De volta ao line-up oficial da Casa de Criadores (CdC) quem abre o 2o. dia são as irmãs Carolina e Isadora Fróes Kireger, da Gêmeas. O inverno 2009 da dupla vem todo inspirado nas peças de balé de Tchaikovsky, principalmente o Lago dos Cisnes, que até ganhou mini apresentação com bailarinas no começo do desfile. Quanto a coleção, parece que a dupla deu um passo para trás. Depois de três boas coleções, mostrando bons sinais de evolução, voltam a investir naquela estética meio rocker alternativo, com referências 80′s bem carregadas, vide os vários looks em lamê, que já se mostram um tanto quanto ultrapassados.

Charles Naseh/Chic.com.br
A dupla mostrou tanto potencial em coleções passadas, com excelentes trabalhos de bordados, uma boa alfaiataria e um capacidade de expandir o universo sem perder a identidade, que agora deixou tudo um pouco simples demais. Os looks mais justos que abrem o desfile, com bordados dourados, mostram-se bem aquém do que as estilistas mostram que podem fazer. A coleção começa a ficar mais interessante com o vestido rendado sobreposto a outro da lamê dourado e depois nos looks mais soltos em couro resinado.
Quem mostrou bons sinais de evolução foi Mario Franciso, da Der Metropol. Na temporada passada a grife já encantou com seu masculino bem construído, com formas contemporâneas que apesar de forte apelo comercial, carregavam boa informação de moda. Agora para o inverno 2009 o estilista dá uma limpada em alguns detalhes de construção que se mostraram excessivos na coleção passada e apresenta looks cheios de diferencial como as boas sarouels com costuras, recortes e zíperes diagonais, blazers com proporções alteradas, quase descontruídos, e camisetas com estampas quase românticas com boa pegada rocker.

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O que mais impressiona, além da boa tradução e desdobramento da inspiração (o grunge de Alice in Chains e analogias de características das composições da banda, sendo a decepção amorosa e a morte – daí os vários recortes, estampas de corações sangrando), é o cuidado na construção das peças. Até em uma simples regata preta até em bermudas sarouel com abotoaduras diagonais ou então nos blazers com proporções toda alteradas e principalmente nas várias versões de sarouel em moletom.

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A Diva, desta vez olhou para o perigoso universo kitsch para sua coleção. Daí vieram os tecidos nada convencionais, ou utilizados para fins diversos, como cortinas, capas para toalha de mesa, cobertores, almofadas e por aí vai. Acontece, como já foi apontado em quase todas suas demais coleções, que o styling do desfile aparece carregado demais, ou como foi o caso, levando o kistch muito a sério. As roupas por si só já vinham cheias de informação, como o vestido xadrez que abre o desfile com mandas e barras plastificadas (o plástico está em alta, né?), e o styling carregava ainda mais os looks, adicionado ainda mais informação, tipo os cintos com arranjos de flor.
A coleção, analisada peça a peça no bakcstage até que possui elementos bem desejáveis e fácil de chegar num consumidor final, como é o caso do vestido verde musgo de lã, com laços nas laterais. O problema é que a imagem vem com tanta informação na passarela que acaba ofuscando as boas peças da marca.

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O coletivo P’Tit quis falar de art decó para seu inverno 2009, o que explica o porque de tantas linhas retas e formas mais geometrizadas em sua coleção. Coleção esta que veio bem mais limpa do que as passadas, sem aquela profusão de pathcwork e construção em moulage complicada demais. De certo modo isso tudo continua, só que de forma muito mais simples e limpa, o que não tirou nem um pouco o encanto da coleção. Bem pelo contrário. As formas puras e geométricas do art decó encontraram bom contraponto na moulage que o coletivo tanto gosta de trabalhar, vide a saia azul meio enrolada. Destaque também para a alfaiataria geometrizada, com ombros pontudos e lapela quadrada, ótimo para essa onda blazer que está rolando. Os vestidos que mixam bem formas retas com construções mais orgânicas, ou tecidos mais fluídos também são uma boa opção do grupo. Ah, e os bons acessórios, cheios de sofisticação e elegância.