não entrando na edição do desfile. Assim dá também para ver como a coleção desfilada se desdobra em opções mais simples, fáceis e comerciais.

E sinceramente, se a coleção já foi linda na passarela, de perto está melhor ainda. Lembra que falei aqui que esta era uma temporada de menos imagem e mais roupa real mesmo? Que daí outros valores seriam mais valorizados, como técnica, acabamento, pequenos detalhes… Então, está tudo lá do melhor jeito possível.

Começando pelos tecidos, muitos deles exclusivos “seja na estamparia ou no próprio desenvolvimento”, conta Daniel Raad, responsável pelo showroom. “Os aviamentos também são desenvolvidos para cada coleção, como os botões fivelas, até mesmo aquela sianinha mais larga que na coleção comercial aparece bordada em canutilhos”.

Depois vem a modelagem contemporânea, com pitadas vintages ou retro, meio recorrentes nos trabalhos de Alexandre. E aí vem os detalhes, que são destaque dessa coleção. Para quem não lembra, para o inverno 2009 o estilista propôs uma colagem de uma série de referências que iam do dadaísmo dos anos 20 até o punk alemão da década de 80 – tudo, lógico, com toda a identidade da marca.

Todas essa colagens também vieram traduzidas nas construções das roupas, não só pelo mix de referência numa mesma peça, mas pelo jogo de 2 ou 3 em um que apareceu aos montes nesta temporada. É aí que os detalhes de construção aparecem com mais destaque. Exemplos não faltam. Tem o vestido preto que parece composto por três peças (um bolero meio de alfaiataria, uma blusinha de seda mais solta e um vestido com abotoamento frontal mais longo), o vestido preto com aplicações douradas, com bolero de mangas estruturadas, os babados que aparecem de forma assimétrica em partes de casacos mais sóbrios, o mini-blazer com tecido de alfaiataria na gola e ombros e seda no resto, e as várias blusas e regatas com sobreposições integradas. Tudo parecendo ser mais de uma peça, quando na verdade são uma só.

Aqui a mistura de tecidos mais leves com outros mais encorpados, ou então estampados e lisos, dão um bom efeito no corpo, tanto de caimento, como visual, as vezes meio trompe l’oeil.

dscn0385No masculino as sobreposições 2 ou 3 em um ficam meio quem em segundo plano, já que são pequenos detalhes de construção e acabamento que fazem toda a diferença. Nessa última coleção Alexandre trabalhou basicamente só com peças mais clássicas ou básicas, dando a elas seu toque pessoal e adaptando-as ao nosso tempo e necessidades.

É o caso das várias camisetas, camisas e moletons com recortes e costuras diagonais ou curvilíneas e recortes em diferentes tecidos e padronagens. Ou então as peças tradicionais em tecidos mais clássicos, construídos numa modelagem mais moderna, como na bermuda em lã espinha de peixe, com detalhes meio desgastados e duas pregas frontais. Essas mesma peças com um ar mais básico ou clássico também ganham boas versões em diferente tecidos como é com caso do jaquetão de seis botões em versão curta e tecido mais leve, ou então do hoodie xadrez de vinil, ou da capa em tyvek (material meio plastificado).

E se alguém tinha dúvida se tudo aquilo que a gente vê nas passarelas realmente vai para as lojas, uma visita ao showroom com clientes fazendo suas listas de compras, dá conta do recado. Tudo o que foi desfilado estava ali, junto também com peças mais simples, mas ainda seguindo o mesmo fundamento da coleção principal, pronto para chegar nas lojas por volta da segunda quinzena de março.

SPFW – inverno 2009 balanço final, roupa vs. imagem

Monday, January 26th, 2009

Então vamos lá. Trinta e nova desfiles depois o SPFW acabou com uma temporada bem correta, que pode até não ser uma das melhores, mas também não foi nada ruim. É que agora, com a crise o foco foi um pouco diferente. As marcas, ou melhor, a indústria da moda como um todo, se vê agora frente a alguns desafios.

