Posts Tagged ‘Chanel’

Roupa para todo dia

Monday, November 16th, 2009

Foi-se o tempo em que o termo sportswear (“roupas esportivas”) era usado somente para designar os trajes usados por atletas. Desde que os uniformes das mais variadas modalidades passaram a exercer extrema influência na moda – entre os Anos 70 e principalmente 80 (dominados por collants, leggings, moletons, polainas e bodies) – o estilo esportivo se tornou subjetivo.

Talvez por isso, o termo activewear foi aos poucos substituindo o sportswear no que diz respeito às roupas destinadas às atividades físicas. O sportswear agora se relaciona muito mais com o conceito de “esporte fino”, traduzindo praticidade e elegância “sem esforço” nas mais variadas ocasiões. É exatamente aqui que entra o Verão 2010, uma temporada marcada pela busca de simplicidade e sofisticação.

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Apesar dos americanos serem os porta-vozes do sportswear, a origem do estilo nos remete à Europa. Gabrielle Coco Chanel (sim, a mademoiselle Chanel) introduziu os primeiros conceitos de trajes esportivos no prêt-à-porter, quando na cidade praiana de Deauville trocou a pompa das roupas femininas do começo do século 20 pela sobriedade do armário masculino. Inspirada pela simplicidade, pelo conforto e pela praticidade das roupas usadas por marinheiros e pescadores da região, criou o que ficou conhecido como o protótipo do sportswear. Mademoiselle Chanel disse adeus aos espartilhos e vestidos opulentos, apostando em peças moduladas, com formas soltas que proporcionavam mais liberdade de movimento.

Décadas mais tarde, por volta dos Anos 70, estilistas americanos como Ralph Lauren, Calvin Klein, Tommy Hilfiger e, posteriormente, Donna Karan, Claire McCardell e Liz Claiborne, adaptaram os mesmo conceitos de conforto e praticidade para criar um estilo que ficou intimamente ligado à moda e ao estilo de vida dos americanos.

À medida que consumidores se adaptam à uma nova realidade de mercado e consumo (em boa parte derivada da recente crise global), sua relação com roupa e moda é reavaliada. O consumo é cada vez menos guiado por emoções ou desejos, e cada vez mais consciente e inteligente. É nesse cenário que o sportswear surge como uma das macrotendências (ou “vontades”) mais urgentes e relevantes da temporada.

Muito além de uma peça básica, ou simplificada, estilistas de todo o mundo mostram que o sportswear de hoje cultiva uma relação muito próxima dos valores que pautam o comportamento de consumo da nossa sociedade. Na prática? Busque a inspiração nos vestidos texturizados da Calvin Klein, nas desconstruções da Jil Sander por Raf Simons, na funcionalidade e versatilidade de Stella McCaterney e Celine por Phoebe Philo. Em outras palavras são pequenos detalhes que tiram a peça do lugar comum, elevam-as a um patamar onde qualidade em materiais, corte, modelagem e  design primoroso se unem agregando valor a roupa que mantém uma relação extremamente próxima com a vida dos consumidores.

Texto publicado originalmente no site do SPFW.

Paris verão 2010 – Chanel

Tuesday, October 6th, 2009

Uma das qualidades mais impressionantes de Karl Lagerfeld é sua capacidade de abordar as principais vontades do momento de um modo totalmente diferente de tudo aquilo que foi apresentado na semana de moda.

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Transformando o Grand Palais num verdadeiro celeiro, o verão 2010 da Chanel é uma viagem ao campo, trazendo a tona alguns valores de vida bucólica que andam sendo retomados com uma certa freqüência nessa temporada de desfiles. Começando pela imensa simplicidade. Ainda que extremamente sofisticadas em suas construções e detalhas, as roupas dessa temporada na Chanel pareciam despidas de qualquer frivolidade desnecessária, de modo que aquilo que se via, é o que há de mais essencial.

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Como se a mulher Chanel não precisasse de nada além de um simples vestido de tweed, ou então de uma jaqueta com corte ligeiramente quadrado, combinada com saia curta, com leve curva ascendente na lateral. Pequenos babados, aplicações discretas de jóias e uma silhueta que favorece saias amplas, ainda que curtas, sugerem referências de Marie Antonieta em seu Petit Trianon, mas transportadas para o século XXI num clima de pura descontração e alegria – com direito até a performance de Lily Allen.

