Posts Tagged ‘London Fashion Week’

London Fashion Week – Christopher Kane, Marios Schwab, Luella e Meadham Kirchhoff

Monday, September 21st, 2009

Christopher Kane definitivamente tem uma queda pelo estilo norte-americano principalmente o do oeste. Elementos westerns já serviram de inspiração para coleções passadas e agora esse mesmo estilo volta a dar o tom para o verão 2010 do estilista. Nancy Regan encontra Brigitte Bardot numa imagem híbrida de feminilidade, delicadeza e sensualidade.

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Vestidos leves em chiffon xadrez carregam uma aparente simplicidade e leveza, aos poucos ganham inserções de estruturas corsetadas responsáveis por atribuir uma certa imponência sensual e sofisticada aos looks. Sem perder a delicadeza fendas abusadas revelam as pernas durante o caminhar, enquanto recortes e transparências dão ligeiras amostras de pele, exalando ainda mais essa sexualidade inocente da coleção. Mostrando uma imensa habilidade técnica e sensibilidade estética, Kane manuseia tecidos finos e leves com outros mais pesados de maneira primorosa, atribuindo aos looks delicados e femininos, aquela subversão sexy que sempre marcam suas coleções.

Trabalhando num delicioso jogo de opostos Chirstopher Kane mostra porque é um dos mais promissores novos talentos da moda britânica. Agradando tanto a fashionistas ávidos por imagens de moda poderosas, como consumidoras a procura de boas roupas.

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Marios Schwab tem uma quedinha por temas literalmente cerebrais. Em coleções passadas transportou para suas roupas o interior do corpo humano e aberturas e fendas de rochas encontradas na superfície da terra. Porém, nem sempre temas complexos consegue ser traduzidos de forma clara para moda.

O verão 2010 do estilista é um desses casos. Partindo de uma série de conceitos sobre o numeral 3, Schwab trabalha seus looks dividindo-os em três camadas: a primeira, consiste de um top estruturado ou encorpado, geralmente em referência a alfaiataria, como mini blazreres ou colete. A segunda uma parte mediana, vem mais próxima ao corpo, ora com amarrações, pregas, delicados drapeados ou volume de anágua, dando forma de sino a saias de organza. A terceira consiste de calças de modelagem ligeiramente ampla ou saias cheias de drapeados que se estendem até o chão.

Embora com apurada técnica,tecidos de qualidade e boas peças separadas, o resultado final traz proporções estranhas que quase deformam a silhueta feminina. Salvo algumas exceções onde texturas e estampas se coordenam de forma interessante, ou quando saias estruturadas se sobrepõem a outras mais justas e com comprimento no joelho, a regra de três de Schwab parece mais uma equação mal resolvida.

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Luella Bartley também investe no volume estruturado das saias na região do quadril, só que de maneira extremamente delicada e feminina. Com clima 60′s, repleta de tons pastel e cores suaves, a estilista dá formas românticas a casacos e saias que apresentam tecidos estruturados que marcam a cintura e acentuam o quadril em casaquinhos, mini vestidos e saias com formas arredondadas. Contudo, apesar de peças que vão entrar na wish-list de 10 em cada 10 consumidoras da marca, a coleção parece um pouco simples demais e esvaziada de sentido.

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Muito antes de Christopher Decarin na Balmain e Alexander Wang fazerem o look tough chic virar hit, Edward Meadham e Benjamin Kirchhoff na Meadham Kirchhoff já faziam o look sua marca registrada. Agora para o verão 2010 dão a esse visual repleto de referências do grunge dos anos 90 ares mais românticos a medida que contrapõem formas rígidas e mais agressivas a tecidos soltos, geralmente transparentes com drapeados e dobras de aparência natural, quase se desfazendo. Contrapondo a agressividade dos pretos e brancos detonados, com a delicadeza de brilhos e rosas lavados, mostram sinais de evolução. O que poderia mostrar uma dualidade de estilos, resulta num delicioso jogo de opostos, mas sempre sobre uma mesma base.

Texto publicado originalmente no site do SPFW.

London Fashion Week: Danielle Scutt, Louise Goldin e Matthew Williamson

Monday, September 21st, 2009

Para provar que após 25 anos, a London Fashion Week ainda é uma das maiores incubadoras de novos talentos, o British Fashion Council preparou uma série de eventos e ações de patrocínio e incentivo, responsáveis por injetar alta dose de energia na semana da moda britânica. O desafio é fazer com que as jovens marcas que se apresentem no evento possam sobreviver ao hype, e acima de tudo tornar-se rentáveis.

