Identidade(s) brasileira?

Pense Moda 3 Comments »

Andei bem ausente do blog essa semana, né? É como disse no post abaixo estava fazendo a cobertura das palestras e mesas de discussão para o site do Pense Moda, e no fim acabou não dando tempo de postar quase nada sobre o evento aqui. Mas como prometi aí vai um balanço geral dessa 2a edição do Pense Moda.

Na verdade, antes de começar acho que vale a pena dar parabéns para Camila Yahn, Baby Bicudo e Marcelo Jabur por fazer acontecer um evento tão importante no meio da moda. Como muito se disse lá, a gente vive muito de imagens. Quase todos os eventos são voltados para a prática, o que acaba deixando pouco espaço para reflexões, discussões e conversas tão necessárias.

E se as discussões esse ano não foram lá muito quentes, ou então não cumpriram seu papel, deram muito espaço para reflexões, o que é ótimo. Afinal, como disse Paulo Borges, o Pense Moda não é um evento para dar respostas, mas para oferecer meios e propor discussões para que possamos chegar a conclusões. E nós como blogs, temos papel super importante nesse sentido. “É um dos principais lugares para reflexões desse tipo”, nas palavras de Oliveros. Geni Ribeiro, consultora da ABIT, na primeira palestra do evento foi pelo mesmo caminho, dizendo que cabe aos novos profissionais da área – principalmente críticos e jornalistas – buscar o que é realmente novo, valorizar o que é mesmo original e ajudar a firmar uma identidade.

Aliás, identidade brasileira nem era o principal foco do evento, mas foi o assunto que mais se falou lá. Para ser bem sincero, acho morro de preguiça dessa história do que seria uma moda brasileira. Concordo super com Paulo Martinez quando ele diz “que é uma bobagem essa discussão sobre moda brasileira”. Segundo ele moda brasileira é tudo aquilo que fazemos aqui e não podemos nos envergonhar disso.

Também não sei bem até onde toda essa discussão faz sentido hoje, já que cada vez mais caminhamos para aquele conceito de aldeia global McLuhan. Será que é mesmo necessário toda essa busca por uma identidade estética ou visual? Será que não vale mais a pena hoje a gente se focar em outro tipo de identidade, como fizeram os italianos com a qualidade de suas roupas?

Ao mesmo tempo lembro do que Ronaldo Fraga uma vez me disse em entrevista, que hoje todo muno se veste igual (o que Geni também disse em seu palestra) é que é com uma moda dita mais regionalista que podemos fazer a diferença. Só que resta entender como fazer uma moda regionalista, sem parecer fantasia ou folclore demais, sabe?

É o caso do “case de sucesso” da Osklen (dá até medinho admitir isso aqui). Mas não tem como negar que eles conseguiram imprimir certos valores nacionais – ainda que bem limitados e focado num nicho bem específico – e fazer isso virar um sucesso internacional.

Talvez a gente esteja procurando algo que de fato não existe. Ou então que é algo tão plural que é difícil de ser definida. Eu super concordo com o Alcino quando ele diz que a identidade brasileira na moda está na rua, e não é apenas uma. É o jeito como as pessoas se vestem no largo da batata ou então no certão do Ceará.

Somos um pais imenso que recebeu várias influências de diferentes culturas, é natural haver essa pluralidade. O problema é que se fala tanto em moda nacional, em buscar uma identidade brasileira quando a gente sequer conhece o Brasil de fato. A Ivi (Vodca Barata) e o Vitor Angelo (Dus Infernus) escreveram textos ótimos sobre o assunto, que ficou bem claro em algumas das discussões mais esperadas do evento.

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turn back time

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Gente nunca me dado conta de como é difícil resenhar um desfile que aconteceu tempos atrás. É que o André Rodrigues, editor do site do SPFW me pediu para ajudar eles na seção desfiles do site. Praticamente a mesma coisa que eu fiz durante a última temporada de moda (verão 2009) só que para todas as outras que faltam subir no site.

