Posts Tagged ‘Gêmeas’

Casa de Criadores inverno 2010 – Gêmeas

Monday, November 23rd, 2009

Quem precisa de um tema quanto se tem emoções? As irmãs Carolina e Isadora Krieger, estilistas da grife Gêmeas, não quiseram basear seu Inverno 2010 num assunto específico. Em vez disso, preferiram construir toda uma coleção em torno dos sentimentos que a música “Everybody’s Gotta Learn Sometimes” – trilha sonora do filme “Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças”, por Beck – desperta em cada uma delas.

gemeas_inverno2010

No primeiro momento, as emoções da dupla transbordam no romantismo traduzido em babados e alguns drapeados que decoravam os ótimos vestidos estilo Anos 20 – formas soltas e alongadas, com cintura na altura do quadril – que se relacionam tão bem com a identidade da grife. Não é de hoje que as irmãs apostam nessa referência para falar de uma mulher romântica e delicada, ainda que forte e segura, exatamente como aquelas que trocavam os espartilhos pelos achatadores de seios e vestidos alongados que não marcavam o corpo.

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Casa de Criadores Verão 2010 – 3º Dia

Sunday, May 31st, 2009
Gêmeas verão 2010

Gêmeas verão 2010

O terceiro dia desfiles da 25ª edição da Casa de Criadores chegou a decepcionar. Das 7 marcas que se apresentaram no dia só 3 apresentam coleções dignas de comentários. A primeira delas, que abriu o último dia do evento, foi a Gêmeas, de Carolina e Isadora Krieger. Inspirada no México, a coleção vem – como já era de se esperar – quase toda baseada no preto, ficando por conta dos bordados típicos da cultura mexicana a inserção de cor.

O ponto alto da coleção, contudo fica por conta dos vestidos, principalmente aqueles numa silhueta levemente mais próxima ao corpo, com boa proporção e com apenas alguns elementos pontuais que remetem ao tema. Bordados bem localizados em golas ou aplicações de flores se mostravam mais bem resolvidos do quando aplicados sobre toda a peça. Destaque também para as peças voltas a alfaiataria, como o bom blazer de proporções levemente aumentadas e as boas calças de modelagem um pouco mais largas – uma cenoura de proporções excelentes e outra um pouquinho mais próxima do corpo com corte mais reto.

No Hay Banda verão 2010

No Hay Banda verão 2010

Uma roupa leve, com formas soltas e volumes bem localizados foram alguns dos destaques do verão 2010 da No Hay Banda. O ponto de partida das estilistas Claudia Mine, Bruna Santini e Juliana Roso foi a luz e as diferentes formas de como ela é absorvida, refletida e refratada. Daí dá para entender o porque das cores super suaves, as sobreposição de tecidos brilhoso com outros o opacos e também a assimetria de alguns bordados.

Mas por mais complicado que o tema possa parecer, o trio mostrou potencial e algumas boas peças, caso da saia azul de cintura alta com pregas horizontais, ou então do vestido branco bem leve que abre o desfile. Experimental na medida certa, a coleção mostrou exatamente o que se espera de uma marca jovem. Ousadia, exercícios de modelagem e estilismo, aliados a um acabamento considerável e foco num desejo de poder ser comercial.

Walerio Araujo verão 2010

Walério Araújo verão 2010

E como já é de costume, quem encerrou com chave de ouro – quase que literalmente – foi Walério Araújo, que nesta coleção quis traduzir paras roupas sua visão sobre arte. “Na verdade é uma homenagem as pessoas que trabalham comigo, as bordadeiras, as costureiras, DJ…”, contou Walério no backstage. “Daí quis também trabalhar o conceito de nudez, mas sem hipocrisia e de forma atual,” continua para explicar o porque das transparências, dourados, prateados e tons de pele. “Para lembrar as estátuas e esculturas gregas”.

