London Fashion Week – Christopher Kane, Marios Schwab, Luella e Meadham Kirchhoff
Monday, September 21st, 2009Christopher Kane definitivamente tem uma queda pelo estilo norte-americano principalmente o do oeste. Elementos westerns já serviram de inspiração para coleções passadas e agora esse mesmo estilo volta a dar o tom para o verão 2010 do estilista. Nancy Regan encontra Brigitte Bardot numa imagem híbrida de feminilidade, delicadeza e sensualidade.
Vestidos leves em chiffon xadrez carregam uma aparente simplicidade e leveza, aos poucos ganham inserções de estruturas corsetadas responsáveis por atribuir uma certa imponência sensual e sofisticada aos looks. Sem perder a delicadeza fendas abusadas revelam as pernas durante o caminhar, enquanto recortes e transparências dão ligeiras amostras de pele, exalando ainda mais essa sexualidade inocente da coleção. Mostrando uma imensa habilidade técnica e sensibilidade estética, Kane manuseia tecidos finos e leves com outros mais pesados de maneira primorosa, atribuindo aos looks delicados e femininos, aquela subversão sexy que sempre marcam suas coleções.
Trabalhando num delicioso jogo de opostos Chirstopher Kane mostra porque é um dos mais promissores novos talentos da moda britânica. Agradando tanto a fashionistas ávidos por imagens de moda poderosas, como consumidoras a procura de boas roupas.
Já Marios Schwab tem uma quedinha por temas literalmente cerebrais. Em coleções passadas transportou para suas roupas o interior do corpo humano e aberturas e fendas de rochas encontradas na superfície da terra. Porém, nem sempre temas complexos consegue ser traduzidos de forma clara para moda.
O verão 2010 do estilista é um desses casos. Partindo de uma série de conceitos sobre o numeral 3, Schwab trabalha seus looks dividindo-os em três camadas: a primeira, consiste de um top estruturado ou encorpado, geralmente em referência a alfaiataria, como mini blazreres ou colete. A segunda uma parte mediana, vem mais próxima ao corpo, ora com amarrações, pregas, delicados drapeados ou volume de anágua, dando forma de sino a saias de organza. A terceira consiste de calças de modelagem ligeiramente ampla ou saias cheias de drapeados que se estendem até o chão.
Embora com apurada técnica,tecidos de qualidade e boas peças separadas, o resultado final traz proporções estranhas que quase deformam a silhueta feminina. Salvo algumas exceções onde texturas e estampas se coordenam de forma interessante, ou quando saias estruturadas se sobrepõem a outras mais justas e com comprimento no joelho, a regra de três de Schwab parece mais uma equação mal resolvida.
Luella Bartley também investe no volume estruturado das saias na região do quadril, só que de maneira extremamente delicada e feminina. Com clima 60′s, repleta de tons pastel e cores suaves, a estilista dá formas românticas a casacos e saias que apresentam tecidos estruturados que marcam a cintura e acentuam o quadril em casaquinhos, mini vestidos e saias com formas arredondadas. Contudo, apesar de peças que vão entrar na wish-list de 10 em cada 10 consumidoras da marca, a coleção parece um pouco simples demais e esvaziada de sentido.
Muito antes de Christopher Decarin na Balmain e Alexander Wang fazerem o look tough chic virar hit, Edward Meadham e Benjamin Kirchhoff na Meadham Kirchhoff já faziam o look sua marca registrada. Agora para o verão 2010 dão a esse visual repleto de referências do grunge dos anos 90 ares mais românticos a medida que contrapõem formas rígidas e mais agressivas a tecidos soltos, geralmente transparentes com drapeados e dobras de aparência natural, quase se desfazendo. Contrapondo a agressividade dos pretos e brancos detonados, com a delicadeza de brilhos e rosas lavados, mostram sinais de evolução. O que poderia mostrar uma dualidade de estilos, resulta num delicioso jogo de opostos, mas sempre sobre uma mesma base.
Texto publicado originalmente no site do SPFW.



