Daí que estava começando a escrever sobre alguns desfiles da temporada de verão 2008 e me dei conta de que a tarefa não ia ser tão simples assim, pelo menos não na parte das resenhas. É que eu sempre tento dar uma contextualizada nas coleções, nos significados, adequações (ou não) à determinado período.

E então escrever essas resenhas, sem cair numa descrição muita simplista, exige meio que um trabalho de volta ao tempo. De lembrar tudo o que estava acontecendo não só na moda, mas no mundo como um todo.

Daí eu lembrei daquela “aula” que o Oliveros deu no blog dele, sobre como analisar um desfile/coleção. Que ele explica direitinho tudo isso. Que primeiro a gente olha para coisas mais técnicas mesmo, ou quase. Como o conceito da coleção, o acabamento, os volumes, proporções, tecidos, modelagens etc. E depois a gente começa a associar isso com uma série de outras fatores como o público da marca, as vontades da temporada, se houve evolução e também como aquilo que foi apresentado se relaciona com a vida real, ao nosso mundo e tempo.

Lógico que isso sempre acontece levando em consideração a quem aquelas roupas se destinam, mas há sempre uma necessidade da coleção – e o estilista em si - estar em perfeita sintonia com seu tempo. Afinal assim fica muito mais fácil de suas idéias e roupas serem assimiladas pelo público e chegarem as ruas.

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roupas sensitivas

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Uma das várias definições de moda é a exteriorização, ou materialização de subjetividade e personalidade. Com a moda, usamos nossas roupas para comunicar aos outros, ao mundo e à nós mesmos quem somos (ou quem queremos ser) e o que estamos sentindo.

É um dos princípios da consultoria de imagem. Através da roupa pode-se dizer muito sobre a personalidade de uma pessoa. E na maior parte das vezes fazemos isso inconscientemente ou por mera questões culturais. Por exemplo, quando estamos tristes ou bravos acabamos por escolher looks em tons mais escuros. Já quando estamos mais contentes e otimistas preferimos roupas em tons mais claros e vivos, com mais estampas e profusão de cores.

Com o avanço tecnológico está ficando cada vez mais fácil expressar, senão nossa personalidade, pelo menos nossas emoções e sentimentos. Hoje o conceito de wearable technology, ou smart clothes (roupas inteligentes), já foi levado adiante para um conceito totalmente novo, que promete trazer novos parâmetros para a relação moda e individualidade/subjetividade: é o chamado emotional clothing.

Como o próprio nome diz são roupas emocionais, ou emotivas. Ou seja, roupas que reagem não só com o ambiente externo, mas também com o humor, emoções e sentimentos de seu portador.

Desde seu surgimento, lá no Renascimento, a moda ainda que calcada na questão da distinção de classes, já se configurava como ferramenta de exteriorização do “eu”. Por mais que esse “eu” fosse mais uma questão de “eu tenho e eu posso”, do que de personalidade mesmo, as roupas já eram utilizadas como forma de expressão de um certa subjetividade.

Hoje então nem se fala. Como o filósofo Gilles Lipovestky diz em seu livro, O Império do Efêmero, “é cada vez menos verdadeiro que adquirimos objetos para adquirir prestígio social, para nos isolar dos grupos de estatuto inferior e filiar-nos aos grupos superiores. O que se busca, através dos objetos (e da moda), é menos uma legitimidade e uma diferença social do que uma satisfação privada cada vez mais indiferentes julgamentos dos outros. O consumo (…) manifesta-se, isso sim, em vista do bem-estar, da funcionalidade, do prazer para si mesmo.”

Não é de se espantar que atualmente tendências e grifes cada vez mais perdem importância para o estilo e universo pessoal da cada um. Ninguém mais (pelo menos aqueles com um mínimo de cultura e informação de moda) quer sair nas ruas vestido dos pés a cabeça de Reinaldo Lourenço, Alexandre Herchcovitch ou Osklen. Muito menos num look total boho chic anos 70, ou cowboy.

Hoje vivemos a consumação do chamado “supermercado de estilo”. Onde podemos garimpar peças de épocas, estilos e grupos diferentes, misturando tudo do nosso jeito para compor um look que no fim diga algo a respeito de nós.

