Casa de Criadores #3

CASA DE CRIADORES, verão 2009 No Comments »

 

Dia babado na Casa de Criadores, ou melhor, dia de babados. É que este volume foi o que mais apareceu nas coleções desfiladas no último dia de evento, que começou com uma realocação. O desfile das marca Gêmeas, que estava previsto para acontecer no heliponto do Shopping Frei Caneca, teve que ser transferido às pressas para a sala de desfile devido ao frio que chuva que fazia ontem (30/5).

 

 

Mas quando a coleção é boa, dificilmente a locação pode atrapalhar muito. Carolina e Isadora Krieger mostram uma coleção basicamente de vestidos, com shape meio anos 70, mas bem de leve. Variando entre mais estruturados como o os de tecido de toalha de mesa e ponto cruz e o navy/militar branco e mais soltos como os pretos com rendas e debruns dourados na barra. A única estampa de toda a coleção é um xadrez de amarelo e preto, que também são um dos poucos elementos que evocam aquela estética rocker, por qual a dupla ficou bem conhecida. O masculino vem mais discreto, com calças de alfaiataria mais justas e camisas, com destaque para a xadrez com laço na gola. Interessante notar o quanto as estilistas conseguem evoluir em termos técnicos e de estilo, sem perder sua identidade.

 

 

O mesmo já não acontece na marca Ash que fechou os desfiles. Conhecidos – e hypados – por suas estampas manuais em tons fluo, meio estilo grafite, a dupla parece presa na mesma fórmula. Apesar de uma coleção boa, com protesto fugere urbens, pedindo o retorno para a natureza, Guil Macedo e Roberto Leme não mostram muita evolução. Mudaram, sim, tentando mostrar peças, ainda que bem focadas no streetwear e com silhuetas descoladas, modelagens mais elaboradas que no fim acabaram não dando muito certo.

 

 

No meio desses dois teve o bom desfile Ianire Soraluze, com sua coleção feminina, cheia de babados, principalmente na barra das saias e vestidos que vinha ora bem curtinhos, ora longos até o chão. Ainda que as peças com muito volume, ou as pantalonas por exemplo não tivessem muito sucesso, a estilista acerta nos detalhes, como o matelassê no vestido branco ou no de brim e na cartela de cores bem feminina e alegre.

 

 

Migrando do Projeto Lab para o line-up oficial André Phergon se inspira no universo infantil, mostrando um discreta evolução, principalmente nos looks femininos, ao contrário de suas duas últimas coleções. Com boa mistura de estampas, recortes e sobreposições, o estilista mostra bom trabalho nos plissados e em algumas construções mais assimétricas. Todavia, são as peças menos despretensiosas que acabam chamando mais a atenção.

 

O último dia também contou com o desfile da marca Prints I Like, que teve nas estampas – e apenas nelas – seu ponto alto. A marca Purpure, de Weider Silveiro e Mark Geiner tentou misturar alta-cosutra com beachwear. O resultado foi maiôs complicados demais, com muitos excessos e que tentaram substituir as estampas por texturas – daí as misturas de materiais de diferentes tonalidades e texturas, como vinil, couro, cetim e jacquard de seda.

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