O primeiro, e mais básico de todos é descobrir meios de despertar desejo no consumidor e deixá-lo disposto a consumir. O segundo, bem mais complexo que o outro, é descobrir meios de oferecer um produto com qualidade, a um preço acessível. Sinceramente, acho que esse segundo ainda vai demorar um pouco para acontecer, apesar de ser um dos principais problemas da indústria.

É meio o que o Alcino escreveu naquele editorial da Revista Moda, falando dos preços absurdos das marcas brasileiras. Parece que a indústria não sabe fazer um produto bom, sem ser caro. Só que de agora em diante, as pessoas não vão estar mais tão dispostas a pagar tão caro por uma peça de roupa.

Tudo isso contribuiu para um SPFW marcado por menos show, e mais roupa. Em outras palavras o foco foi na roupa em si – com apelo real e comercial –, e não no espetáculo ou na imagem de moda de um desfie. Vale mais detalhes de técnica e qualidade, do que uma mega show. O que de certo modo é ótimo, já que são dois pontos em que nossa indústria tem muito no que melhorar.

Alexandre Schneider/UOL

Osklen - Alexandre Schneider/UOL

Deu super para ver isso no desfile da Osklen. A marca que sempre gosta de inovar e experimentar com materiais e tecidos tecnológicos, agora decidiu ficar com o bom e velho (e clássico) moletom. Para ser mais preciso em cinza mescla. Até mesmo as formas não eram muito ousadas, ficando bem perto dos básicos, com uma boa informação de moda, e sempre numa modelagem bem confortável – afinal, conforto é a palavra chave desse inverno.

Não é surpresa, então, que as calças cenouras fizeram tanto sucesso, né? Muito menos que a alfaiataria masculina veio com modelagem mais relaxada. Ou então que os tricôs de aspecto meio rústico, com tramas largas, foram outro ponto alto da estação.

Alexandre Schneider/UOL

Alexandre Herchcovitch - Alexandre Schneider/UOL

Alexandre Herchcovitch foi outros que ficou com os básicos, principalmente no seu desfile masculino. Ao invés de investir numa imagem forte, mais conceitual ou cerebral, o estilista apostou na re-edição de clássicos. Dando a tais peças seu toque pessoal, alem de acabamento impecável, modelagem contemporânea e pequenos detalhes que fazem toda a diferença.

No feminino é a mesma coisa. A imagem é um pouco mais forte que a masculina. Principalmente pelo trabalho de “colagem” de referências, sendo que o mais encantador ficava sempre restrito a detalhes de construção e na escolha e combinação de tecidos, e no bom trabalho de misturar elementos de diferente peças, numa só.

Alexandre Schneider/UOL

Maria Bonita - Alexandre Schneider/UOL

Aliás, essa coisa meio três ou dois um ou então de peças que funcionam de vários jeitos, foi bem recorrente em várias coleções. Principalmente na boa coleção da Amapô, onde a dupla desconstruiu a alfaiataria, reconstruindo misturando várias peças numa só. Vide os blazers como colete embutidos, as camisas que viram vestidos e por aí vai. Na Maria Bonita – outro destaque da temporada com seus blazers e calças de proporções alteradas -, Danielle Jensen, também trabalhou com o tema nas peças que parecem duas, quando são uma, ou então nos blazers e camisas que parecem vestido e nas calças que viram macacões.

Alexandre Schneider/UOL

Huis Clos - Alexandre Schneider/UOL

Voltando a questão dos detalhes, Sara Kawasaki na Huis Clos também apostou numa pegada mais detalhista para falar de luxo em sua coleção quase toda em preto – o inverno 2009 vai ser bem escuro, até demais para o meu gosto. De um jeito bem mais jovem e sexy, a estilista trabalhou em cima de referências de divas da Hollywood como Marlene Dietrich, Gloria Swanson e Joan Crawford. Só que o luxo veio todo nos detalhes, na escolhas de tecidos, nas aplicações bem localizadas de correntes, na modelagem bem pensada, nos detalhes de construção como pregas, repuxas, amarrações, estruturações e nos volumes bem discretos.