Pois bem, só que com o avanço tecnológico, ou melhor, nano-tecnológico, a própria tecnologia passou a ser vestida, rompendo o então conceito de como a moda expressa nossos sentimentos.

Hoje em dia já não é mais raro encontrarmos wearable technology no mercado. Ainda que em pequena quantidade e representando pouquíssimo no total de vendas de suas empresas, já se pode encontrar óculos com fone de ouvido e mp3 player embutido, calça jeans com plug para o iPod e até uma bolsas e jaquetas com mini painéis solares que transformam a luz solar em energia para ser utilizada na carga os celulares, iPods e afins.

Mas a real novidade está nas chamadas emotional clothings. A Philips tem uma linha de pesquisa totalmente dedicada a essa nova área chamada Design Probe, responsável pelos principais produtos do segmento. Como parte deste projeto, a marca desenvolveu os SKIN Dresses, um sub-projeto que visa estudar a futura integração de materiais sensíveis na área de sensores emocionais. É a evolução de produtos e tecnologia inteligentes para sensitíveis.

Hoje já existem dois modelos sendo testados, um mais justo, o Frisson, e outro mais volumoso, chamado e Blush Dress - que chegou a entrar para a lista das melhores invenções de 2007 da revista Time. Ambos apresentam tecnológica sensível às emoções humanas e mostram como o corpo e tudo o que nos rodeia pode usar padronagens e variações de cores para interagir e prever estados emocionais.

O Blush é composto por duas camadas, sendo que a primeira, ou a debaixo, contem sensores biométricos que captam as emoções de seu usuário através de variações de temperatura, batimento cardíaco e de textura na superfície da pele, e as projetam na segunda camada sob a forma de luz e cores.

Segundo a própria idealizadora do vestido, Lucy McRae o Blush Dress é menos sobre o toque do seu portador e mais sobre o ambiente que o rodeia. É uma exteriorização do que a pessoa sente em relação ao ambiente.

Já o Frission, um macacão bem justo ao corpo com vários LEDS, já respondem mais ao que a pessoa sente em relação ao que ela faz e toca. Os mesmo sensores biométricos fazem os LEDS ascenderem e diferentes intensidades de acordo com o nível de excitação e entusiasmos da pessoa.

Tudo isso pode parecer um filme de ficção científica, ainda mais quando se sabe que o Desgin Probe da Philips tenta prever tendências e necessidades sociais dos próximos 15 anos, ou seja, o que os seres humanos poderão estar usando em 2020.

Porém, não há como negar que tudo isso mostra uma nova forma de como a roupa comunica nossas emoções e sentimentos para o mundo. Os benefícios podem ser inúmeros, desde a expressão de sentimentos que dificilmente são expressados em palavras, até formas de estudos de marketing e sociais - para prever como as pessoas reagem a determinada situação ou produto.

O terreno é extremamente novo, porém muito fértil, prometendo muitos estudos e ainda muita inovação e aprimoramento. E que venha o futuro.

Matéria publicada originalmente na Revista Catarina

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pensando no que vamos comprar + crise do fast-fashion?

fast-fashion, moda, verão 2009 7 Comments »

Não é de hoje que o assunto de consumo consciente está em pauta. Desde que toda essa onde de sustentabilidade começou a ganhar relevância, vem se falando em formas de comprar menos compulsivas. Daí que agora, mais do que nunca, é hora de prestar atenção em como gastamos nosso dinheiro, principalmente com moda.

Com a crise financeira os mercados ficam malucos e super oscilantes, o que dificulta previsões precisas sobre o que vai acontecer no futuro. O jeito é tomar bastante cuidado com o nosso dinheirinho. É hora de re-pensar toda e qualquer forma de consumo e não só até a crise passar, mas para sempre. Afinal, a gente não quer que isso tudo aconteça de novo, né?

