Casa de Criadores #1

CASA DE CRIADORES, verão 2009 No Comments »

Começou ontem (28/5) a 23a edição da Casa de Criadores, evento dedicado a promover e lançar novos talentos da moda brasileira, principalmente do eixo Rio-São Paulo. Reforçando seu caráter de vanguarda, o evento abre a temporada de moda brasileira para o verão 2009.

 

 

E quem deu o start nisso tudo – e um bom início - foi o estilista Gustavo Silvestre, bem conhecido pelo seu primoroso trabalho artesanal, principalmente com seus bordados, e também pela sua estamparia sempre muito rica e detalhada. Dessa vez os motivos, que num primeiro olhara parecem bem étnicos vieram dos desenhos das carrocerias de caminhões. Daí os vários looks de malha bem fininha e molenga com estampas em tons terrosos e pastéis que aparecem hora cobrindo a peça toda, hora de forma mais pontual.

 

Os bordados aparecem bem brilhantes, quase sempre sobrepondo as estampas de peças de silhueta bem ampla e formas soltas, bem confortáveis. Gustavo trabalha bastante – muito bem – com a questão da assimetria, com vestidos, saias e blusas mais estruturados, meio no estilo envelope, com sobreposição de camadas, mas sempre com comprimentos diferentes, fazendo um bom contraponto aos looks mais soltos.

 

Em seguida foi a vez a intervenção do coletivo Tuti Cofusi com suas roupas clubbers-anos 80-punk, com um pouco daquele fundamento de reciclagem, bem parecido com os trabalhos do estilista inglês Noki. Uma apresentação bem experimental, com cara de intervenção mesmo, meio que contando um historinha com climas diferentes.

 

Attention Deaf Disorder (ADD) foi a terceira marca a se apresentar. Depois de pular uma temporada volta sem grandes novidades. Misturando estampas étnicas com estilo californiano a grife continua focada no comercial, mostrando um desfile sem grandes novidades, apenas com boas combinações de bermuda, calça, camiseta, hoodies e também uma linha de alfaiataria. Tudo bem simples, pronto para ir direto para o consumidor final. Afinal, quando os acessórios – como a bolsa de rede ou o relógio com pulseira de pano – são os destaques da coleção é porque algo não está certo.

 

 

Na Diva, a estilista Andréa Ribeiro teve as emoções como tema. Ok, emoções e Elis Regina. O resultado foi tão amplo quanto o tema. Começando com vestidos fluídos estampados, fazendo referência ao glamour dos anos 70, mas com um bom toque de brasilidade. Porém, pecavam pelo mal acabamento, modelagem um pouco esquisita e tecidos de má qualidade. Depois entram os looks mais estruturados, com cintura marcada, numa coisa anos 50 encontra os 70. É aí que Andréa se saia melhor, principalmente nos looks em marinho e vermelho como vestido curto azul marinho de linho de seda com lacinhos nos botões frontais, ou para o vermelho no mesmo estilo. Os looks com brocados acabaram ficando datados de demais, talvez pelo styling que ao invés de ajudar, só atrapalhou. E por fim, looks com estampas de lenços, que junto com as correntes, foi outra inspiração bem forte da estilista.

 

 

Nesta edição o estilista Marcelu Ferraz decidiu estrear no masculino, deixando toda sua linha feminina de fora da passarela. O resultado foi bem ok. O tema era basicamente o Rio de Janeiro. E quando se pensa em Rio, o que se vem em mente? Ternos brancos, roupas frescas, linho, algodão fininho, estampas praianas de coqueiros, flores e papagaios, samba, bossa nova, e meninos lindos com corpos perfeitos. Clichê? Pois é, mas foi bem isso que o estilista e também host da The Week apresentou em seu desfile.

 

 

E para fechar o primeiro dia da Casa de Criadores com chave de ouro – mesmo que esta não tenha brilhado tanto como de costume –, o tão aguardado Walério Araújo. O tema? “É algo que eu tenho muita vontade de fazer, e que um dia eu ainda vou fazer: alta-cosutra”, como o próprio estilista disse no back-stage. Daí todo o luxo e sofistiação que já se podia ver a pleno vapor no primeiro look de Bruna Sotini que abriu o desfile num vestido longo de paetês dourado, todo em camadas.

 

Daí em diante foi um vestido mais exuberante que o outro. Balonê, com franja, com aplicações de flores, brilhantes, rendas, pregas, babados, saias godês bem volumosas e sempre com acessórios de cabeça dignos de um Philip Treacy. Looks que exalavam luxo e glamour e referências à Gaultier, Lanvin, Dior, Galliano e McQueen. Mas espera aí. Como a música dos Tings Tings mesmo dizia: That’s not my name!

 

 

E com o batidão à la funk carioca desta música, os mesmo vestidos voltam a passarela agora com versões mais curtas e também mais no estilo Walério que estamos acostumados. É como se a alta-costura virasse “baixa-costura”, nas palavras do estilista.

 

O vestido cheio de camadas de Bruna, vira um sexy micro vestido paetizado soltinho. O longo rendado com cristais bordados de Claudia Leite, um sexy vestido curto, bem justo. As saiais godês volumosas, são deixadas de lado, revelando hot-pants cheias de sensualidade. O vestido com top e barra de plumas, vira um micro – e bem micro mesmo – vestido de penas. O rosa longo, cheio de tiras, lembrando muito a última coleção da Lanvin, acaba parecendo um Hervé Léger por Walério Araújo. E por fim, o longo com flores aplicadas na ampla saia godê, um tubinho bem justo de um ombro só com uma flor no ombro, bem Sex and The City.

 

Fotos Agência Fotosite

 

 

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