Andei bem ausente do blog essa semana, né? É como disse no post abaixo estava fazendo a cobertura das palestras e mesas de discussão para o site do Pense Moda, e no fim acabou não dando tempo de postar quase nada sobre o evento aqui. Mas como prometi aí vai um balanço geral dessa 2a edição do Pense Moda.
Na verdade, antes de começar acho que vale a pena dar parabéns para Camila Yahn, Baby Bicudo e Marcelo Jabur por fazer acontecer um evento tão importante no meio da moda. Como muito se disse lá, a gente vive muito de imagens. Quase todos os eventos são voltados para a prática, o que acaba deixando pouco espaço para reflexões, discussões e conversas tão necessárias.
E se as discussões esse ano não foram lá muito quentes, ou então não cumpriram seu papel, deram muito espaço para reflexões, o que é ótimo. Afinal, como disse Paulo Borges, o Pense Moda não é um evento para dar respostas, mas para oferecer meios e propor discussões para que possamos chegar a conclusões. E nós como blogs, temos papel super importante nesse sentido. “É um dos principais lugares para reflexões desse tipo”, nas palavras de Oliveros. Geni Ribeiro, consultora da ABIT, na primeira palestra do evento foi pelo mesmo caminho, dizendo que cabe aos novos profissionais da área – principalmente críticos e jornalistas – buscar o que é realmente novo, valorizar o que é mesmo original e ajudar a firmar uma identidade.
Aliás, identidade brasileira nem era o principal foco do evento, mas foi o assunto que mais se falou lá. Para ser bem sincero, acho morro de preguiça dessa história do que seria uma moda brasileira. Concordo super com Paulo Martinez quando ele diz “que é uma bobagem essa discussão sobre moda brasileira”. Segundo ele moda brasileira é tudo aquilo que fazemos aqui e não podemos nos envergonhar disso.
Também não sei bem até onde toda essa discussão faz sentido hoje, já que cada vez mais caminhamos para aquele conceito de aldeia global McLuhan. Será que é mesmo necessário toda essa busca por uma identidade estética ou visual? Será que não vale mais a pena hoje a gente se focar em outro tipo de identidade, como fizeram os italianos com a qualidade de suas roupas?
Ao mesmo tempo lembro do que Ronaldo Fraga uma vez me disse em entrevista, que hoje todo muno se veste igual (o que Geni também disse em seu palestra) é que é com uma moda dita mais regionalista que podemos fazer a diferença. Só que resta entender como fazer uma moda regionalista, sem parecer fantasia ou folclore demais, sabe?
É o caso do “case de sucesso” da Osklen (dá até medinho admitir isso aqui). Mas não tem como negar que eles conseguiram imprimir certos valores nacionais – ainda que bem limitados e focado num nicho bem específico – e fazer isso virar um sucesso internacional.
Talvez a gente esteja procurando algo que de fato não existe. Ou então que é algo tão plural que é difícil de ser definida. Eu super concordo com o Alcino quando ele diz que a identidade brasileira na moda está na rua, e não é apenas uma. É o jeito como as pessoas se vestem no largo da batata ou então no certão do Ceará.
Somos um pais imenso que recebeu várias influências de diferentes culturas, é natural haver essa pluralidade. O problema é que se fala tanto em moda nacional, em buscar uma identidade brasileira quando a gente sequer conhece o Brasil de fato. A Ivi (Vodca Barata) e o Vitor Angelo (Dus Infernus) escreveram textos ótimos sobre o assunto, que ficou bem claro em algumas das discussões mais esperadas do evento.
Tags: Alcino Leite Neto, Ivi, moda, Paulo Martinez, Pense Moda, Ricardo Oliveros, Vitor Angelo








Recent Comments