Vem daí também a boa pitada de sensualidade da coleção, mas de forma nada óbvia, mas totalmente ingênua e descomprometida.(como muito tem se visto na temporada). Leves vestidos, de referências campestres, aliados a atitude solta, literalmente natural das modelos, falam de uma sensualidade quase que infantil digna de uma garota do campo.

Criando todo um cenário para sua narrativa, Kar Lagerfeld enche os olhos de fashionistas e consumidores com uma coleção extremamente realista, repleta de roupas prontas para vida real, mas que ganham elevadas a patamares fantasiosos, com fortes imagens de moda.

Alta-Costura – Chanel com os pés no chão

Wednesday, July 8th, 2009

home_01Se no prêt-à-porter arrastar os consumidores para dentro das lojas é uma das principais vontades da estação, na altacostura a pauta da temporada não é muito diferente. Karl Lagerfeld estava pensando exatamente nisso em sua coleção apresentada ontem, terça-feira (07), em Paris. Só que essa vontade de oferecer opções infalíveis para todas as ocasiões ao seleto grupo de consumidoras couture da Chanel acabou resultando numa considerável perda de frescor e inovação.

O inverno 2009 da linha de altacostura da maison se apresenta como uma grande reedição de clássicos, começando pelo eterno tailleur em tweed, passando pelos vestidos levemente evasês, quando não totalmente tubulares, as camisas com golas em babados, e as várias referências ao closet masculino.

Diferente da coleção apresentada em janeiro, ou da resort collection em Veneza, essa atual falha no quesito inovação. Os looks em tweed (impecavelmente cortados) que abrem o desfile parecem deslocados no tempo: clássicos, lindos, vendas garantidas, mas nada além disso.

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Chanel na praia – resort 2010

Tuesday, May 19th, 2009

Semana passada, mais precisamente no dia 14 de maio em Veneza, aconteceu o desfile da resort collection (ou cruise collection, ou alto verão) da Chanel. A escolha da locação não podia ser melhor, afinal lá era um dos locais preferidos de Mademoiselle Chanel para passar seus verões. A cidade não só serviu de locação para um desfile no melhor estilo praiano, como também foi inspiração para própria coleção.

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De um lado veio aquele lado mais místico da cidade, dos tempos do século XV, quando a cidade era um dos principais portos da Europa. De outro veio todo o glamour de veraneio, com aquele estilo navy super bem característico de Veneza. As listras vinham nas mais variadas formas, pequenininhas ou mais largas, as vezes num estilo bem náutico e as vezes mais parecida com as roupas dos gondoleiros da cidade. O denominador comum era um certo ar romântico e levemente sensualizado. Isso pelos vestidos meio anos 20 bem soltos, caindo levemente sobre os corpos sem marcar a cintura, revelando pedaços de pele com o movimento do andar ou do vento.

Apesar de alguns elementos trabalhos de formas bem literais, como por exemplos os óculos usados como máscaras venezianas, o tempo se mesclou perfeitamente com o universo da marca. Os vestidos longos à la anos 20, os cardigans bem levinhos de tweed e os clássicos tailleurs vinham bem mesclados com peças mais “divertidinhas” de beachwear, ou peças mais simples como blusinhas bem soltas, camisetinhas navy, alguns jeans e blazers de mais pequenininhos.

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E agora, nem uma semana depois do desfile, já saíram as imagens da campanha da coleção. Num clima bem sombrio, mas ainda meio romântico e sensual, é meio que uma continuação/variante do filminho que Karl Lagerfeld fez meio como teaser da coleção, o Fitting Room Folies.

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Sinceramente, tenho um pouco de preconceito com esses tipos de coleções. Essas cruise/resort collections ou coleções de meia estação parecem não acrescentar nada de novo. São totalmente voltadas para o lado comercial, para as vendas e não trazem quase nenhuma informação de moda mais relevante. Eu sei que o foco não é esse, que é mesmo uma jogada de marketing para incentivar o consumo, quase como que uma resposta do mercado de luxo para fast-fashion.

Mas gente, e aquela história de que a gente precisa de peças mais atemporais, duráveis e bla bla bla. Se isso é verdade porque a gente precisa ver coisas “novas”, que no fundo não nos acrescentam em nada, a cada 2 ou 3 meses?

