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Casa de Criadores inverno 2010: 6º dia

Monday, November 30th, 2009

Terminou na última sexta-feira (27/11) a 26ª Casa de Criadores num dos dias mais fracos do evento, onde alguns problemas que apareceram ao longo de toda a edição se fizeram ainda mais presentes e evidentes. Com raras exceções (confira nas resenhas abaixo), a imagem que ficou foi de um encerramento desacelerado, sobretudo em comparação aos dias anteriores.

Ponto Zero

Quem abriu o último dia de desfiles foram os estudantes de moda que integravam esta edição do projeto Ponto Zero, dedicado a premiar a melhor coleção (e aluno) inscrito no programa. Leandro Gabionette (Universidade Anhembi Morumbi), Ana Paula Becker (Centro Universitário Belas Artes), Bruno Gonzaga (Fundação Armando Álvares Penteado), Alice Sinzato e Helena Luiza Kussik (Santa Catarina Moda Contemporânea), Cynthia Hayashi (Santa Marcelina), Cristiane Carla Soares (Senac) e Ana Beatriz Almeida e Claudia Leimi Yasumura (USP) foram os participantes que mostraram suas coleções bem menos inventivas e muito mais desinteressantes do que aquelas vistas no Projeto Lab e até mesmo no Fashion Mob.

Quem se destacou mesmo foi Bruno Gonzaga, da FAAP, com sua coleção repleta de tecidos sintéticos e formas soltas que mixavam boa informação de moda com alta dose de vida real. No entanto, quem levou o prêmio foi Cynthia Hayashi, da faculdade Santa Marcelina, numa coleção que explorava formas e sobreposições de pequenos tecidos.

Geraldo Couto


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Inspirado no último filme de Stanley Kubrick, “De Olhos Bem Fechados“, Geraldo Couto mostrou bons sinais de evolução à  medida em que limpou alguns excessos dos seus vestidos de festa. Pra imprimir aquela imagem sexy e sofisticada do filme, o estilista apostou em vestidos curtos mais próximos ao corpo decorados com drapeados de lamê dourado ou aplicações de materiais brilhantes.

Couto podia ter deixado de lado as aplicações de grandes rosas de tecidos, ou as formas mais marcantes dos vestidos e capas de veludo em camadas que pesavam demais nos looks. O ponto alto, contudo, vem no final com ótimos vestidos curtos de paetês dourados em formas retangulares, cheios de movimento.

André Phergom

Veja todas as fotos do desfile aqui

A alfaiataria é novamente o foco de André Phergom para o seu Inverno 2010. Repleto de boas ideias – como o deslocamento de penses e pregas –, o desafio maior para o estilista continua na execução das peças. Sua vontade de trabalhar formas e cortes inusitados, que fogem do convencional, muitas vezes acaba sendo um passo maior que a perna. Uma boa alfaiataria requer extrema habilidade técnica de modelagem, corte e acabamento, pré-requisitos que, desta vez, André não cumpriu.

Bom mesmo é o trabalho com pregas em camisetas e outros casacos de tecidos molengas como meia-malha, moletom e tricô. Aplicando essas pregas horizontalmente e de forma assimétrica em camisetas, cardigãs e outras jaquetas, André consegue um efeito interessante. Fica a dica: o estilista poderia levar soluções simples e inteligentes como essa para a sua alfaiataria.

Diva

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Foi pensando num grande encontro entre as maiores divas de todos os tempos que Andréia Ribeiro apresentou o seu Inverno 2010. Daí vêm os vestidos de festa que dominam a passarela com formas das mais variadas e referências aos mais diversos estilos. O que não sai nunca de cena é uma vontade por um glamour exuberante que muitas vezes complica a adaptação da peça para vida real. O ponto alto fica com os vestidos mais simples, de formas contidas e adornos discretos, como os modelos acinturados no estilo 1950s.

A ideia de fazer um grande tapete vermelho acabou se tornando um exagero performático que, somado à extravagância das roupas, colocou uma lente de aumento nas falhas de acabamento e modelagem. Como faltou edição de moda (daí a importância de se trabalhar com um bom stylist), as ideias se diluíram e o desfile pareceu longo demais. A parte boa foi quando a própria estilista entrou na passarela com um vestido soltinho paetizado e casaco xadrez levemente brilhantes – foi um indicativo de que na loja, provavelmente, haverá roupas mais “reais” que, infelizmente, não fizeram parte da apresentação.