Mas mais do que isso, o verão 2010 de Walério Araujo mostra o estilista no seu melhor nível. Já faz algumas coleções que vemos essa tentativa de deixar sua mulher mais sofisticada, e nunca essa vontade esteve tão perfeitamente ligada a essência da marca. No geral, podemos dividir a coleção em dois grupo. Um mais elaborada, e sofisticado, dominado por brilhos e tonalidades de dourado e bronze. Aqui o trabalho manual é dos mais exuberantes. Como no vestido cheio de flores bordados usado por Vivianne Orth, ou então no dourado feito com o bico “vai-e-vem” da marca de azeite que patrocinou o desfile e também, o body cheio de maxi cristais – um dos melhores looks de todo o desfile. É aqui também onde Walério dá mais espaço a sua fantasia e ousadia. Ao mesmo tempo que busca uma sofisticação quase que clássica, não deixa de lado seu lado mais abusado, como no macacão de lamê dourado super justo, nas transparências.

Walerio Araujo verão 2010

Walério Araújo verão 2010

O outro bloco dá conta das roupas mais “fáceis” de marca. Aqui Walério aproveita para brincar com as estampas de corpos nus de um jeito quase trompe l’oeil. Em vestidos mais simples e curtos aplica as fotos ora de jeito realista ora formando estampas meio caleidoscópicas. Destaque aqui também para o macacão cinza rendado, extremamente sofisticado e super fácil de chegar a vida real.

Casa de Criadores – 2a dia

Wednesday, December 10th, 2008

De volta ao line-up oficial da Casa de Criadores (CdC) quem abre o 2o. dia são as irmãs Carolina e Isadora Fróes Kireger, da Gêmeas. O inverno 2009 da dupla vem todo inspirado nas peças de balé de Tchaikovsky, principalmente o Lago dos Cisnes, que até ganhou mini apresentação com bailarinas no começo do desfile. Quanto a coleção, parece que a dupla deu um passo para trás. Depois de três boas coleções, mostrando bons sinais de evolução, voltam a investir naquela estética meio rocker alternativo, com referências 80′s bem carregadas, vide os vários looks em lamê, que já se mostram um tanto quanto ultrapassados.

Charles Naseh/Chic.com.br

A dupla mostrou tanto potencial em coleções passadas, com excelentes trabalhos de bordados, uma boa alfaiataria e um capacidade de expandir o universo sem perder a identidade, que agora deixou tudo um pouco simples demais. Os looks mais justos que abrem o desfile, com bordados dourados, mostram-se bem aquém do que as estilistas mostram que podem fazer. A coleção começa a ficar mais interessante com o vestido rendado sobreposto a outro da lamê dourado e depois nos looks mais soltos em couro resinado.

Quem mostrou bons sinais de evolução foi Mario Franciso, da Der Metropol. Na temporada passada a grife já encantou com seu masculino bem construído, com formas contemporâneas que apesar de forte apelo comercial, carregavam boa informação de moda. Agora para o inverno 2009 o estilista dá uma limpada em alguns detalhes de construção que se mostraram excessivos na coleção passada e apresenta looks cheios de diferencial como as boas sarouels com costuras, recortes e zíperes diagonais, blazers com proporções alteradas, quase descontruídos, e camisetas com estampas quase românticas com boa pegada rocker.

Charles Naseh/Chic.com.br

Charles Naseh/Chic.com.br

O que mais impressiona, além da boa tradução e desdobramento da inspiração (o grunge de Alice in Chains e analogias de características das composições da banda, sendo a decepção amorosa e a morte – daí os vários recortes, estampas de corações sangrando), é o cuidado na construção das peças. Até em uma simples regata preta até em bermudas sarouel com abotoaduras diagonais ou então nos blazers com proporções toda alteradas e principalmente nas várias versões de sarouel em moletom.

Charles Naseh/Chic.com.br

Charles Naseh/Chic.com.br

A Diva, desta vez olhou para o perigoso universo kitsch para sua coleção. Daí vieram os tecidos nada convencionais, ou utilizados para fins diversos, como cortinas, capas para toalha de mesa, cobertores, almofadas e por aí vai. Acontece, como já foi apontado em quase todas suas demais coleções, que o styling do desfile aparece carregado demais, ou como foi o caso, levando o kistch muito a sério. As roupas por si só já vinham cheias de informação, como o vestido xadrez que abre o desfile com mandas e barras plastificadas (o plástico está em alta, né?), e o styling carregava ainda mais os looks, adicionado ainda mais informação, tipo os cintos com arranjos de flor.

A coleção, analisada peça a peça no bakcstage até que possui elementos bem desejáveis e fácil de chegar num consumidor final, como é o caso do vestido verde musgo de lã, com laços nas laterais. O problema é que a imagem vem com tanta informação na passarela que acaba ofuscando as boas peças da marca.

