Posts Tagged ‘anos 80’

Um pouco mais sobre o jeans…

Tuesday, August 25th, 2009

Se tivéssemos que eleger uma peça que não pode faltar no guarda-roupa de qualquer pessoa, sem dúvida apostaríamos no jeans. Uniforme do dia-a-dia, não existe outra peça que esteja mais infiltrada na nossa cultura. Seja qual for o estilo, classe, raça, tribo, fé ou profissão, o jeans é presença garantida em 99% dos casos. Do seu surgimento como uniforme operário ruralista, até os anos 60, quando materializou o conceito da igualdade, o jeans aderiu de tal modo em nossas vidas que hoje é praticamente impossível viver sem eles.

No século 16, trabalhadores do porto de Gênova, chamados pelos franceses de Genes, já usavam roupas confeccionadas numa sarja muito resistente produzida na cidade de Nimes, na França. Aqui, a etimologia dá conta da história: de uma corruptela das palavras “de Nimes” e “Genes” surgiram os vocábulos atuais “denim” e “jeans”.

Tempos depois, mais precisamente em 1873, nos EUA, o austríaco Levi Strauss (em parceria com David Stern) produziu as primeiras calças jeans com rebites de cobre para dar mais resistência às roupas usadas por mineradores californianos na época da Corrida do Ouro.

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Só para não dizer que eu não postei hoje…

Wednesday, July 15th, 2009

Estava saindo do cinema, passando em frente à um Ponto Frio quando vejo isso passando numa pequena TV de plasma de 60 polegadas.

Ombreiras -Um Caso De Amor E Ódio

Thursday, May 7th, 2009

Olha, a cada dia que passa eu chego a conclusão que as pessoas de uma idéia de anos 80 totalmente equivocada. Sim, eu sei que a moda dessa época tem lá seu grau de exagero extremo, beirando muita vezes a cafonice ou o brega. Não faz muito tempo que me vi numa conversa com umas amigas que iam numa “festa brega” e estavam discutindo no que vestir. Eis que uma delas me vira e fala: “Ah, é só ir bem anos 80, com qualquer coisa com ombreiras”.

Gente, ombreiras não são tão demoníacas assim, vai? Eu sei que muitas daquelas usadas na década de 80 eram bem feias, quadradonas, gigantescas e nada favoreciam a silhueta feminina – afinal essa não era a intenção mesmo, né? Daí que as pessoas ficam com essa concepção de ombreiras totalmente errônea, achando que é mais um retorno de um elemento horrendo dos anos 80.

blazer_ombreira

Blzares com ombreiras - Calvin Klein, Martin Margiela em Carine Roitfeld e Stella McCartney

E aí quando a gente fala que as ombreiras estão ganhando cada vez mais força – tanto que já até começam a cansar -, todo mundo acha que é loucura de fashionista. Tudo bem, até pode ser um pouco, afinal apesar de adorar um look com ombrinhos estruturados e marcados, eu não acredito que a gente vá ver muita gente assim na rua.

Enfim, desde de o verão 2007 as ombreiras estão tentando fazer seu tão esperado “come back”. Foi uma temporada que super se inspirou nos anos 80, principalmente no seu lado mais futurista. Assim era meio difícil passar com ombros desapercebidos. Desde então as ombreiras vem aparecendo de forma bem esporádica em várias coleções do planeta fashion.

Balmania!

Balmania!

Daí no verão 2009 elas voltaram novamente, e ainda com mais força, o que persistiu no inverno 2009, que veio cheio de referências 80’s novamente – pense em Marc Jacos, Louis Vuitton, Calvin Klein, YSL, Stella McCartney e muitas outras. Depois da Balenciaga e Martin Margiela com seus ombros pontudos e estruturados, veio a epidemida Balmania (da Balmain) instaurando o look tough-chic de Christopher Decarin, com aquele estética rock’n’roll cheia da glamour, onde os ombros ganhavam toda atenção.

Não teve jeito, depois disso as ombreiras começaram a migrar das passarelas para os guarda-roupas dos mais antenados e fashionistas com muito mais freqüência. E vamos combinar que essas “novas” são bem diferentes daquelas dos anos 80. A maioria delas – e quase sempre as mais indicadas – são bem menos exageradas. Em vez de dar um super volume nos ombros, elas só marcam a região de forma mais angular ou geométrica, ou então mais arredondadas. Até mesmo as mais pontudas, tipo as da Balmain não são tão maxi assim. Tem uma certa curvinha mais arredondada que dão um pouco mais de suavidade aos ombros.

