NY Fashion Week - a arquitetura de Francisco Costa para Calvin Klein

Calvin Klein, NY Fashion Week, verão 2009 1 Comment »

O brasileiro Francisco Costa, na direção criativa da Calvin Klein, é um daqueles estilistas que se encontra na difícil tarefa de dar continuidade não só aos negócios de uma consagrada marca, mas também a um verdadeiro legado fashion. Um estilo que muitas vezes transcendem as roupas formando um universo totalmente próprio da grife.

Seu trabalho na Calvin Klein é um dos raros casos onde, sem perder de vista os fundamentos do Sr. Klein em si, projetou a grife para o futuro, com coleções que foram verdadeiros sucessos de critica. Suas criações minimalistas, sofisticadas e com um pezinho no sportswear de, o renderam três indicações, das quais ganhou 2 , ao CFDA Awards.

Para o verão 2009 Costa se foca o trabalho de formas e volumes. Suas linhas puras, minimalistas e geométricas que sempre estiveram presentes em suas coleções, agora ganham tridimensionalidades. Volumes estruturados saltavam para fora dos vestidos, que como sempre são confeccionados nos tecidos mais modernos e sofisticados que se pode encontrar.

Não há como não reconhecer o primoroso trabalho do estilista na pesquisa dos materiais, na construção dos vestidos quase que quadrados mesmo, com volumes arquitetônicos bem estruturados. Acontece que muitas vezes esses mesmos volumes, por mais interessantes, acabavam por desconsiderar o corpo por completo. Como que o que importasse de fato fosse a roupa, sem a menos conexão com as formas do corpo de quem as veste.

Por isso talvez o que encontre seu caminho mais fácil para o consumidor final sejam aquelas vestidos onde o trabalho de geometria e volumes são mais singelos, ficando restritos a boas pregas, dobras e plissados de forma mais pontuais e localizadas.

Afinal, são poucas as mulheres que conseguem projetar sua sensualidade – hoje tão em alta, nesse nosso momento de endeusamento do corpo humano – escondendo suas formas.

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NY Fashion Week - moda e economia

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NY Fashion Week - 3.1 Philip Lim, Anna Sui e Carlos Miele

3.1 Philip Lim, Anna Sui, Carlos Miele, NY Fashion Week, verão 2009 No Comments »

Philip Lim é um daqueles estilistas orientais que estão dominando o mercado de moda americano. Desde 2004, quando começou a desfilar com sua marca, 3.1 Philip Lim, seus trabalhos já começaram a ser acompanhados de perto e elogiados por uma série de editores, que se apaixonaram por suas roupas simples, fáceis de usar, e ao mesmo tempo com bastante informação de moda, ricas em detalhes que as tivaram daquela chatice comercial que assola a semana de moda na Big Apple. Depois que foi indicado ao prêmio do CFDA (tipo um Oscar da moda americana) então, virou um dos queridinhos da América.

Para o verão 2009 Lim olhou para Espanha como fonte de inspiração, mas o que pareceu ser bem literal no primeiro look, da jaquete à la toureiro, logo se diluiu para suaves referências que ficaram quase que restritas aos vários babados, ora bem amplos, ora mais concisos, nas franjas e na suave geometria de alguns casacos e vestidos. Detalhes aparentemente simples, mas que conseguiram dar um upgrade em roupas bem simples.

Motivos e referências étnicas têm sido uma das principais ferramentas para se imprimir um certo otimismo e dar ares mais alegres para as coleções desta NY Fashion Week. E trabalhar com cores, muitas cores, sempre foi um dos pontos fortes da estilista Anna Sui.

Então quando ela se inspirou na cultura Mexicana para seu verão 2009, aconteceu mais um daqueles casamentos perfeitos. A peça chave é o vestido, quase sempre curtinho, bem coloridos, com muitas aplicações e bordados. Interessante nota como a estilista consegue fazer um bom balanço entre as peças mais coloridas e as mais clássicas em preto ou branco, que para não ficaram muito simples, recebem bastante trabalho de texturas e volumetria.

E parece que Carlos Miele está finalmente encontrando o equilíbrio perfeito entre os elementos super brasileiros que marcam seu trabalho e a necessidade de um estilo global, para satisfazer clientes mundo a fora, sem caracatices ou clichês sobre nosso pais. Quando Miele migrou para a semana de moda americana, seus trabalho ainda eram bem marcados pelo mix de estampas em tons bem fortes (e brasileiros), recortes e modelagens que de tão sexy chegavam a ser vulgar.