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Tais ações demandam tempo e dependem quase que 80% da sensibilidade e maturidade dos estilistas. Danielle Scutt, é uma que parece ter perfeita ciência disso. Desde que começou a desfilar na LFW em 2007, já tinha sua identidade bem definida: um  look amazona, repleto de referência aos anos 80. Desde então, vem evoluindo sua estética “body conscious” e adaptando-a para as vontades do momento.

Dessa vez não é diferente. Com apurado faro pelo que a moda pede agora, seu verão 2010 parece uma homenagem a excêntrica estilista Zandra Rhodes. Assim como para Marc Jacobs, os babados são praticamente protagonistas de suas coleção. Aparecem nas mangas de finas blusas de seda e discretamente em curtas saias evasê que completam os looks 80´s de ombros bem marcados. As estampas, contudo, (também em referência a Zandra Rhodes) vem num grande mix de desenhos, passando por motivos quase tribais, formas geométricas e linhas curvas, as vezes todas juntas, principalmente nos vestidos bem justo ao corpo.

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Fast-foward uma década, e os vestidos de sexy amazonas que estamparam campanhas da Versace no auge da era das supermodelos, se fundem aos sutiãs em cone que Jean Paul Gaultier criou para a Blond Ambition Tour de Madonna em 1990, numa das mais maduras coleções de Louise Goldin. A estilista que elevou o tricô a proporções jamais imaginadas agora dá a ele forma estruturadas em peças que lembram armaduras de gladiadores futuristas, ou extrema leveza em peças transparentes, como se feitas de tule.

Ao contrapor formas soltas e leves, com outras rígidas e sem movimento, ao dar delicadeza e volume bufante a bermudas de couro, Louis Goldin fala de feminilidade sem ser doce demais, ao mesmo tempo em que fala de força e sensualidade sem cair em clichês ou obviedades. Falta agora, Goldin deixar claro que todo esse primor técnico pode ser útil também para peças mais fáceis de serem assimiladas pelo público.

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Matthew Williamson foi uma vez um dos estilistas mais icônicos dos anos 90 em Londres, com seu estilo boho, repleto de estampas. Mas depois de algumas temporadas desfilando em Nova York, decidiu fazer de seu retorno a LFW um marco de mudanças para sua marca.

Um maior foco em formas e estruturas, do que em estampas, dá ares maduros e urbanos ao estilo da marca. Vestidos justos em tecidos brilhosos (couro resinado e vinil) aparecem em tons neutros ou pastel pontuados por aplicações de placas espalhadas em formas geométricas ou recortes em tons fluo. Blazeres de ombros marcados se sobrepõem a camisas de tecidos sintéticos transparentes, se prendem dentro de calças ultra-justas. As poucos estampas que aparecem, vem sob essa nova estética, mais gráfica e geométrica, sempre mais contidas e em função das formas. Com isso, Williamson dá a suas roupas moldes mais atuais, que não as deixam restritas a cidades praianas ou festas glamourosas em yatches durante o verão europeu.

London Fashion Week – Meadham Kirchoff e Roksanda Ilincic

Wednesday, February 25th, 2009

Realmente não é fácil pegar aquele estilo detonado do punk dos anos 80, com um pouco do despojamento e aspecto largado/sujo do grunge dos 90 e fazer algo glamouroso e com certo status fashion. Demorou um bom tempo para Christopher Decarin acertar essa fórmula responsável por transformar a Balmain numa das marcas mais desejadas de atualidade.

Marcio Madeira / Style.com

Marcio Madeira / Style.com

O tema é delicado – apesar da aparência agressiva. Não precisa de muito para cair rapidinho no banal, clichê e até mesmo num deja-vu sem fim de re-edições dos anos 80. Talvez por isso que a marca Meadahm Kirchoff tenha ficado tanto tempo meio esquecida enquanto – bem antes que Decarin, diga-se de passagem – experimentava com lavagens, recortes, tingimentos e aplicações de materiais, sempre visando esse equilíbrio entre uma moda mais sofisticada e uma mais, digamos, underground e agressiva.

Bom, parece que depois de tanto tempo, Ed Meadham e Benjamin Krichoff finalmente chegaram na fase de colher frutos. Começando pelas calças, que ainda podem apresentar pequenos probleminhas de modelagem quando vem um pouco mais soltas. Mas são as mais justas que chama mais atenção, com abertura no joelho – algo que a dupla vem trabalhando há tempos – agora atingindo perfeição. Parece até que é uma bermuda bem justa com uma bota integrada. As camisas rasgadas revelando uma camada meio transparente também merecem destaque, assim como os vestidos de aspecto rústico, com barras esfiapadas, como se não tivessem acabamento. Os brocados dourados e as peças de alfaiataria meio desconstruídas, com seus ombros marcados ou com aplicações de metais, são outras boas peças com forte apelo comercial.

