Muito bom o texto que Cathy Horyn, a editora de moda do New York Times, postou hoje em seu blog. As meninas da Oficina de Estilo já até falaram a respeito disso hoje, mas como o assunto é super atual e dá pano para muito manga vale falar de novo aqui.
Lá Mrs. Horyn diz que se sente meio incomodada quando vê artigos falando do fim do excesso, afinal bem antes da crise já tinha muita gente vivendo de forma nada ostentosa, fosse por inteligente opção, ou por necessidade mesmo. E que nos próximos anos, a indústria da moda vai sofrer significativas alterações. Mas será mesmo? Ok, eu ainda acho que toda essa crise vai mudar um pouco a percepção das pessoas sobre o modo de consumir. Quem ainda não prestava muita atenção no que consumia, vai começar a pensar duas vezes no que vai gastar o dinheirinho dela e talvez até fique mesmo mais seletivo, como Cathy Horyn fala.
Até aí tudo bem, de certo modo isso vai ter lá seu impacto na indústria da moda. Mas será que essas alterações que ela cita no texto vão ser mesmo significativas assim. Tá, significativas podem até ser, mas não vão ser alterações fundamentais. Afinal, se for para mudar mesmo, se for para subverter toda essa lógica consumistas que nasceu do fenômeno moda (aquele conceito de renovação constante, mas que nem sempre traz alguma novidade de fato, sendo quase sempre uma novidade aparente), a gente podia acabar com as cruise collections, com as linhas especiais (ou capsule collections), poderíamos fazer uma temporada de moda por ano ao invés de duas… Não? Se as pessoas realmente se conscientizarem, começarem a levar outros fatores em considerações, como qualidade, funcionalidade e uma certa atemporalidade nas roupas, a gente não precisaria renovar nosso cardápio de tendências e produtos duas ou até mais vezes por ano, certo?
E se isso acontecesse mesmo toda indústria ia entrar em verdadeiro colapso, já que no fundo está tudo interligado e meio dependente desse sistema maluco que se enraizou na nossa sociedade. Concordo com a Sra. Horyn quando ela fala que todo esse discurso não passa mesmo de um joguinho de marketing para vender mais revistas e adequar a produção e vendas das várias marcas e empresas (não só de moda, ta?), e nem estou discordando do que ela escreveu nesse post. Mas é que o buraco é bem mais embaixo, entende? Se alguma coisa fora mudar, como eu acredito que vá, vai ser apenas no nível da aparência. Acho um pouco utópico (para não falar mentiroso) que o sistema capitalista está ruindo, que o mundo do consumo está mudando seus princípios basilares. Mentira! Não tá nada, só está se adaptando a uma nova realidade, e a uma percepção nova por parte dos consumidores que não vão parar de consumir. Bem pelo contrario, vão comprar uma blusinha de cashmere cinza simplezinha, achando que está super de acordo com essa nova estética “não-ostentadora”, mas que no fundo só limou babados ou aplicações de pérolas dessa mesma blusinha. E talvez o preço nem mude tanto se tivesse essas pérolas.
Aliás, Cathy Horyn também fala um pouco sobre essa questão dos preços em seu posto. E nisso eu super concordo com ela. A moda vai ter sérios desafios nos próximos anos com a questão dos preços dos produtos. Acredito que nunca em toda história da moda, alguém se dedicou de verdade em desenvolver um produto com boa qualidade e vender num preço realmente acessível.
Enfim, não tenho respostas para nada disso que escrevi aqui. Afinal, se estivesse não estaria aqui, né? Mas acho que o questionamento é mais do que válido, afinal a gente precisa pensar para poder mudar alguma coisa de fato, nem que seja nossa posição e atitudes em relação ao mundo. E não, também não estou fazendo nenhuma apologia em favor ao não-consumismo e nem nada todo tipo. Só estou tentando ver e mostrar uma visão mais ampla de todo esse cenário que estamos vivendo… É isso.