Umas três temporadas atrás, o estilista decidiu meio que deixar esses elementos brasileiros de lado e focar num estilo mais global, com modelagem mais adaptada a mulher americana e européia – na época o estilista estava abrindo sua primeira loja em Paris e já contava com uma na Big Apple. A profusão de estampas e cores, deu lugar a looks monocromáticos, mais concisos sem muito daqueles vestidos de chiffon esvoaçantes que a gente já está acostumado.

Foi só na temporada passada que Miele começou a retomar seu trabalho de estamparia e textura, mas ainda de forma mais contida, para satisfazer mais o consumidor internacional. Agora, para o verão 2009, o equilibiro beira a perfeição. Com Seu Jorge cantando ao vivo no desfile, Miele apresenta seus clássicos vestidos de volumes esvoaçantes, estampados de forma sútil, mas cheio de brasilidade.

Sexy sem chegar no vulgar, brasileiro sem clichês. Miele aposta numa cartela de cores que começa com tons mais sóbrios, estampas branca e pretas, com looks mais para o dia, com vestidos curtinhos que ora vem mais ajustados ao corpo, ora mais soltos. Calças, blusas e jaquetas – as peças mais simples de toda a coleção – também recebem tratamento especial de textura, com plissados e pregas. Não demora muito para os longos tomarem a passarela, só que agora com recortes bem mais comportados, falando mais glamour e elegância, do que sexo e ousadia. Ah, e tudo bem decorado com pedras preciosas brasileiras.

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NY Fashion Week - e quem vai usar macacão?

NY Fashion Week, macacão, tendências, verão 2009 1 Comment »

Vamos lá, alguns temas recorrentes nas coleções desta NY Fashion Week são: poder, masculino no feminino (androgenia) e foco no sportswear. Ah, sem contar também um breve revival dos anos 80 em algumas coleção. E se tem uma peça que meio que reúne todas essa características sem dúvida nenhuma é o macacão.

Tudo bem, eu sei que tem muita gente que acha o macacão uma peca abominável, roupa de mecânico e tals. Também sei que é super difícil de pegar na vida real. Mas mesmo assim, tem gente (fashionista) que acha super estiloso, elegante, glam e com uma considerável informação de moda.

Daí que nessa temporada de moda internacional não foram poucas as marcas que investiram neles – e nas jardineiras e salopetes também. BCBG Max Azria, Diane Von Furstenberg, DKNY, Preen, Halston, Derek Lam foram algumas das grifes que apostaram na peça. A Proenza Schouler então, usbou e abusou dos macacões.

Por aqui a gente também viu bastante deles. Na Maria Bonita, por exemplo, eles até substituíram o vestido como peça chave do verão. A Huis Clos também apresentou macacões bem soltos, mais despojados, assim como a Osklen, enquanto Alexandre Herchcovitch mostrou versões com referências mais militares.

UM POUCO DE HISTÓRIA

O macacão foi ganhar status de item fashion lá pela década de 1930, quando as mulheres começaram a trabalhar nas indústrias, usando o macacão sobre blusas, de modo que o look servia tanto para trabalhar como para passear, sempre bem confortáveis e práticos.

Mais tarde, lá pela década de 1970, o macacão teve outro período de hype, ganhando versões nos mais variados tecidos (o que fazia com que o caimento variasse também), formas e modelagens. Na época, chegou-se até a lançar versões para noite, em jérsei, ou jérsei de seda, bem leves, soltinhos. Pense nos modelos de Halston, super glamourosos, no melhor estilo das habitués do Studio 54.

Acontece que mesmo presentes na maioria das temporadas, dificilmente vemos gente usando macacões nas ruas (stylist e/ou produtor de moda não vale!). O motivo? Talvez porque a roupa é um pouco complicada mesmo. Tipo nas horas mais íntimas (já tentou ir ao banheiro com um macacão?). Ou talvez porque as pessoas tenham medo de ficar com um look tipo “acabei de trocar o óleo do motor”.

Mas não é bem por aí, né? Hoje já existem modelos que sequer parecem com os originais. Eles vêm com um recorte, ou marcação, na altura da cintura ou do quadril, às vezes até com a parte de cima em cor e/ou tecido diferente da parte de baixo, para disfarçar bem a peça.