Marcio Madeira / Style.com

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Outra que me surpreendeu foi Roksanda Ilincic. A estilista é conhecida por uma moda naturalmente chic, elegante e sofisticada, com técnicas de costura dignas de alta-costura e uma boa pitada de drama. O problema é que geralmente suas roupas vinham muito carregadas nesse último quesito. Ou seja, era uma explosão de babados, volumes, repuxes e formas praticamente soltas que acabavam por esconder toda sua habilidade.

Mas agora parece que a realidade falou mais alto. Roksanda acalmou a dose de drama em sua coleção e encantou com suas ótimas peças super sofisticadas e simples. E mesmo quando os babados e outros volumes tomam formas mais extravagantes, vem em perfeita harmonia com o clima mais “real” do desfile. Bom também que a estilista apostou em peças separadas e em menos looks de festa, assim deu uma boa dosada no desfile, mostrando – acho que até para ela mesma – que dá para expandir esse seu gosto por uma moda chic e extravagente para looks mais simples para o dia.

London Fashion Week – formas rígidas e estampas dominam as passarelas

Tuesday, February 24th, 2009

Parece que nem o frescor e extravagância dos novos estilista da London Fahsion Week se salvou no meio dessa crise que cada vez mais parece ser criativa ao invés de econômica. Ok, há tempos que o evento vem perdendo todo aquele seu potencial, mas agora parece mais forte do que nunca. Desta vez parece que o foco vem muito mas nas formas, estampas e bom acabamento das roupas do que em super idéias ou imagens poderosas.

Marcio Madeira / Style.com

Marcio Madeira / Style.com

Danielle Scutt, um dos nomes mais jovens participantes do evento foi um que falou sobre formas para seu inverno 2009. No caso, formas que fizeram sucesso nos anos 80, como os ombros bem marcados, silhueta mais justa na parte de baixo, tecidos mais rígidos e até mesmo um pouco de corseteria. A alfaiataria vem bem encorpada com recortes vermelhos nas lapelas, se assemelhando a asas de pássaros. Penas também aparecem estampas em macacões e vestidos numa coleção marcada por uma intensa decoração, seja pela coordenação de estampas ou pela aplicações de materiais mais pesados ou até mesmo recortes de tecidos.

Marcio Madeira / Style.com

Marcio Madeira / Style.com

Falando em estampas, são essas o destaque da Erdem. Com formas não muito inovadoras em vestidos clássico em A, ou bem femininos com cintura marca e saia mais volumosa, Erdem Moralioglu concentra-se na decoração de suas peça, seja em aplicações de rendas, dobraduras de tecidos ou simplesmente nas boas estampas florais. Grandes, pequenas, bem nítidas ou mais atrsy e abstratas, são elas que dão um certa emoção para a coleção, que poderia facilmente passar por monótona ou então por uma “homenagem” a Christian Lacroix.

Marcio Madeira / Style.com

Marcio Madeira / Style.com

Formas futuristas em tecidos rígidos aparecem novamente na coleção de Louise Goldin – a estilista que ficou conhecida por seu incrível trabalho com tricô. A novidade para o inverno 2009, é que Goldin não se limitou apenas a este material, inserindo em seus looks recortes e estruturas em couro – vide os corset meio armaduras e as tiras geométricas em vestidos e leggings – e até um pouco de pele que aparece decorando os ombros de um de seus vestidos.

Ainda que a modelagem pareça não muito bem resolvida em alguns dos looks, é bom ver a estilista expandindo seu universo e também já buscando um certo equilíbrio entre uma imagem de moda poderosa com algo que consiga chegar a um consumidor final. Os bons vestidos em camadas, as leggins, algumas blusas e até mesmo aquels vestidos mais estruturados, mas de formas simples, já mostram-se como bons exemplos.

Marcio Madeira / Style.com

Marcio Madeira / Style.com

Para Marios Schwab formas e estampas trabalham de mãos dadas para conseguir os efeitos tridimensionais e de expansão que o estilistas quis trabalhar em referências aos minerais e cristais que aparecem quando rochas se quebram ao meio. O tema pode parecer cerebral demais, ainda mais quando Schwab diz trabalhar isso ao redor das formas do corpo humano. Mas o resultado é mais real do que nunca.