As meninas da Oficina de Estilo já disseram, o Style.com também, assim como Sarah Mower. Definitivamente não é hora de investir em looks muito trendy, que vão durar apenas uma temporada e depois nunca mais vai sair do armário. Muito menos de baixa qualidade. É melhor gastar um pouco mais numa peça de melhor qualidade, corte e formas mais tradicionais e cores mais discretas - assim dá para usar mais vezes sem ficar muito marcado. Desse modo a gente gasta uma vez só. Afinal peças que se encaixam nesse perfil tendem a durar mais de uma estação, além de poderem ser repetidas mais vezes.

E isso bate de frente com todo o fundamento fast-fashion que hoje vai além das redes tipo H&M e Zara, afetando do o ciclo da moda. Pensando sob esse ponto de vista, não é de se espantar a afirmação de Suzy Menkes que o fast-fashion tem seus dias contados. Afinal, não dá mais para ficar gastando $10 numa camiseta que a gente vai jogar fora depois da terceira lavagem, né?

A Ale Farah colocou um vídeo faz pouco tempo no FilmeFashion falando que ultimamente as redes de fast-fashion abaixaram ainda mais os preços, só que levando a qualidade lá para baixo também.

O tema é bem paradoxal mesmo. Em tempos difíceis é natural a gente querer gastar o mínimo possível, logo comprando roupas mais baratas. Mas as vezes o preço mais baixo nem sempre vale a pena. Tem que prestar muita atenção na qualidade das roupas, no acabamento nos tecidos de quais são feitas. Caso contrário, é bem capaz que a peça não dure muito mais de umas três lavagens - por mais cuidadoso que você seja.

Sinceramente, não acredito que o fast-fashion vá desaparecer. Ao meu ver foi o ponto máximo da democratização de moda que começou lá na década de 60 com a popularização do prêt-à-porter (graças ao mestre Saint Laurent e sua Rive Gauche). E apenas uma pequena parcela dos consumidores leva em conta toda essa questão de qualidade, durabilidade e também de produção mais ética - sem trabalho escravo, sabe? Porém, isso tudo promete mudar agora com toda essa turbulência na economia.

De qualquer forma, ainda é muito cedo para dizer com certeza o que vai acontecer, e avaliar tudo de forma mais clara. Como dizia na matéria do Style.com, a gente só vai ver os reais efeitos dessa crise na moda, na próxima temporada, lá para janeiro. Afinal, por mais que sinais já tenham aparecido nesta estação, as coleções começaram a ser produzidas meses antes de tudo isso explodir.

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Prada ou Balenciaga? YSL

NY Times, Stefano Pilati, YSL, i-D 1 Comment »

Já virou meio lugar comum no jornalismo de moda nacional perguntar em uma entrevista se fulano prefere Prada ou Balenciaga, duas das marcas mais influentes e visionárias no mundo da moda. Acontece que se me perguntassem isso hoje eu acho que não diria nenhuma das duas.

 

É que estou num momento meio Yves Saint Laurent. Já faz um bom tempo que admiro o trabalho de Stefano Pilati dentro da marca, e essa última coleção para o inverno 2008 foi simplesmente incrível. As criticas foram ótimas, algumas dizendo que o estilista finalmente encontrou seu caminho dentro da YSL, na sua melhor coleção para a marca.

 

Tudo bem, que Prada continua sendo a marca mais copiada do planeta. Tudo o que Dona Miuccia coloca na passarela vira febre e todo mundo copia ou se inspira naquilo. Tudo bem que Nicholas Ghesquière para Balenciaga, tem uma visão única sobre a moda, sobre a relação com a sociedade, sem contar que sabe manipular tecidos e materiais como poucos.

 

Mas até ai quais dessas características Sr. Pilati não tem? Quem leu suas entrevistas, no NY Times e na i-D do mês passado, deve ter percebido que o que impediu seu boom, talvez fosse a situação financeira conturbada da YSL. Depois que seu fundador deixou a marca, logo vendida, a situação não era nada animadora.