Charles Naseh/Chic.com.br

Charles Naseh/Chic.com.br

O coletivo P’Tit quis falar de art decó para seu inverno 2009, o que explica o porque de tantas linhas retas e formas mais geometrizadas em sua coleção. Coleção esta que veio bem mais limpa do que as passadas, sem aquela profusão de pathcwork e construção em moulage complicada demais. De certo modo isso tudo continua, só que de forma muito mais simples e limpa, o que não tirou nem um pouco o encanto da coleção. Bem pelo contrário. As formas puras e geométricas do art decó encontraram bom contraponto na moulage que o coletivo tanto gosta de trabalhar, vide a saia azul meio enrolada. Destaque também para a alfaiataria geometrizada, com ombros pontudos e lapela quadrada, ótimo para essa onda blazer que está rolando. Os vestidos que mixam bem formas retas com construções mais orgânicas, ou tecidos mais fluídos também são uma boa opção do grupo. Ah, e os bons acessórios, cheios de sofisticação e elegância.

Casa de Criadores #3

Saturday, May 31st, 2008

 

Dia babado na Casa de Criadores, ou melhor, dia de babados. É que este volume foi o que mais apareceu nas coleções desfiladas no último dia de evento, que começou com uma realocação. O desfile das marca Gêmeas, que estava previsto para acontecer no heliponto do Shopping Frei Caneca, teve que ser transferido às pressas para a sala de desfile devido ao frio que chuva que fazia ontem (30/5).

 

 

Mas quando a coleção é boa, dificilmente a locação pode atrapalhar muito. Carolina e Isadora Krieger mostram uma coleção basicamente de vestidos, com shape meio anos 70, mas bem de leve. Variando entre mais estruturados como o os de tecido de toalha de mesa e ponto cruz e o navy/militar branco e mais soltos como os pretos com rendas e debruns dourados na barra. A única estampa de toda a coleção é um xadrez de amarelo e preto, que também são um dos poucos elementos que evocam aquela estética rocker, por qual a dupla ficou bem conhecida. O masculino vem mais discreto, com calças de alfaiataria mais justas e camisas, com destaque para a xadrez com laço na gola. Interessante notar o quanto as estilistas conseguem evoluir em termos técnicos e de estilo, sem perder sua identidade.

 

 

O mesmo já não acontece na marca Ash que fechou os desfiles. Conhecidos – e hypados – por suas estampas manuais em tons fluo, meio estilo grafite, a dupla parece presa na mesma fórmula. Apesar de uma coleção boa, com protesto fugere urbens, pedindo o retorno para a natureza, Guil Macedo e Roberto Leme não mostram muita evolução. Mudaram, sim, tentando mostrar peças, ainda que bem focadas no streetwear e com silhuetas descoladas, modelagens mais elaboradas que no fim acabaram não dando muito certo.

 

 

No meio desses dois teve o bom desfile Ianire Soraluze, com sua coleção feminina, cheia de babados, principalmente na barra das saias e vestidos que vinha ora bem curtinhos, ora longos até o chão. Ainda que as peças com muito volume, ou as pantalonas por exemplo não tivessem muito sucesso, a estilista acerta nos detalhes, como o matelassê no vestido branco ou no de brim e na cartela de cores bem feminina e alegre.

 

 

Migrando do Projeto Lab para o line-up oficial André Phergon se inspira no universo infantil, mostrando um discreta evolução, principalmente nos looks femininos, ao contrário de suas duas últimas coleções. Com boa mistura de estampas, recortes e sobreposições, o estilista mostra bom trabalho nos plissados e em algumas construções mais assimétricas. Todavia, são as peças menos despretensiosas que acabam chamando mais a atenção.

 

O último dia também contou com o desfile da marca Prints I Like, que teve nas estampas – e apenas nelas – seu ponto alto. A marca Purpure, de Weider Silveiro e Mark Geiner tentou misturar alta-cosutra com beachwear. O resultado foi maiôs complicados demais, com muitos excessos e que tentaram substituir as estampas por texturas – daí as misturas de materiais de diferentes tonalidades e texturas, como vinil, couro, cetim e jacquard de seda.

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