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NY Fashion Week - Rodarte

Fashion Rio, NY Fashion Week, Rodarte, verão 2009 2 Comments »

Futurismo, ossos, fósseis, Guerra nas Estrelas, paisagismo e o projeto Spiral Jetty, foram as principais referências de um dos melhores desfiles desta temporada de moda em NY. A marca é a Rodarte, das irmãs Kate e Laura Mulleavy, uma das mais promissoras marcas dos EUA dos últimos tempos.

Na coleção passada as irmãs estilistas falaram sobre o gótico, se inspirando em filmes de terror japoenses. E daí vieram looks com aspecto bem dark, mas ainda extremamente sofisticados, cheios de detalhes e acabamentos manuais, sendo considerado um dos melhores da temporada.

Agora, para o verão 2009 a dupla dá continuidade a esse trabalho. Os vestidos de referências gregas continuam como peça chave, agora com tingimentos em cores que vão do roxo, ao azul, do bege ao laranja.

Os tricôs – outro ponto forte da marca – continuam também no verão, ainda com aquele aspecto bem detonado, mas agora ganham interferências de outros materiais como correntes e couro. Outra novidade também são os looks mais simples, como as calças mais sequinhas com jaquetas de couro – as vezes com aplicações e recortes de tricô – e as saias mais simples, meio no estilo colegial.

De um modo geral, todo o conceito e elaboração dos looks continua bem fortes, mas já dá para notar uma vontade, ou pelo menos uma aproximação, a um estilo mais próximo da vida real. Já em busca daquele equilíbrio saudável entre o conceitual e o comercial.

Mas o que faz da Rodarte uma marca tão especial em meio à todo esse marasmo criativo de NY Fashion Week? Para responder essa pergunta temos que lembrar que para a maioria, a moda americana se resume ao sportswear, à algo que é extremamente acessível (não só em termos financeiros) e desejável pelo maior número de pessoas possível. Coleções simples, com combinações fáceis de ser assimiladas, e vestidos não muito complexos para a noite. Tudo tem que ser facilmente entendido e pronto para ser vendido imediatamente.

É o que Clare McCardell começou a fazer na metade do século passado, e depois foi reforçado por grandes nomes como Ralph Lauren, Donna Karan e Calvin Klein.

As irmãs Mulleavy, que nasceram em Pasadena, no norte da Califórnia, onde fundaram a Rodarte, hoje em sua nona coleção, não tem o menor interesse nessa convenção sobre moda americana. Elas se quer enxergam a moda de seu país desse modo. Como elas mesmo disseram em entrevista à i-D, “quando eu penso na moda americana, eu penso nas coisas que Rudi Gerneich fez, ou nas de James Galanos. Penso também nas coisas antigas de Hollywood, que Adrian estava criando, aqueles vestidos de alta-costura mesmo. Eu penso nessas coisas como história da moda americana, não só no sportswear”.

Só para esclarece, Rudi Gerneich era uma estilista austríaca que foi para os EUA durante a II Guerra Mundial. Era uma estilista que misturava futurismo com valores feminista, da liberação das mulheres. Já James Galanos era conhecido por suas criações super glamouras que conquistaram os guarda-roupas de Diana Ross e Nancy Regan.

Fica claro aí que elas já tem uma concepção e entendimento de moda totalmente diferente. E sem contar que suas inspirações acabam vindo meio de que lugar nenhum. É na verdade um grande mix de várias coisas que as cercam, como arte, cinema, paisagens e até filosofias e questionamentos sobre nosso mundo e sociedade.

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NY Fashion Week - o hippie-chic moderno de Matthew Williamson

Matthew Williamson, NY Fashion Week, verão 2009 No Comments »

É um pouco raro, mas quando isso acontece com um estilista é quase como ganhar na loteria. Explico: o que os compradores estão procurando loucamente são roupas otimistas, com estampas alegres, cores vivas, que ajudem a tirar as pessoas um pouco do clima depressivo da economia.

E o estilista britânico Matthew Williamson é o rei das estampas paisley em tons vibrantes, adora cores fluo e é um dos principais adeptos ao hippie chic moderno. Não foi à toa que exerceu cargo de diretor criativo da Pucci, do qual se despde depois da coleção a ser apresentada em Milão, para se forca na sua marca própria.

Ou seja, um casamento perfeito. Williamson continua fiel a seu estilo, abrindo seu desfile com um terno pink, já anunciando o mar de tons fluo que estaria por vir. E de fato, não havia porque se preocupar com a crise econômica ou qualquer outro problema. Entre mini e longos, o estilista continua apostando forte no seu étnico chique, em cores fortes, nos adornos brilhantes e na atitude alegre das modelos bronzeadas.