 

Quando Tom Ford assumiu o posto de diretor criativo, o cenário não havia mudado e a YSL só continuou a perder sua identidade. Nada contra o Sr. Ford, mas é que ele tentou usar a mesma estratégia que usou na Gucci – e que super deu certo lá – na marca francesa. Acontece que como bem disse Pilati, Ford tem uma visão bem precisa do que as mulheres querem e precisam, e a marca YSL sempre foi mais sobre desafiar as mulheres, em propor algo novo, algo que as mulheres ainda não estavam acostumadas.

 

 

Na matéria que saiu essa semana do NY Times a jornalista Lynn Hirschberg ilustra bem como as mesmas características de estar a frente do seu tempo, assim como a Prada estão presente na YSL de Pilati.

 

Nas coleção passadas, Pilitai estava muito a frente de suas consumidores. Quando ele apresentou saias tulipas em 2004, a proporção ainda era um pouco confusa para as mulheres, e a coleção acabou não vendendo bem. Agora, é difícil achar uma saia que na seja no formato tulipa. Quando, em 2006, ele desenho túnicas longas e sacas sobre calças, sua coleção não foi bem recebi, mas o look se tornou uma necessidade para as mulheres no ano seguinte. Similarmente, em 2007, Pilati estampou cores vivas num simples vestido de seda branco, e o look foi logo copiado por outras casas como Max Mara”.

 

O que estava acontecendo era que Pilati estava de fato muito a frente de seu. E isso não é bom. Marie Rucki já tinha dito isso em uma de suas palestras aqui, que um estilista deve estar em perfeita sintonia com o seu tempo, se estiver muito a frente não vai ser compreendido, logo não vai vender. E no fim é isso que sustenta eles.

 

Na Prada, por mais que suas coleções causem estranhamento e acabem sendo antecipações de algo que lá na frente vai ser tendência, sempre mantém uma forte conexão com o presente.

 

E foi bem isso que aconteceu na última coleção da YSL, toda a pesquisa de materiais, os cortes e proporções meio góticos-futuristas, os tons sóbrios, embora viessem carregados de valores “modernos” e “novos”, vinham em perfeita sintonia com esse clima de crise financeira, de recessão que o mundo vive agora.

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nova forma de fetiche?

fetiche, moda No Comments »

Um monte de gente tem costume guardar o cardeno Mais da Folha. Eu sempre achei um pouco de besteira, porque no fim a gente nunca acaba lendo. Só fica lá um monte de jornal amontado ocupando espaço. Mas enfim, o desse domingo (31/08) eu não consegui jogar fora. E acho que poucos fashionistas conseguiram também.

 

É que nesta edição ele veio quase todo dedicado a moda, com uma entrevista incrível do Alcino Leite Neto, editor de moda do jornal) com Lars Svendsen, autor do livro Fashion - a philosophy.

 

Daí que um dos assuntos abordados na matéria é sobre as modelos e a relação moda-corpo:

 

FOLHA - Por que as modelos se transformaram em grandes estrelas midiáticas de nossa época? Que função elas exercem na “ideologia da realização estética” do sujeito, como o sr. escreve?
SVENDSEN - As modelos são a mais alta encarnação de uma cultura em que nossas identidades essenciais devem estar situadas em nossos corpos, não em nossas almas. A formação da auto-identidade na era pós-moderna é, num sentido crucial, um projeto do corpo.
O corpo tornou-se um objeto de moda especialmente privilegiado. Aparece como algo plástico, que se modifica constantemente para adequar-se às novas normas que surgem. E as modelos são as representantes maiores dessas normas.

Mas mesmo elas não chegam a adequar-se às normas. Já na década de 1950 não era incomum que modelos se submetessem a cirurgias plásticas para se aproximarem das normas, por exemplo removendo seus molares posteriores para conseguir ter faces cavadas ou tendo costelas removidas para alcançar o formato de corpo desejado.

A distância entre os corpos das modelos e os corpos “normais” continua a aumentar. Assim, a norma se torna pura ficção, mas nem por isso perde sua função normativa.

 

E isso me lembrou muito aquela matéria de fetiche que escrevi para a revista Catarina, quando eu falava que hoje a relação moda-fetiche-corpo se aproxima das idéias de Baudrillard, segundo as quais à serviço do design, o fetiche controla o corpo.