Trailer de Lady Noire Affair

Thursday, May 14th, 2009

Depois do curta Fitting Room Folies, que Karl Largerfeld filmou meio como que um teaser para a Cruise Collection da Chanel – aquela que vai ser desfilada amanhã em Veneza – chegou a vez da Dior apresentar seu primeiro videozinho. No próximo dia 20 de Maio a grife vai lançar na internet um filme dirigido por Olivier Dahan (o mesmo de La Vie En Rose) e com Marion Cotillard como protagonista. O objetivo é promover a nova bolsa da marca, Lady Dior. Mas como o vídeo só sai dia 20 e quase todos os blogs e sites só falam nisso, a grife disponibilizou um trailer do filme que por si só já é incrível.

Vem naquele clima meio anos 40, bem durante a II Guerra Mundial, no melhor estilo noir. Com uma luz bem sombria, efeitos meio esfumaçado e muito, mas muito glamour. Para quem ainda duvidava que essa história de moda em movimetno e filminhos de moda na internet, parece que agora está pegando para valer, né?

Os Acessórios da Chanel Inverno 2009

Monday, May 11th, 2009

Sobriedade, simplicidade e austeridade foram algumas das principais palavras que marcaram as coleções internacionais para o inverno 2009. A tal da “nova modéstia” que pede um look sem muita decoração ou frivolidades: leia-se ausência quase que total de babados, plissados e outras decorações que antes vinham marcando as coleções com valores bem femininos. É a vez do monocromia, da alfaiataria e de um look mais fechado, com corte preciso e caimento sem muito movimento.

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E numa temporada onde os tailleurs e vestido-blazeres estavam no topo de qualquer wish-list, a Chanel apresentou algumas das melhores versões. Mas o mais interessante não estava nas roupas em si, e sim nos acessórios. Meio que uma versão simplificada daquelas formas à la origami que Karl Lagerfeld apresentou na coleção de alta-costura da marca.

Nesse fim de semana fiquei revendo as coleções e cheguei a conclusão de que eles são uma ótima saída para dar uma quebrada na sobriedade ou “masculinidade” dos looks dessa estação. No desfiles pareciam que essas decorações faziam parte das roupas, quando na verdade são todos removíveis. Golas e punhos em vinham com plissados, babados, lacinhos de cetim e até camélias em chiffons. Em parte como clara referência ao pai do dandy, Beau Brummel – inspiração declarada de Karl Lagerfeld para esta coleção – em parte para dar uma aliviada na austeridade dos looks.

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E vamos combinar que por mais andrógino que fosse o look de Coco Chanel, nunca faltava um singelo elemento em seu visual que exalasse delicadeza e valores mais feminino de um jeito bem sutil, porém extremamente sofisticado e elegante. Vide as pérolas, a profusão de pulseiras e a incansável paixão por camélias.

E sabe o que é melhor? São o tipo de acessórios que super dá para gente fazer sozinho. Basta um pouco de tecido ou qualquer outro material para usar como decoração e uma boa costureira. E se as golas podem parecer um pouco exageradas para a vida real, os punhos são ótimas opções para dar um toque mais sofisticado e elegante ao look. Se for usado com peças mais sóbrias como as do desfiles melhor ainda.

O Novo Curta de Karl Lagerfeld

Wednesday, April 22nd, 2009

Acho que todo mundo já sabe que Karl Largerfeld, o estilista por trás da Chanel tem uma certa paixão por fotografia, né? Tanto que todas as campanhas da marca são clicadas por ele, sem contar nos vários projetos paralelos que ele participa fazendo as vezes de fotógrafo. Pois bem, agora Seu Largerfeld resolveu atacar de diretor novamente, com um curta-metragem chamado Fitting Room Folies. O filme conta a historia da uma Lara Stone meio apaixonada, provando várias roupas da última coleção da Chanel e tendo meio que dilemas amoroso com Baptiste Giabiconi…

Enfim, não tem muito o que falar, é incrível:

várias coisinhas…

Friday, April 3rd, 2009

>> Ultimamente Rei Kawakubo está super adepta a colaborações e parcerias, né? Não faz muito tempo que a estilista da Comme des Garçon se uniu a Louis Vuitton para comemorar os 30 anos da marca na Japão com uma pop-up store que ia conter as bolsas desenhas por Dona Kawakubo. Antes disso ela ainda tinha assinado uma coleção para H&M depois de ter desenhado a nova roupa hidrodinâmica da Speedo, a LZR RACER (aquela que ajudou os nadadores a quebrarem seus recordes nas olimpíadas de 2008).