Prints I Like

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O universo cômico-sombrio de Tim Burton deu o tom do Inverno 2010 da Prints I Like. Traduzido pela cartela de cores sóbrias e estampas que seguiam a estética dos filmes do diretor de “Noiva Cadáver“, “Edward Mãos de Tesoura” e ”O Cavaleiro Sem Cabeça“, entre outros, a grife apresenta bons vestidos soltos e fluídos, que caem delicadamente sobre o corpo. Contudo, quando a estilista Luisa Aguiar começa a investir em formas mais estruturadas ou peças com construções mais elaboradas, vemos novamente a deficiência nos acabamentos na modelagem.

Weider Silveiro

Veja o desfile completo aqui.

Quem achou que a escolha do tema de Weider Silveiro seria um tanto quanto óbvia, ficou surpreso. Ao olhar para o Rei do Pop, Michael Jackson, em busca de inspiração para o seu Inverno 2010, o estilista se lançou num terreno perigoso, repleto de clichês e obviedades. O risco era alto, mas Weider se saiu mais do que bem, compondo uma das coleções mais emocionantes de toda essa edição da Casa de Criadores. Talvez esta tenha sido a melhor apresentação da carreira de Silveiro.

O estilista fez questão de abordar quase todos elementos mais essenciais da carreira do ídolo pop, pra quem moda era algo essencial. As formas mais literais se mostraram com inteligência, como as dragonas das jaquetas militares sobrepostas e com canutilhos, ou então as várias desconstruções das peças que, por exemplo, aplicavam de forma excepcional as abotoaduras sobre um vestido preto cheio de brilhos. Outras, mais sutis, como as estampas de lua em referência ao “moonwalk”, ou as medalhas e estrelas que aparecem no primeiro vestido feito totalmente de fita adesiva marrom.

A semelhança com Balmain é devida à proximidade da inspiração. Talvez Weider pudesse ter se distanciado um pouco do tema, buscando mais liberdade. Mas, no meio de tanta energia e emoção, esse detalhe passou quase que despercebido.

Gustavo Silvestre

Veja o desfile completo aqui

A riqueza dos bordados e pesquisa de trabalhos manuais continua como ponto forte no Inverno 2010 de Gustavo Silvestre. Desta vez, o shape se aproxima do corpo e os comprimentos ficam um pouquinho mais curtos, quase sempre do meio da coxa para cima, lembrando aquela silhueta sexy/minimal dos Anos 90. Desta mesma referência saem os jeans que abrem o desfile, primeiro num vestido justinho, depois em calça e jaqueta délavé que, apesar de serem boas peças, ficaram perdidas no restante da coleção que tem como ponto alto os bons trabalhos de chenile, principalmente quando contrapostos às formas mais secas de alguns looks.

+ Confira todos os desfiles da Casa de Criadores aqui

Texto publicado originalmente no site do SPFW.

Casa de Criadores – 2a dia

Wednesday, December 10th, 2008

De volta ao line-up oficial da Casa de Criadores (CdC) quem abre o 2o. dia são as irmãs Carolina e Isadora Fróes Kireger, da Gêmeas. O inverno 2009 da dupla vem todo inspirado nas peças de balé de Tchaikovsky, principalmente o Lago dos Cisnes, que até ganhou mini apresentação com bailarinas no começo do desfile. Quanto a coleção, parece que a dupla deu um passo para trás. Depois de três boas coleções, mostrando bons sinais de evolução, voltam a investir naquela estética meio rocker alternativo, com referências 80′s bem carregadas, vide os vários looks em lamê, que já se mostram um tanto quanto ultrapassados.

Charles Naseh/Chic.com.br

A dupla mostrou tanto potencial em coleções passadas, com excelentes trabalhos de bordados, uma boa alfaiataria e um capacidade de expandir o universo sem perder a identidade, que agora deixou tudo um pouco simples demais. Os looks mais justos que abrem o desfile, com bordados dourados, mostram-se bem aquém do que as estilistas mostram que podem fazer. A coleção começa a ficar mais interessante com o vestido rendado sobreposto a outro da lamê dourado e depois nos looks mais soltos em couro resinado.

