Paris Fashion Week - Chanel

Chanel, Paris, Paris Fashion Week, verão 2009 1 Comment »

Se a crise financeira não deixa espaço para se arriscar melhor ficar com aquilo que se faz melhor. Aquilo que é sabido dar certo e também vender sem nenhum problema. Não que as senhorinhas ou até mesmo as consumidoras mais jovens da Chanel vão acabar sofrendo com a crise, mas é o que parece certo para nosso tempo.

E o modo como Karl Lagerfeld encontrou para isso foi retornando as origens – de Coco Chanel, diga-se de passagem. Sem deixar nenhuma consumidora (não importa qual seja sua faixa etária) de fora, o kaiser da moda re-visita clássicos da marca dando seu toque especial para torná-los perfeitamente reais e plausíveis para os dias de hoje.

O cenário já dizia tudo. Uma reprodução mais do que fiel da clássica fachada da loja, atelier e escritório da Chanel, no número 31 de Rue Cambon. De lá saiam as modelos vestindo os mais variados modelos de jaquetas de tweed, soltas, encorpadas, curtas como boleros, ou mais longas como sobre-tudos. Tailleurs dos mais clássicos possíveis, mas sem parecer datados. Graças à modelagem mais contemporânea e jovem, e também à alguns truques de estilo já recorrentes em Lagerfeld. Como filetes de lurex nos tweeds dando um certo brilho contemporâneo para o tradicional look da grife.

Alguns tops vinham levemente mais curtos, revelando sutilmente um pouco da barriga, quando as cinturas não ficavam tão altas. Outros símbolos clássicos da marca, como as pérolas e as gardênias, apareciam em acessórios de cabeça, colares e aplicadas nas roupas (no caso das pérolas), ou em recortes, bordados de cristais, ou esculpidas no cintos que marcavam a cintura (no caso das gardênias).

Até mesmo a coleção cigana da Coco Chanel apresentou nos anos 30 ganhou re-edições, em looks floridos de saias longas e mangas amplas.

Destaque também para o bom trabalho de tricôs, tanto nas jaquetas com tramas maiores, como nos vestidos justos que, com junto com as peças em rosa e tons mais suaves ajudam a dar uma quebrada naquela austeridade elegante, aproximando mais o produto de consumidoras mais jovens.

Uma coleção que mostra Karl Lagerfeld no seu melhor. Clássicos tradicionais da marca atualizados para os dias de hoje, carregando todos os símbolos típicos da marca com um bom mix de elegância, feminilidade e, mais ainda, realidade.

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Catching up - semana de alta-costura

alta-costura, inverno 2008 4 Comments »

Não faz muito tempo que a morte da alta-costura começou a ser anunciada. Com muitas das maisons parisienses, como Yves Saint Laurent, Emanuel Ungaro e Balmain, encerrando suas atividades na área, muitos começaram a prever o fim da alta-costura. Ledo engano. Apesar da economia um tanto quanto caótica, a expansão rápida e poderosa do mercado de luxo em países emergentes (Ásia, Oriente Médio, Rússia e até o Brasil), foi responsável por um crescimento de mais de 20% nas vendas de alta-costura só nos últimos 6 meses.

 

 

Tradução do mais alto luxo que só pode ter na moda, os desfiles de alta-costura que terminaram ontem (2/7) em Paris são prova viva de que o desejo por uma roupa cada vez mais exclusiva e elegante está longe de ter seus dias contados. E este desejo foi tão forte, que até John Galliano na Christian Dior apresentou uma coleção que era menos fantasia e mais roupa mesmo, para mulheres reais (e ricas!).

 

Um mix de Lisa Fonssagrives (modelo e mulher de Irving Penn) com a primeira dama francesa, Carla Bruni Sarkozy, deram o tom para a coleção que agora vem menos calcada nos arquivos históricos da marca. Galliano brinca com romantismo e a sensualidade sem cair em clichês ou vulgaridades. Marca a cintura com cinturões e corsets e investe pesados em transparências – principalmente nas saias – deixando os corpos das modelos bem à mostra.

 

 

Na Chanel, Karl Lagerfeld diz ter se inspirado nas formas tubulares de um órgão de tubo – que, aliás, serviu de cenário par ao desfie – mostrando uma coleção bem geométrica, retomando alguns fundamentos de Pierre Cardin e André Courreges. O resultado,foi uma coleção bem sóbria, de vestidos mais próximos ao corpo, bem verticais e quase matemáticos de tão geométricos. A precisão – nas formas, cortes, acabamentos e decorações – era tanta que a coleção acabou até perdendo um pouco de vida. É como que se as roupas fossem apenas molduras artificiais para as mulheres.

 

Não é a toa que as melhores opções são os looks onde as referências geométricas e góticas do lado alemão de Lagerfeld, vem mais equilibradas com a leveza barroca e parisiense da Chanel.

 

 

Depois de alguns anos se forçando demais para compor um show de alta-costura, Giorgio Armani finalmente decide se focar naquilo que faz melhor: os ternos femininos que lhe deram sucesso nos anos 80. A diferença é que agora, Armani tira um pouco da masculinidade de tal looks, dando mais leveza e suavidade para as calças que vem como peça chave da coleção. Além disso, o estilista também suaviza os acessórios para uma coleção elegante e sofisticada sem muita ostentação e exageros.

 

 

Jean Paul Gaultier, parece um pouco preso em seu próprio universo. Um costureiro de mão cheia, mestre dos casacos de pele, trench-coats e vestidos drapeados suntuosos, continua investindo em referências eqüestres e rústicas que já foram tema de suas últimas coleções. A novidade vem com os flashes de cores fluo – que também não são novidade nenhuma – e com o tema das gaiolas, que ganha suas melhores traduções nos recortes e rendas em looks bem estruturados. Fora isso, os tubos e armações que saltavam para foras das roupas acabou por esconder e desviar o olhar de ótimas peças que Gaultier executa com maestria.

 

 

Na Givenchy, Ricardo Tisci consegue transportar perfeitamente aquela mistura de elegância e sofisticação urbana para a alta-costura, numa coleção que tinha Machu Picchu, no Peru, como principal inspiração. O estilista propõe um refrescante trabalho de hi-low, que se vê tão pouco na alta-costura. Bomber jackets de couro resinado combinadas com bermudas ajustadas nas coxas sobre leggings de jérsei de seda, dividiam a passarela com looks de alfaiataria sofisticada e vestidos leves, drapeados e repuxados.

 

 

Até o reio do barroco e rococó, Christian Lacroix, se rendeu ao desejo por roupa mais usável, mas nem por isso menos luxuosa. Desta vez deixou a decoração excessiva de lado focando-se em vestidos mais ajustados ao corpo, com poucos laços e babados e também tons mais escuros, com poucas estampas. O Lacroix que conhecemos pelo excesso só vai aparecer mais par ao final do desfile, quando as mangas ganham mais volumes, as rendas e bordados ficam mais elaborados.

 

 

E que bem vez para as coleções de alta-costura a entrada de Alessandre Facchinetti na Valentino. Respeitando a herança e estilo do fundador da casa, a estilista consegue trazer um certo frescor jovem para a coleção. Sem deixar de lado toda feminilidade e poder que a mulher Valentino tanto preza, mostra um bom mix de looks mais arquitetônicos e de formas bem estruturadas, com outros mais leves soltos. Bom ver que a estilista se deu bem na marca, mostrando sinais de mudanças – principalmente nos looks mais estruturados – sem desconfigurar a identidade da marca.

 

Fotos Marcio Madeira

 

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