Temas assim mais complexos já são meio recorrentes na coleção desse que se mostra um dos mais talentosos e promissores estilista britânico. Mas a perfeição na execução e equilíbrio entre imagem de moda e roupa de verdade, aparecem aqui de forma totalmente nova para Schwabs. Camadas duplas – uma peça maior sobre uma menor – foi um dos recursos usados para dar sensação de volumes e tridimensionalidade. Vestidos de formas simples, cintura marcada e silhueta mais próxima ao corpo, aparecem mais pesados graças a essa dupla camada. Depois são estampas que aparecem como rachaduras em vestidos e em peças de alfaiataria, revelando um interior de crista. As vezes as duas técnicas aparem juntas, e mais para frente toda estampas, meio como aqueles livros de imagens 3-D.

Bom ver o estilista mostrando bons sinais de evolução e ainda mais sem se basear em referências do passado como tem acontecido na maiora das coleções desta temporada. Fica claro aqui, que vale mais um moda mais autoral, rica em detalhes e inovação, do que apenas re-edições do passado e foco extremo no comercial.

London Fashion Week – Christopher Kane

Monday, February 23rd, 2009
Marcio Madeira / Style.com

Marcio Madeira / Style.com

Christopher Kane fazendo alfaiataria é algo novo, não? Tudo bem que a cada coleção ele vem inserindo algum elemento inédito em seu trabalho, mas não sei bem porque essa me chocou um pouco. No bom sentido é claro. É bem saudável para um jovem estilista se arriscar pro outras áreas e expandir seu universo.

E quer saber? Apesar de um pouco estranha à primeira vista – talvez por nunca termos vistos antes em suas coleções – a alfaiataria não traz nada de errado. Vem bem clássica, num corte quase que tradicional. Mais atual e contemporâneo acho que são mesmo os xadrezes em tons de cinza, as calças meio masculinas e as boas jaquetas de couro pretas, com pele de carneiro no interior. Essas vem bem volumosas – principalmente nas golas – e numa proporção um pouco mais curta e levemente ajustada ao corpo.

Marcio Madeira / Style.com

Marcio Madeira / Style.com

Mas se você lembra de Christopher Kane por uma certa feminilidade, as vezes bem sexy, essa coleção não fica nada atrás. Dessa vez o estilista apresentou um trabalho bem geométrico, quase construtivista, em tons sóbrios e formas bem contidas. Um pouco tendência demais? Talvez, mas o que interessa é que ainda sim Kane conseguiu traz uma boa dose de frescor e leveza para sua coleção. Aplicando veludo, seda e outros materiais sobre uma fina camada de organza, o estilista dá um aspecto totalmente jovem e até mesmo sensual para esse clima construtivista que serviu como inspiração. Ora em pequenas tiras verticais e horizontais de veludo, ora enroladas em espiral nas saias, o estilista brinca com transparências e uma certa geometria de modo bem descomprometido, valorizando as formas femininas e ainda dentro de seu próprio universo.

Pode não ser sua melhor coleção, mas com certeza toca em alguns pontos que vai fazer bastante sucesso nessa temporada. Além do acabamento delicado, detalhes precisos, fala de sexy sem clichês, tem uma pitada de alfaiataria e aposta em looks mais sóbrios e austeros de um jeito bem jovem, delicado e feminino – algo que com certeza não vai decepcionar suas fiéis consumidoras.

Porjeto do SHOWstudio com Louise Goldin

Thursday, February 19th, 2009

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Está rolando um projeto super legal no SHOWstudio com a estilista britânica Louise Goldin. Aquela que faz coisas incríveis com tricô, trabalhou com a Tereza Santos aqui no Brasil, e agora está se mostrando uma das mais promissores estilistas da London Fashion Week.

Pois bem, o SHOWstudio convidou ela, junto com os filmakers Marcus Werner Hed e Jeremy Valender gravaram uma série de episódios mostrando todos os passos na criação e concepção da sua última coleção (inverno 2009) a ser desfilada semana que vem na London Fashion Week.

O primeiro episódio já está no ar e é meio que um perfilzinho da estilista feito por Sarah Mower(adorei o blazer com ombreiras que ela está usando), Lulu Kennedy (fundadora do Fashion East) e Louise Wilson (diretora da Central Saint Martin). Super recomendo assistir!

Tem mais sobre Louise Goldin aqui e aqui.