Quem mostrou bons sinais de evolução foi Mario Franciso, da Der Metropol. Na temporada passada a grife já encantou com seu masculino bem construído, com formas contemporâneas que apesar de forte apelo comercial, carregavam boa informação de moda. Agora para o inverno 2009 o estilista dá uma limpada em alguns detalhes de construção que se mostraram excessivos na coleção passada e apresenta looks cheios de diferencial como as boas sarouels com costuras, recortes e zíperes diagonais, blazers com proporções alteradas, quase descontruídos, e camisetas com estampas quase românticas com boa pegada rocker.

Charles Naseh/Chic.com.br

Charles Naseh/Chic.com.br

O que mais impressiona, além da boa tradução e desdobramento da inspiração (o grunge de Alice in Chains e analogias de características das composições da banda, sendo a decepção amorosa e a morte – daí os vários recortes, estampas de corações sangrando), é o cuidado na construção das peças. Até em uma simples regata preta até em bermudas sarouel com abotoaduras diagonais ou então nos blazers com proporções toda alteradas e principalmente nas várias versões de sarouel em moletom.

Charles Naseh/Chic.com.br

Charles Naseh/Chic.com.br

A Diva, desta vez olhou para o perigoso universo kitsch para sua coleção. Daí vieram os tecidos nada convencionais, ou utilizados para fins diversos, como cortinas, capas para toalha de mesa, cobertores, almofadas e por aí vai. Acontece, como já foi apontado em quase todas suas demais coleções, que o styling do desfile aparece carregado demais, ou como foi o caso, levando o kistch muito a sério. As roupas por si só já vinham cheias de informação, como o vestido xadrez que abre o desfile com mandas e barras plastificadas (o plástico está em alta, né?), e o styling carregava ainda mais os looks, adicionado ainda mais informação, tipo os cintos com arranjos de flor.

A coleção, analisada peça a peça no bakcstage até que possui elementos bem desejáveis e fácil de chegar num consumidor final, como é o caso do vestido verde musgo de lã, com laços nas laterais. O problema é que a imagem vem com tanta informação na passarela que acaba ofuscando as boas peças da marca.

Charles Naseh/Chic.com.br

Charles Naseh/Chic.com.br

O coletivo P’Tit quis falar de art decó para seu inverno 2009, o que explica o porque de tantas linhas retas e formas mais geometrizadas em sua coleção. Coleção esta que veio bem mais limpa do que as passadas, sem aquela profusão de pathcwork e construção em moulage complicada demais. De certo modo isso tudo continua, só que de forma muito mais simples e limpa, o que não tirou nem um pouco o encanto da coleção. Bem pelo contrário. As formas puras e geométricas do art decó encontraram bom contraponto na moulage que o coletivo tanto gosta de trabalhar, vide a saia azul meio enrolada. Destaque também para a alfaiataria geometrizada, com ombros pontudos e lapela quadrada, ótimo para essa onda blazer que está rolando. Os vestidos que mixam bem formas retas com construções mais orgânicas, ou tecidos mais fluídos também são uma boa opção do grupo. Ah, e os bons acessórios, cheios de sofisticação e elegância.

Casa de Criadores #1

Thursday, May 29th, 2008

Começou ontem (28/5) a 23a edição da Casa de Criadores, evento dedicado a promover e lançar novos talentos da moda brasileira, principalmente do eixo Rio-São Paulo. Reforçando seu caráter de vanguarda, o evento abre a temporada de moda brasileira para o verão 2009.

 

 

E quem deu o start nisso tudo – e um bom início – foi o estilista Gustavo Silvestre, bem conhecido pelo seu primoroso trabalho artesanal, principalmente com seus bordados, e também pela sua estamparia sempre muito rica e detalhada. Dessa vez os motivos, que num primeiro olhara parecem bem étnicos vieram dos desenhos das carrocerias de caminhões. Daí os vários looks de malha bem fininha e molenga com estampas em tons terrosos e pastéis que aparecem hora cobrindo a peça toda, hora de forma mais pontual.

 

Os bordados aparecem bem brilhantes, quase sempre sobrepondo as estampas de peças de silhueta bem ampla e formas soltas, bem confortáveis. Gustavo trabalha bastante – muito bem – com a questão da assimetria, com vestidos, saias e blusas mais estruturados, meio no estilo envelope, com sobreposição de camadas, mas sempre com comprimentos diferentes, fazendo um bom contraponto aos looks mais soltos.