Agência Fotosite/SPFW

Ellus - Agência Fotosite/SPFW

Até mesmo a Ellus, que sempre faz dos seus desfiles um mega show, optou por dar mais atenção as suas roupas. Tudo bem que ainda tinha o imenso telão lá no fundo, que nem foi tudo isso que as pessoas esperavam. O que impressionou mesmo foi a volta da marca para o que faz melhor, jeanswear com qualidade e informação de moda. Desde o clima meio trabalhador – super em alta – até nos ótimos tingimentos e formas mais amplas das peças, de um jeito que funcionou tanto para passarela como para vida real.

As meninas da Oficina de Estilo também fizeram uma listinha de tendências bem completa, e Oliveros também. Mas tenho que admitir que achei o inverno 2009 bem fraco de tendências. Na verdade, é bem o que Gloria Kalil disse em seu editorial e que o Oliveros repetiu em seu post. Essa tendências, são muito mais caminhos, do que uma forma de ditadura. São como grandes vontades para a temporada que permitem uma interpretação e adaptação ao estilo pessoal muito maior. Até mesmo por esta ser uma temporada basicamente feita de clássicos. Afinal, esses duram bem mais que uma estação, funcionam em diversas ocasiões e vendem bem mais fácil.

SPFW – Alexandre Herchcovitch (masc.)

Friday, January 23rd, 2009

Para sua coleção masculina Alexandre Herchcovitch foi buscar inspiração no mar. Em outras palavras, seu inverno 2009 veio cheio de referências náuticas, só que nada de forma literal ou óbvia (ainda bem!) – afinal estamos falando de Alexandre Herchcovitch. Mas também o tema não foi trabalhado de forma muito conceitual ou experimental. Ao invés disso o estilista fez a escolha esperta de trabalhar em cima de peças e formas clássicas, aplicando a elas seu toque pessoal e algumas referências náuticas.

Agência Fotosite

Agência Fotosite

Essas vem principalmente nas estampas remetendo a um mar turbulento, tempestuoso. Mas fora isso Alexandre aproveitou jaquetas, sobretudos, casacos de lã e até gorrinhos de tricô para falar do tema. Tudo sempre em tons fechados e escuros, como muito cinza, preto, marinho (afinal o tema é mar), marrom, pontuados por vermelho e branco – cores náuticas, né? Então tricôs vinham em tramas largas ou com nós de marinho, sempre num clima retro, assim como os casacos pesados de lã bem no estilo náutico, tanto mais compridos como mais curtos.

Xadrezes e bolinhas dividem espaço com estampas de mares revoltos ou então as famosas listras náuticas que aparecem aqui quebradas com formas diagonais. Para quebrar a sobriedade e clima nostálgico da coleção Alexandre aposta em tecidos sintéticos de aparência plastificados e resinados, como no jaquetão de oito botões em versão curta e de bolinhas, ou então no hoodie e calça xadrez de poliamida.

Alexandre Herchcovitch Masculino - SPFW inverno 2009

Agência Fotosite

A alfaiataria é um caso (ou deleite) a parte. Com proporção contemporânea, os blazers vem mais curtos, um pouco mais próximos do corpo, com um ou dois botões. Já as calças seguem a modelagem do momento, um pouco mais secas, mas ainda com alguma folga e com comprimento reduzido, no tornozelo ou logo acima dele.

Uma aposta bem segura. Cheia de clássicos re-editados. Se até as coleções femininas estão ficando com opções mais garantidas, porque o masculino – que já sofre uma série de limitações por natureza – seria diferente? E quer prova que deu super certo? A coleção, embora sem uma imagem de moda tão forte quanto a da coleção passada, deixou muitos dos que assistiram o desfile desesperado por várias peças, que vão funcionar perfeitamente na vida real, e até durando muito mais que uma estação – afinal são clássicos.

Texto publicado originalmente no site do SPFW

SPFW – Alexandre Herchcovitch

Monday, January 19th, 2009

Talvez uma das maiores preocupações das marcas nesta temporada, seja descobrir uma fórmula mágica que desperte desejo nas pessoas e deixem-as dispostas a desembolsar alguns reais em prol de um guarda-roupa renovado – ok, sabemos que há também o problema dos preços abusivos, mas isso deve ser resolvido com a crise. Na teoria essa fórmula não é lá muito difícil, mas na prática não é tão simples idem.

