Posts Tagged ‘Cathy Horyn’

Como seria bom se aqui também fosse assim…

Thursday, March 18th, 2010

Lendo o post sobre as expectavias de Cathy Horyn, editora de moda do jornal New York Times, sobre os finalistas indicados ao prêmio do CFDA (Council of Fashion Designers of America), fiquei pensando em como seria bom se aqui fosse assim, né?

Como seria bom se existe por aqui um Prêmio que realmente buscasse incentivar e homenagear estilistas e profissionais realmente merecedores de tais honras, e não fosse apenas politicagem ou lobismos de uma indústria um tanto quanto mimada demais, né? No fim, todo mundo ia sair ganhando. A indústria ia ganhar mais força, os profissionais se sentiriam mais motivados a melhorar seus trabalhos e até os consumidores iam sentir-se inspirados e conhecer ou procurar mais o trabalho das marcas e estilistas ali homenageados.

textos imperdíveis sobre Michelle Obama na Europa

Monday, April 6th, 2009

Gente, tem dois textos ótimos falando sobre o estilo da Michelle Obama durante sua viagem a Europa na semana passada por conta da cúpula do G20. Um é do Alcino Leite Neto, editor de moda do jornal Folha de S. Paulo, e o outro da editora de moda do New York Times, Cathy Horyn.

Mas muito mais do que a moda e estilo da primeira dama americana, o que esses textos tem de mais interessante – e principalmente o do Alcino, já que o da Cathy Horyn fica mais preso a questão da roupa em si – é que acabam evidenciando um papel meio libertador de Michelle Obama em relação à algumas convenções políticas e também em relação as mulheres.

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É que a figura dessa primeira dama é muito mais próxima e real de mulheres de meia idade comum, do que as demais que já assumiram o cargo. O próprio modo como o casal se porta em público, com uma certa informalidade e naturalidade, já mostra essa proximidade de “gente real”, que antes ficava muito distante no imaginário das pessoas em relação a seus governantes.

Tem também uma comparação bem interessante entre Carla Bruni Sarkozy e Michelle Obama falando desde o estilo de cada uma, até os perfis de mulheres que elas representam hoje em dia. Ainda que ambas super modernas, contemporâneas, uma acaba tendo um ar mais aristocrático mesmo, com aquela elegância clássica, quase esnobe dos franceses e outra bem mais carismática, afetiva e espontânea.

Enfim, é meio que leitura obrigatória. Passa lá!

o tal post da Cathy Horyn sobre a crise…

Wednesday, April 1st, 2009

Muito bom o texto que Cathy Horyn, a editora de moda do New York Times, postou hoje em seu blog. As meninas da Oficina de Estilo já até falaram a respeito disso hoje, mas como o assunto é super atual e dá pano para muito manga vale falar de novo aqui.

Lá Mrs. Horyn diz que se sente meio incomodada quando vê artigos falando do fim do excesso, afinal bem antes da crise já tinha muita gente vivendo de forma nada ostentosa, fosse por inteligente opção, ou por necessidade mesmo. E que nos próximos anos, a indústria da moda vai sofrer significativas alterações. Mas será mesmo? Ok, eu ainda acho que toda essa crise vai mudar um pouco a percepção das pessoas sobre o modo de consumir. Quem ainda não prestava muita atenção no que consumia, vai começar a pensar duas vezes no que vai gastar o dinheirinho dela e talvez até fique mesmo mais seletivo, como Cathy Horyn fala.

Até aí tudo bem, de certo modo isso vai ter lá seu impacto na indústria da moda. Mas será que essas alterações que ela cita no texto vão ser mesmo significativas assim. Tá, significativas podem até ser, mas não vão ser alterações fundamentais. Afinal, se for para mudar mesmo, se for para subverter toda essa lógica consumistas que nasceu do fenômeno moda (aquele conceito de renovação constante, mas que nem sempre traz alguma novidade de fato, sendo quase sempre uma novidade aparente), a gente podia acabar com as cruise collections, com as linhas especiais (ou capsule collections), poderíamos fazer uma temporada de moda por ano ao invés de duas… Não? Se as pessoas realmente se conscientizarem, começarem a levar outros fatores em considerações, como qualidade, funcionalidade e uma certa atemporalidade nas roupas, a gente não precisaria renovar nosso cardápio de tendências e produtos duas ou até mais vezes por ano, certo?