 

“Não é mais o corpo que é enaltecidos com pelo salto agulha, ou pelo corset, e sim as próprias peças ganham relevância em prol do corpo. Como se o próprio ser humano se submetesse àquele ideal de poder e dominação que o fetiche carrega embutido em si. Os acessórios e roupas utilizados uma vez para dar poder e dominação ao corpo, acabam sendo subvertidos para dominar o próprio corpo. Não é à toa, que hoje uma das formas fetichisitas que mais cresce no mundo todo são as body modifications, ou alterações corporais.”

 

E eu super pensei nisso quando li esse trecho da matéria. Será mesmo que essas modificações seria uma nova forma de fetiche?

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moda e fetiche - entrevista com Ricardo Oliveros

Ricardo Oliveros, fetiche, moda 2 Comments »

Lembra que eu republiquei aqui uma matéria que escrevi para a Revista Catarina sobre moda e fetiche? Então, quando estava preparando-a entrevistei o editor de moda e blogueiro Ricardo Oliveros, do Fora de Moda. Daí que hoje ele colocou lá no blog dele a entrevista que fiz com ele na íntegra. Super vale a pena ler, passa lá!

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fashion guide para a temporada de desfiles

. DESFILES ., moda, verão 2009 No Comments »

Bom, vamos lá. Dando continuidade a preparação para a temporada de desfiles internacionais. É meio que sabido e estabelecido no meio da moda, embora nada seja dito por elas oficialmente, mas cada semana de moda Nova York, Londres, Milão e Paris tem um característica bem definida, e logo, um papel dentro de toda essa indústria.

 

E para quem trabalha com moda, em qualquer área, é super importante saber bem essas diferenças para poder entender bem as coleções e o contexto que elas se inserem. Não adianta esperar uma coleção super inovador, ou um desfile super show em NY que não vai acontecer, nem esperar algo pronto para o consumidor final em Londres.

 

Cronologicamente falando o roteiro é o que já disse acima, NY, Londres, Milão e Paris, mas se pensarmos sobre outra perspectiva pode se alterar um pouco. Em termos de criatividade e infra-estrutura da marca Londres seria o começo.

 

 

É lá onde a criatividade e excentricidade dos estilistas encontram mais espaço e liberdade para serem apresentadas. Os desfiles são sempre marcados por algo que foge do padrão ou do convencional atraindo atenção da mídia. É lá também onde novos e jovens estilistas começam a ser observados e apontados como os próximos talentos de moda. Vide Jonathan Saunders, Marios Schwab, Christopher Kane, Roksanda Ilinic e Gareth Pugh.

 

O próximo passo seria a NY Fashion Week. E na Big Apple tudo se resume a negócios e dinheiros. Lá se apresentam aqueles que buscam apoio financeiro e boas vendas para as grandes lojas de departamento como Barneys e Bergdorf Goodman. Não é à toa que as roupas apresentadas lá são bem mais simples e usáveis do que em Londres. É muito mais vida real, do que moda conceitual. É roupa para sair da passarela e ir direito para as araras das lojas.

 

Depois vem Milão, num esquema bem parecido com NY. Só que aqui os estilistas geralmente já estão mais bem estabelecidos, com bom apoio financeiro e buscam aumentar ou melhar sua produção. Milão é mundialmente conhecida por seus tecidos de ótima qualidade, por possuir os melhores profissionais de confecção manufatureira e também como o lugar onde as roupas de melhor qualidade são produzidas. Não é à toa que algumas das principais marcas do planeta fashion concentram toda sua produção na Itália.

 

E para finalizar temos Paris. Capital mundial da moda, do mais alto luxo e glamour no mundo fashion. É o patamar mais alto entre as semanas de moda. Com uma tradição e história super vasta e cheio de marcos históricos é lá onde se apresentam os estilistas mais consagrados, com marcas e negócios bem estabelecidos.