Agência Fotosite

Agência Fotosite

Talvez, ou melhor, com certeza a parceria de Alexandre Herchcovitch com o grupo gestor Inbrands ajudou em muito o estilista a conseguir esse feito. Do primeiro ao último look foi o mais puro deleite fashion deixando todo mundo desesperado por um pouquinho da coleção. Seja os vestidos vermelhos mais soltinhos estampados, os paetizados com amarrções ou então as boas versões em alfaiataria mais estruturada.

O ponto, ou melhor,os pontos de partida para a coleção foi um grande mix de referências que passavam por cabarés, dadaísmo, surrealismo, cubismo e o punk alemão. “Nós queríamos falar desse estilo pesado dos punks de Berlim, mas com um enfoque feliz”, conta o stylist Mauricio Ianes. Lógico que essa felicidade viria sob a ótica única de Alexandre, daí o começo mais colorido , com estampas florias mais abstratas, os paetês coloridos ora mais foscos ora mais brilhantes, as aplicações de bolinhos e taxas coloridas e os babados sempre aplicados de forma bem assimétrica.

Aos poucos looks de alfaiataria em tecidos pretos mais encorpados dão mais rigidez ás peças que passam a ter detalhes assimétricos (como os babadinhos) ou orgânicos (como os brocados) bem localizados e de forma mais pontual. Bons exemplos são o vestido blazer bem estruturado ou o blazer com uma lapela com brocados e costas em pequenos babados geometrizados. Destaque também para as peças que ganham mangas volumosas de penas. Esse mesmo material volta a aprecer em espécie de pelerine assimétrica, as vezes até ganhando até uma manga, já em referências mais literais a estética cabaré.

Foi com essa grande colagem de referências, que Alexandre conseguiu passar por todas vontades de temporada sem cair em clichês, levando a saia de cintura alta, a estética do luxo decadente, a alfaiataria mais estruturada, as calças mais largas que afunilam na perna e até os tons neutros para um universo totalmente seu. E assim, despertar imenso desejo de consumo com uma de suas melhores coleções.

E-commerce, para comprar sem sair de casa

Thursday, October 23rd, 2008

Foi-se o tempo em que você tinha que sair de casa para renovar o guarda-roupas. Com o crescimento das e-stores ficou cada vez mais fácil comprar roupas pela internet. Em países como os EUA, França, alguns da Europa e do Oriente Médio, as roupas já ocupam a posição de segundo item mais vendido pela internet.

Atualmente a relação marca-consumidor é cada vez mais estreita, e promover uma maior interação entre os consumidores e a grife é uma das estratégias e marketing mais comuns hoje em dia. E é justamente aí que a internet entra como principal ferramenta de integração.

Aqui no Brasil, o mercado de roupas e vestuário na internet ainda é muito pequeno, ainda começando a dar seus primeiros passos. São poucas as marcas que se aventuram pelo mundo do comércio virtual, oferecendo seus produtos para uma gama de clientes muito maior.

Uma das primeiras marcas a se aventurar pelo e-commerce, foi Alexandre Herchcovitch. Inaugurada em 2005, a loja virtual da marca hoje é um sucesso por disponibilizar peças de coleções antigas que não se encontram mais nas lojas. “As coleções antigas vendem tão bem quanto as novas, pois existem peças de roupas na loja virtual que o cliente um dia desejou tê-las mas por algum inconveniente na época não pôde adquirí-la e na loja virtual isso é possível”, conta o gerente geral de vendas da loja virtual, Arthur Herchcovitch.

Em 2007, a Zapping, que ficou um bom tempo com suas atividades praticamente encerradas, voltou a ativa quando a holding I’M adquiriu a Zoomp, empresa da qual a Zapping fazia parte. E nessa nova fase a marca escolheu como único ponto de venda a internet.