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Enfim, e agora Rei Kawakubo se junto a Vogue Nippon (Vogue Japão) para celebrar os 10 anos da publicação. O “evento” consiste numa loja com tema, merchandise e estilistas que variam de mês em mês. A idéia é que a loja seja uma revista que você pode literalmente entrar dentro. A primeira edição, que conta com a participação de Takashi Murakami, Chanel, Fendi, Loewe, Martin Margiela e Walter van Beirendonck, vem em total sincronia com a edição de julho da revista, toda inspirada em mangas. Com abertura prevista para o dia 28 de maio, a loja tem o desgin e curadorias de artistas e estilistas assinados por Rei Kawakbubo.

fs-margelia-barbie>> Tá sabendo que a boneca Barbie comemorou 50 anos no último dia 9 de março, né? Pois é, e parar comemorar o aniversário de uma das bonecas mais famosas e desejada do mundo (senão A mais famosa e desejada) a Mattel (empresa responsável pela boneca) organizou uma série de exposições ao redor do mundo para celebrar e contar um pouco da história da Barbie.

Pois bem, e na exposição de Paris, na Galeria Lafayette, 50 estilistas foram convidados para reproduzir algum look icônico para a boneca loira que é desejo de consumo de quase toda garota. Gareth Pugh, Karl Lagerfeld, Christian Lacroix, Jean Paul Gaultier e Sonia Rykiel, são apenas alguns deles. Mas provavelmente a mais inusitada de todas seja a que veste o casacos de perucas de Martin Margiela. A boneca vem até com o rosto coberto com uma camada de tecido na cor da pela, igual ao que as modelos usam em seus desfiles.

Ah, e São Paulo não fica de fora do ciclo de exposições não, viu? Para quem ainda não sabe, até o dia 30 de julho é possível ver um exposição incrível, com curadoria de Carlos Keffer (uma mega colecionador de Barbies), no “Museu Encantado Baribei”, no Shopping Cidade Jardim. Ah, e tem um vídeo ótimo que a Marcelona fez mostrando a exposição.

Museu Encantado Barbier

Shopping Cidade Jardim - Av. Magalhães de Castro, 12.000, 3o piso, Cidade Jardim.
tel.: 0/XX/11/3552-10003
De terça a sábado, das 10h às 21h, e domingos, das 12h às 18h. Até 30 de julho.
Entrada gratuita

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>> Deve ser incrível essa exposição, Paris Hilton: Fantasy and Simulacrum, do artista IKé UDé, que recém abriu no Museu Stenersen, em Oslo, na Suécia. Trata-se meio de um diálogo entre o alter-ego do artista, chamado Visconti com Paris Hilton, que acaba resultando numa sérire de imagens que conversam entre si, sempre abordando alguns aspectos da cultura pop e do “fenômeno Paris Hilton”. A exposição que começou na Stux Gallerie, em Nova York, agora chega a europa com uma compilação bem provocativa, contando com ntinhas do blogs de fofocas, fotos de sites pornográficos, vídeos, espelhos, além de imagens e recortes de revistas de cinema, moda e estilo de via. Tudo bem combinado com o estilo crítico mas bem humarado de UDé, que acaba oferecendo um ponto de vista bem interessante sobre todo esse fenômeno de celebridades e sobre alguns aspectos culturais e sociais do nosso tempo.

>> A gente bem sabe o quão caro é comprar revistas internacionais aqui no Brasil, né? A livraria da Hadock Lobo ou a Farah pode dizer com mais precisão quanto do nosso dinheirinho vai para eles quase todo mês. Março e Setembro nem se fala, né? Já que é meio que por aí que as revistas bianuais ou trimestrais publicam suas edições de verão ou inverno.

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Mas enfim, é que uma dessas revistas bianuais mais legais de moda masculina, a Another Man – versão masculina da Another Magazine – está agora com todinha disponível na internet. É isso mesmo, dá para ver a edição de verão 2009 da revista na íntegra pelo seu firefox, safari ou internet explorer. Lógico que não é a mesma coisa, mas é melhor do que nada. E em tempos de crise, as vezes até vale a pena guardar esse dinheirinho e ir conferindo tudo pela web.