O momo como o resto do look é composto ajuda também a não dar uma impressão muito exagerada. Como o casaco, blazer, jaqueta ou qualquer outra peça com ombreiras chama mais atenção, é melhor optar por peças mais simples, tipo uma camisa ou camisetainha simples, uma saia lápis ou mais ajustadas ou uma calça sem muito volume. Cores neutras ou escuras também ajudam. E ao marcar bem os ombros a cintura afina (de modo ilusório) quase que instantaneamente.

Ombros marcado: Louis Vuitton, Balenciaga e Marc Jacobs

Ombros marcado: Louis Vuitton, Balenciaga e Marc Jacobs

E as vezes nem precisa ser ombreiras propriamente ditas para marcar os ombros. Nessa última temporada a gente viu um monte de jeitos super interessantes de chamar a atenção para essa região do corpo. Algumas blusas vem com mangas mais volumosas nos ombros, ou com pregas, costuras e construções mais delicadas que funcionam do mesmo jeito, só de forma mais delicada.

Sem contar que o look super tem a ver com nosso tempo. Dá uma quebrada naquela estética mais feminina que vinha dominando há algumas temporadas, trazendo ares mais austeros e sóbrios. Enfim, é deixar o preconceito de lado apostar nos ombros marcado.

Nostalgia now

Monday, May 5th, 2008

Estava fazendo uma pesquisa para uma matéria que estou escrevendo para o site do SPFW quando me deparei com o seguinte artigo escrito por Marco Sabino:

 

“Procura-se o novo. Num momento econômico difícil para todos os países, quando se escuta a palavra crise em quase todas as rodas de conversa e até mesmo nos jornais especializados em moda, procura-se novidade. Nunca seu ouviu tanto falar em novos criadores, alunos recém-saídos de escolas de estilismo e pesquisas de novos horizontes e marketing. São inúmeras matérias publicadas sobre o funcionamento de escolas de estilo, como o FIT em Nova York, a Saint Marint´s em Londres, ou mesmo a Bunka College em Tóquio. Espera-se uma nova leva de criadores, uma vez que os nomes de primeiro escalão se tornaram um pouco repetitivos e têm procurado sua reciclagem no passado, inspirando-se em monstros sagrados como Chrisitan Dior e Jaqcues Fath. Para os criadores estabelecidos não é momento para grandes mudanças, ousadias aventureiras. Mas, mesmo assim, os europeus parecem necessitar de ares novos, respirar idéias inusitadas. Dior, em seus quarenta anos comemorativos, foi o mais lembrado nas coleções de inverno 87/88.”

 

Este artigo foi publicado na revista Desfiles e Coleções, em 1987. Pois é, e 11 anos depois o cenário não parece tão diferente, né? Ontem mesmo estava lendo uma matéria no jornal WWD falando da crise econômica que está fazendo com que muitas lojas americanas, das mais luxuosas às mais populares, entrem em liquidação com medo de não vender todos os produtos que foram comprados cerca de 6 meses antes, quando a economia – apresar de crise – ainda estava num estado mais aceitável.

 

Isso sem falar na crise de criatividade que a gente vem vivendo nas últimas temporadas de moda. Tudo bem que nosso último SPFW foi um dos melhores, dentre os 5 anteriores, mas ainda assim está longe de ser uma explosão de novidades, ou algo realmente incrível. Até mesmo nos desfiles internacionais, parece que o passado tem agradado mais do que o novo.

 

E quanto à esperança dos novos estilistas que vem surgindo, principalmente em Londres, mas também na Bélgica e no Oriente, deixa o cenário atual bem parecido com aquele descrito por Sabino em sua matéria.

 

Acontece que hoje a situação é um pouquinho pior. A crise econômica tem motivos diferentes, alguns causados pela própria indústria – como alta dos preços, datas de entrega e compras etc -. O problema da criatividade também é um pouco mais grave, porque o que serviu de solução para os anos 80, como maximalismo da Lacroix ou a descontrução dos japoneses não é mais novidades.

 

Em termos mudanças estéticas – porque tenho que confessar que economia não é muito a minha praia -, acredito que as mudanças, seja lá quando elas vão acontecer, vão ser mais sutis, discretas. Algo mais em termo de proporções/silhuetas e na tecnologia dos tecidos/materiais, do que invenção de uma peça totalmente nova. E como muito já se falou essas mudanças talvez ocorram, principalmente, na moda masculina, já que durante muito tempo pouquíssima coisa mudou lá.

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