“Um dos pontos mais importantes na estratégia da marca Zapping é promover a interatividade entre as pessoas, promover relação e, para isso, a internet é uma ferramenta fundamental”, conta Carlos Frederico gerente de marketing da grufe. “A internet facilita muito a criação de comunidades e é isso que buscamos, uma grande comunidade.”

É claro que existe o receio por parte dos consumidores, principalmente por não poderem ver a roupa ao vivo nem prová-la, mas “como nossos produtos não são muito elaborados, estamos falando principalmente de malharia (camisetas), temos um pouco menos de dificuldade”, explica.

Prova disso foi o lançamento em junho da comunidade virtual Coquelux. É um site de e-commerce somente para convidados. A idéia é dos empresários Pierre Emmanuel Joffre e Laurent Zago. A e-store por enquanto funciona em ciclos, disponibilizando artigos de um determinado segmento ou marca por um determinado período de tempo.

O site ainda tem uma ferramenta que promete diminuir o medo das compras pela internet: é um serviço virtual de medidas orienta o consumidor a escolher o tamanho adequado para cada marca.

A mais nova marca nesse meio virtual é a Amonstro, das estilistas Lívia Torres e Helena Pimenta. “Desde o começo da Amonstro investimos na internet como maneira de nos aproximar dos nossos clientes, através do fotolog, que agora não existe mais, MySpace, e-mail… a Amonstro é uma marca relativamente conhecida
fora daqui do Brasil a partir dai surgiu a necessidade de fazer a e-store. Nossas primeiras vendas foram através da net, antes mesmo do nosso primeiro desfile no Amni HotSpot, tínhamos uma marca de camisetas e nossos primeiros clientes não eram de SP”, contam elas.

Assim, apesar de todo o receio que os brasileiros têm quando o assunto são as compras pela internet, não resta dúvida que é uma área que tem muito pela frente. E no fim elas acabam sendo bem mais confortáveis e fáceis. Basta escolher, pagar e esperar a entrega na porta de sua casa em poucos dias.

Matéria publica originalmente no site do SPFW. Lá tem também uma matéria super interessante do Gabriel Marchi falando que hoje a internet também serve como principal plataforma de vendas e divulgações para marcas iniciante.

o mundo inteiro se veste igual

Tuesday, October 14th, 2008

Outro dia estava numa reunião e ouvi um comentário que me deixou bastante incomodado. É aquele velho pensamento que a moda aqui no Brasil não passa de uma cópia e reprodução (re-interpretação) daquela mostrada meses antes nas semanas de moda de NY, Londres, Milão e Paris. Ok, a gente sabe que cópias existe, não preciso nem lembrar daquela matéria que saiu na Piauí em junho de 2007, né?

Mas enfim, enquanto fazia a cobertura dos desfiles internacionais (via fotos diga-se de passagem) para o site do SPFW, não tinha como perceber uma certa semelhança com algumas coisas que aparecem por aqui, tanto no Fashion Rio como no SPFW. São tendências ou vontades meio que globais que todo mundo meio que já previa, mas que acabamos vendo primeiro aqui do que lá.

Isso nem é muito surpresa já que com toda a globalização e a atuação do bureaus de tendências, de fato começar a surgir um estilo global. Ronaldo Fraga já tinha me dito uma vez durante uma entrevista, “hoje todo mundo se veste igual no mundo inteiro”.

Então, para quem gosta de seguir a risca as macro-tendências do planeta fashion, já pode começar a correr atrás de alguns temas que foram bem relevantes na temporada internacional para o verão 2009, com alguns produtos nacionais.