 

Em seguida foi a vez a intervenção do coletivo Tuti Cofusi com suas roupas clubbers-anos 80-punk, com um pouco daquele fundamento de reciclagem, bem parecido com os trabalhos do estilista inglês Noki. Uma apresentação bem experimental, com cara de intervenção mesmo, meio que contando um historinha com climas diferentes.

 

Attention Deaf Disorder (ADD) foi a terceira marca a se apresentar. Depois de pular uma temporada volta sem grandes novidades. Misturando estampas étnicas com estilo californiano a grife continua focada no comercial, mostrando um desfile sem grandes novidades, apenas com boas combinações de bermuda, calça, camiseta, hoodies e também uma linha de alfaiataria. Tudo bem simples, pronto para ir direto para o consumidor final. Afinal, quando os acessórios – como a bolsa de rede ou o relógio com pulseira de pano – são os destaques da coleção é porque algo não está certo.

 

 

Na Diva, a estilista Andréa Ribeiro teve as emoções como tema. Ok, emoções e Elis Regina. O resultado foi tão amplo quanto o tema. Começando com vestidos fluídos estampados, fazendo referência ao glamour dos anos 70, mas com um bom toque de brasilidade. Porém, pecavam pelo mal acabamento, modelagem um pouco esquisita e tecidos de má qualidade. Depois entram os looks mais estruturados, com cintura marcada, numa coisa anos 50 encontra os 70. É aí que Andréa se saia melhor, principalmente nos looks em marinho e vermelho como vestido curto azul marinho de linho de seda com lacinhos nos botões frontais, ou para o vermelho no mesmo estilo. Os looks com brocados acabaram ficando datados de demais, talvez pelo styling que ao invés de ajudar, só atrapalhou. E por fim, looks com estampas de lenços, que junto com as correntes, foi outra inspiração bem forte da estilista.

 

 

Nesta edição o estilista Marcelu Ferraz decidiu estrear no masculino, deixando toda sua linha feminina de fora da passarela. O resultado foi bem ok. O tema era basicamente o Rio de Janeiro. E quando se pensa em Rio, o que se vem em mente? Ternos brancos, roupas frescas, linho, algodão fininho, estampas praianas de coqueiros, flores e papagaios, samba, bossa nova, e meninos lindos com corpos perfeitos. Clichê? Pois é, mas foi bem isso que o estilista e também host da The Week apresentou em seu desfile.

 

 

E para fechar o primeiro dia da Casa de Criadores com chave de ouro – mesmo que esta não tenha brilhado tanto como de costume –, o tão aguardado Walério Araújo. O tema? “É algo que eu tenho muita vontade de fazer, e que um dia eu ainda vou fazer: alta-cosutra”, como o próprio estilista disse no back-stage. Daí todo o luxo e sofistiação que já se podia ver a pleno vapor no primeiro look de Bruna Sotini que abriu o desfile num vestido longo de paetês dourado, todo em camadas.

 

Daí em diante foi um vestido mais exuberante que o outro. Balonê, com franja, com aplicações de flores, brilhantes, rendas, pregas, babados, saias godês bem volumosas e sempre com acessórios de cabeça dignos de um Philip Treacy. Looks que exalavam luxo e glamour e referências à Gaultier, Lanvin, Dior, Galliano e McQueen. Mas espera aí. Como a música dos Tings Tings mesmo dizia: That’s not my name!

 

 

E com o batidão à la funk carioca desta música, os mesmo vestidos voltam a passarela agora com versões mais curtas e também mais no estilo Walério que estamos acostumados. É como se a alta-costura virasse “baixa-costura”, nas palavras do estilista.

 

O vestido cheio de camadas de Bruna, vira um sexy micro vestido paetizado soltinho. O longo rendado com cristais bordados de Claudia Leite, um sexy vestido curto, bem justo. As saiais godês volumosas, são deixadas de lado, revelando hot-pants cheias de sensualidade. O vestido com top e barra de plumas, vira um micro – e bem micro mesmo – vestido de penas. O rosa longo, cheio de tiras, lembrando muito a última coleção da Lanvin, acaba parecendo um Hervé Léger por Walério Araújo. E por fim, o longo com flores aplicadas na ampla saia godê, um tubinho bem justo de um ombro só com uma flor no ombro, bem Sex and The City.

 

Fotos Agência Fotosite

 

 

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