 

Lógico que isso não é uma regra super fechada. Existem várias exceções, e nem é todo mundo que faz esse percurso. Tem quem pule algumas etapas, tem quem faça o caminho contrário, sempre de acordo com a estratégia de cada marca. Exemplo? Gareth Pugh, que migrou direto da London Fashion Week para Paris, Luella Bartley que migrou de NY para Londres e até Vivienne Westwood que desfila sua linha principal em Paris e passou a apresentar sua Red Label em Londres.

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diferentes olhares

moda, verão 2009 No Comments »

Logo mais, ou melhor, semana que vem (se eu não me engano) começa a temporada de moda internacional. Ou seja, mais uma maratona de desfiles e muita, mas MUITA informação. Daí que eu estava pensando que entre os fashionistas todo mundo meio que reserva um tempinho para dar uma olhada no que está sendo apresentado nas passarelas de NY, Londres, Milão e Paris.

 

Aquilo que vai ser mostrado por lá é material super importante para um monte de profissionais da moda. Muito alem dos jornalistas e críticos de moda, produtores, stylists, personal stylist, estilistas, compradores e até roteiristas ficam de olho nos desfiles para tirar inspirações, referências e tentar definir as principais tendências da temporada.

 

 

Cada um desses profissionais tem um olhar diferente sobre as coleções/desfiles. Cada um analisa e interpreta o que está sendo mostrado de acordo com o que sua profissão pede. A roteirista do GNT Fashion – e blogueira -, Laura Artigas, por exemplo, conta que olha o desfile de um panorama geral, mas sempre levando em conta o olhar de sua chefe, a Lilian Pacce. “O mais difícil, como roteirista, é imaginar como falar em poucas palavras e também numa linguagem mais simples, para um público que não entende muito de moda”.

 

Já as personal-stylists Fernanda Resende e Cristina Zanetti, da Oficina de Estilo, ficam de olho em “elementos que podem fazer diferença no guarda-roupa não só das nossas clientes, mas também de pessoas reais”. Além disso elas também prestam bastante atenção nos truques de styling, sempre pensando em como funcionam na vida real e também estudam como coisas aparentemente difíceis podem chegar num consumidor final.

 

Trabalho parecido é o da editora de moda Regina Guerreiro (aka a “legendária”), que busca em primeiro lugar a novidade. “Mas isso não significa loucura, coleções muito conceituais, mas sim inovações em termos de silhueta, proporção e principalmente nos tecidos. Busco aquilo que vai desenhar o futuro das pessoas, o que desperta desejo”.

 

 

É a novidade também que pega a atenção de Heleno JR, stylist e produtor de moda. “Quando vejo um desfile levo em conta a característica da marca, como isso é mostrado na passarela”. Daí, garimpa peças e idéias para depois de dissolvidas serem usadas no seu trabalho (e também no seu guarda-roupas).

 

Já para a estilista da C&A Gleice Pedra, os elementos mais técnicos, como formas, cores e tecidos chamam mais sua atenção. É dali que capta as principais vontades que irão ser hit em cada estação.

 

E para terminar, Karina Mota, da Surface2Air, conta que olha uma coleção pensando não só na consumidora da loja, mas também naquilo que considera mais relevante para cada temporada. “Eu vou para um desfiles com vontades prévias”, conta ela, daí vai vendo o que se encaixa nessas vontades e também vai acrescentando novas idéias para depois vender em sua loja.

 

Fotos por Rogério Cavalcante para o site do SPFW

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aproveitando a parceria do SPFW com a InBrands…

InBrands, moda 1 Comment »

Resolvi re-publicar uma matéria que fiz sobre a empresa no site do SPFW. Aí vai:

 

O recado já foi dado há tempos: moda é negócio. Prova disso foi a recente invasão das empresas gestoras no mercado nacional. Existem alguns bons exemplos de que moda e o business podem andar lado-a-lado, e mais importante, para frente.