Metalizados - Vestido Reinaldo Lourenço (R$ 8.743,00) e Look Prada

Metalizados - Vestido Gloria Coelho (preço sob consulta) e Look Giambatista Valli

Metalizados - Vestido Gloria Coelho (preço sob consulta) e Look Giambatista Valli

Babados - Vestido Forum (R$1950,00) e look Giambatista Valli

Babados - Vestido Alexandre Herchcovich (R$2512,00) e Look Luella

Babados - Vestido Alexandre Herchcovich (R$2512,00) e Look Luella

Transparência - Vestido Alexandre Herchcovitch (R$ 1.190,00) e Look Marni

Transparência - Vestido Alexandre Herchcovitch (R$ 1.190,00) e Look Marni

Macacão - Macacão Huis Clos (R$1023,00) e Preen

Macacão - Macacão Huis Clos (R$1023,00) e Preen

Estruturados - Vestido André Lima (preço sob consulta) e Vestido Gimabatista Valli

Estruturados - Vestido André Lima (preço sob consulta) e Vestido Gimabatista Valli

Safári - Vestido 2nd Floor (preço sob consulta) e Look Gucci

Safári - Vestido 2nd Floor (preço sob consulta) e Look Gucci

Futurismo - Look Carlota Joakina (preço sob consulta) e vestido Hussein Chalayan

Futurismo - Vestido Pedro Lourenço (preço sob consulta) e Vestido Gareth Pugh

Futurismo - Vestido Pedro Lourenço (preço sob consulta) e Vestido Gareth Pugh

Ombros estruturados - Vestido Pedro Lourenço (preço sob consutla) e jaqueta Louis Vuitton

Ombros estruturados - Vestido Pedro Lourenço (preço sob consutla) e jaqueta Louis Vuitton

Franjas - Vestido Neon (preço sob consulta) e vestido Jil Sander

Franjas - Vestido Neon (R$5000,00) e vestido Jil Sander

Stylist de mim mesmo

Monday, October 13th, 2008

Bom vamos lá. Estava na maior dúvida de fazer ou não esse post. Acho que ficou muito Susie Bubble, sabe? Mas enfim, vamos lá. Sábado (11/10) aconteceu a festa de aniversário de Diesel. Aquela que aconteceu em 17 cidades do mundo, no mesmo dia…

Então, eu fui. Mas lógico que antes rolou aquele dilema de que roupa usar. Até sábado de manhã não tinha idéia do que ia vestir. Não queria usar nada do que tinha no meu armário, então tive que sair em busca de algo novo. Na verdade, já meio sabia o que queria: uma camiseta do Alexandre Herchcovitch com uma sainha plissada, essa da foto de baixo.

Na hora que provei já fiquei com dúvida. Imaginava um caimento bem diferente do real. Acabei achando meio vestidinho demais, apesar de ter adorado a peça. Na dúvida, levei. Mas o drama estava só começando. E na hora de me arrumar que tudo começou valendo.

Como usar a tal camiseta-vestido sem parecer feminino demais? Resolvi fazer algumas experimentações. Minha primeira tentativa foi usar a camiseta com uma calça que não fosse skinny. Tinha que ser seca – para não ficar tudo muito amplo e deixar meu quadril parecendo algo gigantesco -, mas não precisa ser justa como um skinny. Até deu certo, não ficou ruim, mas eu não gostei muito. Preferi continua com a skinny, mesmo com ela deixando o look ainda mais feminino.

Daí o jeito foi me focar em alguma sobreposição na parte de cima. Algo que viesse direto ou tivesse forte relação com o universo masculino. Assim, dá uma quebrada na feminilidade da peça.

Primeira opção: blazer! Desses mais contemporâneos, um pouco mais curtos, levemente ajustado ao corpo, para ficar mais casual. Só que como o meu está na lavanderia, nada feito.

Pensei então numa jaqueta preta – meio biker jacket, ou bomber não muito volumosa – como essa, também do Alexandre Herchcovitch, da primeira foto. Outra opção, agora bem mais casual, foi tentar com hoddie Cavalera, deixando só a saia plissada a mostra. Deu super certo – tanto que foi essa que acabei indo, mas fiquei bem em dúvida entre essa e a terceira opção, com jaqueta meio militar do Herchcovitch.

Outra coisa que me passou pela minha cabeça, mas não cheguei a experimentar, foi usar com um cardigan aberto, meio desestruturado, bem soltinho, tipo esses da American Apparel. Só que nesse caso o look volta a ficar mais andrógino. Alguém tem mais sugestões?

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