Chanel 2.55 passo a passo

Friday, March 27th, 2009

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Bem legal essa matéria que saiu hoje no Telegaph. É sobre como é feita a clássica e lendária bolsa 2.55 da Chanel. A jornalista Justin Picardie foi na fábrica da marca onde as bolsas são produzidas por cerca de 340 funcionário que já trabalham lá há no mínio 17 anos. Tem um monte de dados interessantes como por exemplo que tem 180 estágios antes da bolsa ficar pronta, 60 peças são utilizadas para fazer cada uma, o processo de matelassê é meio que um super segredo da marca, e que é quase tudo feito à mão… Enfim, vale a pena ler para se ter uma idéia de porque a bolsa depois de tanto tempo ainda continua meio como um ícone fashion, do mesemo jeito de quando foi lançada por Coco Chanel em fevereivo de 1955 (catou de onde vem o nome 2.55?).

255_chanelPara quem não sabe, a bolsa foi meio que uma mega revolução na época. Foi uma das primeiras a ter alças compridas para ser carregada nos ombros. Tem até uma citação famosa de Mademoiselle Chanel sobre a bolsa: “estava cansada de carregar minha bolsa na mão e perdê-la, então coloquei uma alça longa e passei a carregá-la no ombro”. Não preciso ficar falando aqui que Chanel era meio que visionária, uma mulher a frente do seu tempo e que foi responsável por quebrar alguns tabus e convenções da época, né?

Enfim, essa bolsa Chanel em couro matelassado, com alças de correntes entremeads com fita de couro virou ícone fashion em1955 e continuou como tal até os dias de hoje, com algumas pequenas variações. Não só no seu tamanho, mas também nos materias, como o jeans e tweed, e numa grande variedades de cores. Ah, e as primeiras versões ainda não vinham com o famoso logo da marca no fecho.

Enfim, passa lá para ler a matéria que é meio que uma aulinha de história também.

Paris Fashion Week – Chanel e Valentino

Tuesday, March 10th, 2009

Nunca um terninho Chanel pareceu tão atual e tão moderno. Se os tempos difíceis pedem por uma moda simples, objetiva e rigorosa, Karl Lagerfeld acertou em cheio com seu inverno 2009. Ao mesmo tempo que ressaltou elementos puramente Chanel, não deixou suas roupas em nenhum momento parecerem datas demais. Muito pelo contrário.

A coleção veio quase toda baseada numa alfaiataria extremamente bem cortada, com formas puras, costuras geométricas e tão discretas que quase pareciam invisíveis, dignas de alta-costura. E por mais severo que os ternos poderiam ser, Lagerfeld conseguiu dar a eles uma imensa feminilidade e um toque super atual, ainda que em perfeita sintonia com a identidade da marca.

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Marcio Madeira

Decorações? Para que precisamos delas quando uma jaqueta de tweed preto molda perfeitamente o corpo do modo mais elegante possível, combinados com saias com pregas que simulavam uma fenda de modo clássico, mas ainda super contemporâneo? Bom, mas se mesmo assim alguém quiser algum babadinho, tem os punhos de renda ou com flores de tecido, quase sempre em branco, meio como que versões simplificadas daquelas formas quase “de papel” que Lagerfeld utilizou em sua coleção de alta-costura.

E se aquela foi quase toda branca, nessa o preto reinou absoluto, salpicado por referências dandies. Karl Lagerfeld se inspirou em Beau Brummel – daí o nome da coleção de Belle Brummel -, dandy que não dispensa um bom babado na hora de se vestir e a quem se atribui a aceitação e popularização do terno (composto por três peças). Isso explica não só o foco na alfaiataria mas também as altas golas de algumas blusas e camisas, que também são referências da própria Coco Chanel.

Marcio Madeira

Marcio Madeira

No fim a alfaiataria, a sobriedade e rigor dos novos tailleur Chanel eram tão impactantes que os looks mais femininos e românticos em tricôs verde e rosa pareciam estranhos a todo resto da coleção. De repente um senso lúdico, até mesmo infantil toma conta do desfile com os tricôs de aspecto confortável ou então macacões estampados.

Se foi para quebrar um pouco a austeridade ou apenas para oferecer uma maior abrangência de produtos, o que interessa é que as formas puras eram tão fortes, que se sustentavam perfeitamente por si só, como uma única coleção.

Ah, e aqui tem minha resenha sobre o desfile da Valentino que, sinceramente, não me agradou muito. Achei muito preso a tradição da marca e sem muito evolução, sabe? Sem nada, mas absolutamente nada de novo ou diferente. Saudades de Alessandra Facchinetti que estava conseguindo dar um ar mais jovem para a marca…t

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