 

É o caso da InBrands, holding do fundo PCP, administrado pelo UBS Pactual. Ano passado o grupo deu início às suas atividades no segmento de moda e consumo unindo três fortes marcas nacionais: Ellus, 2nd Floor e Isabela Capeto. O objetivo é potencializar o crescimento e rentabilidade dessas grifes. Como já é de costume, o dito DNA da marca e a independência criativa de cada uma delas serão totalmente respeitados e preservados. A Inbrands entra na jogada para oferecer suporte administrativo, financeiro e operacional, sem contar os projetos futuros para concentrar todas as negociações com fornecedores, coordenar e gerenciar a distribuição das marcas parceiras.

 

Falamos com o presidente da holding, Gabriel Felzenswalb, para saber um pouco mais sobre a InBrands e seus projetos futuros. Confira abaixo nossa entrevista:

 

Portal SPFW >> Qual é o trabalho da InBrands dentro das marcas que possui?

Gabriel Felzenswalb >> Investimento de capital para crescimento, contratação de novos profissionais, integração de sistemas, melhoria de processos administrativos e benchmarking das práticas de negócio.

 

Portal SPFW >> Como que funciona o processo de adesão/incorporação das marcas à Inbrands? Elas são compradas, ou seus donos formam sociedade com a holding?

GF >> Acreditamos tocar negócios com “cabeça de dono”. Gostamos que nossos colaboradores se sintam donos e não empregados, alinhando a remuneração e os incentivos aos resultados do negócio. Logo, não faz sentido transformar donos em empregados. Isto é, buscamos empreendedores que queiram participar de algo maior e enxerguem a associação com outras marcas e com um grupo gestor como um caminho para o crescimento. Em resumo, os sócios fundadores continuam sócios dos seus negócios e a InBrands é apenas um novo sócio.

 

Portal SPFW >> Atualmente, a Inbrands conta com quantas marcas? Quais?

GF >> Ellus, 2nd Floor e Isabela Capeto.

 

Portal SPFW >> Existem outras marcas do mercado nacional que já estão sendo estudas para incorporarem o portifólio da Inbrands?

GF >> Preferimos não alimentar especulações.

 

Portal SPFW >> E sobre os rumores de que Alexandre Herchcovitch teria se juntado a Inbrands? Ficamos sabendo que no showroom dele já é possível encontrar também peças da Isabela Capeto e 2nd Floor…

GF >> Conforme o próprio Alexandre divulgou, estamos em conversações. As duas partes estão muito otimistas, mas ainda não temos nada concreto.

 

Portal SPFW >> Quais os critérios para uma marca poder fazer parte do grupo?

GF >> Não há critério científico. Buscamos marcas fortes, com identidade definida, potencial de crescimento e principalmente buscamos sócios com mentalidade alinhada ao nosso modelo, sócios que entendem muito bem o que sabem e não sabem fazer, pessoas com ambição para crescer, mas com a humildade necessária para trabalhar em sociedade.

 

Portal SPFW >> Uma vez parte da Inbrands, quais são os benefícios que uma grife possui?

GF >> O benefício de trabalhar duro para participar de um projeto de crescimento. Ninguém vai trabalhar menos, mas todos trabalharão melhor: mais focados, com menor custo e com acesso às melhores práticas gerenciais. Por exemplo, a Isabela Capeto trabalhava com um sistema de gestão empresarial simples, adequado para seu tamanho. Agora, estamos implementando o mesmo sistema usado na Ellus, por uma fração do custo e com toda a customização e treinamento feitos pelas próprias pessoas que trabalham no dia-a-dia com o software. É um super atalho para a Isabela que lhe permitirá ganhar agilidade e precisão na tomada de decisão.

 

Portal SPFW >> Até onde a Inbrands interfere/atua dentro do planejamento, criação e estratégia de marketing de suas marcas?

GF >> A independência criativa e de estilo será sempre mantida, mas participamos de todas as discussões de planejamento e de estratégia. Acreditamos em autonomia com cobrança. Um sistema de gestão centralizado onde um punhado de pessoas controlem as decisões não funciona. É preciso delegar poder a quem está na ponta do negócio. Os gestores das marcas definem conosco as metas a serem atingidas e os planos para chegar lá. Dentro desse escopo, os executivos têm autonomia para atuar. A InBrands vai monitorando, provendo assistência quando necessário e acompanhando o trabalho.

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