London Fashion Week – os mestres das estampas

Thursday, September 18th, 2008

Já reparou como tem um monte de gente (estilista/marca) mostrando uma considerável evolução nesta London Fashion Week? Pois é, a dupla da Basso & Brooke, formada pelo brasileiro Bruno Basso e Christopher Brooke são mais dois que entram para essa grupo.

Sua coleção para o verão 2009, intitulada High-Tech Romance foi toda inspirada no Japão, de onde vem quase todas as estampas assim como boa parte das formas e modelagens apresentadas na tarde de ontem.

Que eles sabem manipular estampas, nos mais variados e refinados tecidos, a gente já sabe, mas agora a dupla mistura essa ótima habilidade com uma modelagem sofisticada e bom trabalho de textura e volumetria. Vestidos quimonos e obis marcados na cintura com maxi cintos estruturados – quase que tridimensionais – vinha no mas variado e explosivo mix de estampas, com direitos a bordados e aplicações de cristais, que as vezes chegavam até a confundir os olhos. Tudo sob as altas plataformas assinadas pela brasileira Raouda Assaf.

Essa ilusão causada pelo boom de estampas e cores serviu para sensação de volume e proporção, que também encontrava realidade nos bons drapeados, plissados e dobraduras que se concentravam na cintura, ora na frente ora na lateral e também nas golas.

London Fashion Week – House of Holland e Richard Nicoll

Wednesday, September 17th, 2008

Henry Holland, da House of Holland, pode até ter ficado conhecido por suas camisetas com estampas de rimas divertidas como nomes famosos da moda. De fato, foram elas que o colocaram sob os holofotes da então efervescente cena fashion londrina. Uma temporada depois Holland já apresenta sua primeira coleção na London Fashion Week como integrante do projeto Fashion East, e não demorou muito até que começasse a se apresentar independentemente.

Até então as camisetas que antes tinha papel principal, foram caindo para seundo plano, ante um street e jeanswear bem colorido, ainda bem focado na estamparia, com aquela pegada bem 80’s e super descolada-underground.

Todas essas características continuam, afinal é seu elo com seus consumidores e seguidores da marca. Só que para o verão 2009 Holland entra num novo patamar, muito mais adulto, muito mais sofisticado e com informação de moda muito mais consistente e madura.

As estampas continuam sendo o ponto chave da coleção. Maxi-poás e florais – como bem pede a estação – aparecem num bom jogo de sobreposição de estampas, que garantem um certo tom inusitado e divertido, como já estamos acostumados. Mas agora os tecidos e sua modo com um todo cresceram. Já no primeiro look do desfiles, o de Agyness Deyn podia se notar isso. Um body de poás sob uma calça de cintura alta de chiffon estampado com flores meio desbotados.

Daí para frente, o estilista trabalha bem a questão da transparência e leveza de chiffon com peças mais justas ao corpo e em tonalidade mais opacas. Experimentações continuam em recortes e modelagens mais ousadas, como os shorts com recorestes laterais ou os jeans com recortes circulares. Todavia são nos looks mais harmoniosos que Holland consegue provar que não pode oferecer muito mais do que uma moda feita de experimentações e calcada nos excessos dos anos 80 e do universo underground.

Embora o desfile comece com uma boa re-edição de um terno à la power dressing dos anos 80, com calça bem solta e blazer de proporções ampliadas, em dois tons de rosa, já anunciando o jogo de blocos de cores que estava por vir, as inspirações originais de Richar Nicoll em sua última coleção são o minimalismo do começo dos anos 90 e o modernismo dos fins dos anos 50.

O tema anunciado só foi se concretizar mesmo lá para o final do desfile, com saias bem acinturadas, levemente estruturadas e adornadas com brocados, sobre camadas mais soltas e fluídas, faziam par com tops de gola alta mais ajustado ao corpo, sempre em variações de um mesmo tom – no caso o verde ou o azul bem claros.

O resto do desfile falava mais de anos 80, com roupas mais geométricas em bons blocos de cor, que Nicoll vai aos poucos desestruturando com formas mais fluídas, como os drapeados que caiam assimetricamente sobre os looks de formas mais delineadas.

London Fashion Week – back to the future(ism)

Wednesday, September 17th, 2008

Giles Deacon, na sua marca Giles, sempre se acaba por abordar temas que da cultura pop, subvertidos a sua estética que varia entre o underground e o gótico-dark-sinistro. Mas para o verão 2009, essa última parte parece perder relevância numa coleção que fala da grafismos, anos 80, futurismo, com pitadas de Courréges e Cardin, sportswears e até um pouco dos anos 90.