E se isso acontecesse mesmo toda indústria ia entrar em verdadeiro colapso, já que no fundo está tudo interligado e meio dependente desse sistema maluco que se enraizou na nossa sociedade. Concordo com a Sra. Horyn quando ela fala que todo esse discurso não passa mesmo de um joguinho de marketing para vender mais revistas e adequar a produção e vendas das várias marcas e empresas (não só de moda, ta?), e nem estou discordando do que ela escreveu nesse post. Mas é que o buraco é bem mais embaixo, entende? Se alguma coisa fora mudar, como eu acredito que vá, vai ser apenas no nível da aparência. Acho um pouco utópico (para não falar mentiroso) que o sistema capitalista está ruindo, que o mundo do consumo está mudando seus princípios basilares. Mentira! Não tá nada, só está se adaptando a uma nova realidade, e a uma percepção nova por parte dos consumidores que não vão parar de consumir. Bem pelo contrario, vão comprar uma blusinha de cashmere cinza simplezinha, achando que está super de acordo com essa nova estética “não-ostentadora”, mas que no fundo só limou babados ou aplicações de pérolas dessa mesma blusinha. E talvez o preço nem mude tanto se tivesse essas pérolas.

Aliás, Cathy Horyn também fala um pouco sobre essa questão dos preços em seu posto. E nisso eu super concordo com ela. A moda vai ter sérios desafios nos próximos anos com a questão dos preços dos produtos. Acredito que nunca em toda história da moda, alguém se dedicou de verdade em desenvolver um produto com boa qualidade e vender num preço realmente acessível.

Enfim, não tenho respostas para nada disso que escrevi aqui. Afinal, se estivesse não estaria aqui, né? Mas acho que o questionamento é mais do que válido, afinal a gente precisa pensar para poder mudar alguma coisa de fato, nem que seja nossa posição e atitudes em relação ao mundo. E não, também não estou fazendo nenhuma apologia em favor ao não-consumismo e nem nada todo tipo. Só estou tentando ver e mostrar uma visão mais ampla de todo esse cenário que estamos vivendo… É isso.

Balenciaga perdendo conexão com o streetwear?

Friday, October 10th, 2008

Então, tava aqui lendo o blog da Cathy Horyn, o On The Runway e vi que ela falou uma coisa bem interessante, que eu super concordo. Cathy (muito íntimo?) dizia que parece que Nicolas Ghesquière está perdendo a conexão com a rua, ou em suas palavras, perdendo “street credibility“.

Olha só, desde sua coleção de inverno 2007 (na minha opinião a mais importante de sua carreira), Ghesquière está cada vez mais se afastando da moda de rua/streetwear. O que fez de seu inverno 2007 tão importante foi, como disse Vitor Angelo, que “a coleção mixou etnia e cultura de rua legitimando a etnia não como exotismo exatamente por o estilista francês enxergar o streetwear como algo maior que a moda de rua de Londres ou Nova York“.

Looks Balenciaga inverno 2007 e verão 2009

Looks Balenciaga inverno 2007 e verão 2009

Ainda que uma moda de luxo, era perfeitamente viável pensar nas roupas numa pessoa comum. Só que a partir daí Ghesquière vem cada vez mais se afastando dessa realidade. Cathy Horyn fala e eu super concordo, os looks que vemos nas passarelas são “muito complicados e caros para reproduzir, então nunca os veremos além de editoriais e campanhas”.

Sim, eu sei que tecnicamente as roupas são incríveis, e não estou falando que Ghesquière não tem talento, bem pelo contrário. Ele é um dos mais talentosos estilisas de hoje, só que além de fazer das passarelas somente um laboratório de experiências – o que não é nada ruim – seria bom ver um certo equilíbrio com a vida real ou aquela boa conexão com o streetwear que vimos no inverno 2007, né?

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