O ponto de partida foram artistas gráficos dos fins dos anos 80 e começo dos 90, como Ben Kelly, Peter Saville e Mark Farrow, que eram admirados por Giles em si. Junto com isso veio Pac-Man, um dos primeiros jogos de video-game, que sintetiza de certa forma toda estética desses artistas e também o que significava isso na época.

Os vestidos são quase sempre mais ajustados ao corpo, estampados – de camuflagens, à poás à mini ou maix pac-mans –, ou lisos em cores bem fortes e vivas. O futurismo fica por conta dos looks metalizados, ou com tecidos de aparência plásticas, e também pelos acessórios de cabeça simulado pac-mans gigantes ou os clássicos fantasminhas dos video-game. Ombros e formas mais estruturadas também reforçam esse lado que chega até a flertar de leve com o sci-fi, oferecendo um bom contraponto para os look que se ajustavam mais as formas do corpo.

Giles também não deixa seu lado mais romântico de lado, inserindo-o de forma bem harmônica ao tema da coleção. Vestidos de modelagens mais amplas, ou com saias mais volumosas – característica sempre presente em quase todas suas coleções – dão conta do recado, junto com looks à la Space Age, dos anos 60, com vestidos em A com aplicações de PVC nas barras, mangas e golas.

Um pouco de ficção científica também aparece na coleção da jovem Louise Goldin, conhecida por seu incrível trabalho com tricô. Em sua mais recente coleção, a estilista fala sobre o espaço, sobre como os satélites observam a superfície de terra, o que acabou derivando para um lado quase medicinal do corpo humano.

Fica fácil entender então de onde vem aquelas estruturas rígidas de tricô, num híbrido de armadura com esqueleto externo. Tudo numa cartela de cores que vai do branco, areia e bege para diversos tons de azuis, sempre de forma bem suave.

Para não ficar estereotipado de mais, a garantir uma certa vestibilidade e até mesmo realidade para suas roupas, Goldin faz um bom trabalho com transparências – tendência forte da estação –, brincando com bastante sobreposições entre as peças mais estruturadas, rígidas e opacas, com outras mais fluídas, leves e transparentes. Com isso mostra sua habilidade de manuseio de matérias e também de conhecimento de seu consumidor final, ao passo que atribui uma certa leveza e harmonia à looks que poderiam passar por conceituais de mais.

London Fashion Week – questão de identidade

Wednesday, September 17th, 2008

Na coleção passada (inverno 2008) Christopher Kane, um dos mais promissores novos talentos da London Fashion Week, apresentou uma coleção que falava um pouco sobre água, com grandes “paetês” caindo sobre as roupas cheias de transparentes para reforçar o efeito molhado.

Agora, em sua última coleção (verão 2009), Kane leva esses paetês gigantes ao extremo, transformando-os em recortes circulares de couro ou organza que saltavam para fora de seus looks.

A inspiração era bem selvagem, o filme “Planeta dos Macacos”, “Os Flintones” e o “One Billion Years B.C”. Mas graças a Deus nada foi trabalhado de forma muito literal. Talvez apenas nas blusas e malhas de animal prints, ou nas estampas digitais de gorila – peças mais simples e mais fáceis de usar de coleção que vão deixar os compradores loucos – mas que no contexto todo caíam perfeitamente sem caricatices.

O ponto alto foi mesmo o trabalho com os círculos, que aprecem em diversos momentos. Começando em saias de couro, nas quais os círculos as rondavam totalmente ou de forma mias pontual nas laterais ou na frente, se sobrepondo, passando para vestidos de organza de um ombro-só, todo cheio desses recortes circulares tridimensionais, de forma mais experimental e conceitual, que as vezes ficavam um pouco exagerado de mais.

O melhor mesmo é quando Kane se limita a apenas delinear uma silhueta com seus círculos, ou então aplicá-los de fora mais pontual, num bom jongo de transparências que também vem da coleção passada. Como faz nos vestidos mais curtos, onde os recortes seguem as linhas dos ombros e cintura e as penses, nas calças mais secas delineando toda lateral, ou até nos blazers seguindo todas as costuras e desenhando mesmo a forma do corpo.

Bom ver que o estilista consegue manter uma identidade através de todas sua coleções. Para um iniciante é realmente necessário focar-se nessa construção de imagem, mais do que apenas mostrar roupas desejáveis e novas idéias a cada temporada.

Mais sobre Chrisopher Kane aqui e aqui

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