Super verão, super otimista, e pronta para as araras das principais lojas de departamento que devem estar loucas por seus blazers coloridos, seus vestido paetizados ou então os longos estampados.

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NY Fashion Week - good old American Sportswear

Derek Lam, Halston, NY Fashion Week, verão 2009 No Comments »

Boa parte de tudo que é apresentado na semana de moda de NY é quase que totalmente voltado para o mercado interno, para consumidores americanos, que tem um estilo de se vestir bem definido. É aquele estilo consagrado por estilistas como Calvin Klein, Ralph Lauren, Carolina Herrera e companhia. Maria Prata disse e eu super concordo, por mais interessantes que essas coleções possam ser, a gente sempre sabe de um modo geral, o que vai ser apresentado.

Ainda mais agora que com a economia em baixa não sobra muito espaço para experimentar, ou seja, para se arriscar. Então melhor focar no bom e velho sportswear tradicional americano, que vai sempre agradar os consumidores locais.

Isso não significa que não tem nada de bom. Bem pelo contrário. Derak Lam, por exemplo, uma das principais apostas da moda americana, apresentou uma coleção bem simples e ampla – no sentido de englobar as principais tendências e looks para diversas situações – mas com peças que vão ser hit na próxima temporada.

Conforto parece ser a palavra da vez. Mostra bons vestidos de jérsei bem soltos, com cinturas ajustáveis, sobreposições simples e inteligentes, macacões de seda, crepe ou lurex, tudo num mix entre um sportswear descontraído e um certo glamour meio anos 70, em referências as vezes bem literais à Halston.

Por falar em Halston, a marca que definiu o sentido de galmour na moda americana nos anos 70, se encontra agora numa certa crise de identidade. Depois de seu debut sob direção criativa de Marco Zanini, que deixou a marca alguns meses atrás, a nova Halston de Tamara Mellon (da Jimmy Choo) e de Harvey Weinstein (um dos poderosos de Hollywood), se vê com uma equipe de criação bastante perdida.

O trabalho não é fácil. Encontrar um modo de falar e conquistar os consumidores de hoje, com fundamentos e conceitos que eram estreitamente ligados a toda aquela atmosfera do Studio 54, é tarefa que exige bastante tempo de estudo e experimentação. Sem uma cabeça criativa para coordenar tudo isso, o trabalho fica ainda mais difícil.

Talvez seja por isso que nesta coleção para o verão 2009, as referências aos arquivos da marca tenham sido tão literais. De qualquer forma, como os anos 70, os drapeados e os vestidos soltos são algumas das principais vontades da estação, a coleção acabou parecendo mais bem acabada do que a outra. Ainda assim os vários vestidos de jérsei coloridos, com daprês que caíam harmoniosamente sobre o corpo, ou os volumes esvoaçantes de chiffon, ficaram meio vazios de sentido, sem um foco certo, mais parecendo uma re-edição do universo Halston.

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NY Fashion Week - Proenza Schouler

NY Fashion Week, Proenza Schouler, verão 2009 1 Comment »

Se você está acompanhando os desfiles desta NY Fashion Week, já deve ter reparado que as palavras da vez são poder e confiança. Essas duas palavrinhas tem sido usadas aos montes para descreverem roupas, looks e até coleções inteiras. Um reflexo do cenário nada animador da economia, e da indecisão política que assola os EUA e boa parte do mundo.

Daí que a clássica e tradicional uptwon girl dos EUA que adorava seu tradicional traje de sportswear, agora se vê um pouco obrigada a adotar uma posição mais firme, confiante para demonstrar um certo poder. E lógico que isso vai se refletir no modo como ela se veste.

Assim fica fácil entender a mudança de atitude da mulher Proenza Schouler. Sim, ela sempre falou de sexo de uma maneira ou de outra, mas agora deixa sua feminilidade de lado para assumir um estilo forte e mais agressivo. Continua usando seu sportswear americano, só que agora totalmente subvertido ante valores sexy e ousados.

O clima é total 80’s, com ombros grandes e redondos, cintura alta e marcada, macacões e mais macacões, calças quase baggy e por aí vai. E cabelão meio Veronica Lake caindo sobre metade do rosto.

Ano passado, Jack McCollough e Lazaro Hernandez venderam parte de sua marca para o grupo Valentino, o que os deu muito mais liberdade e segurança ($$$!!!) para experimentar e abusar mais do lado conceitual. O que a gente acaba de ver nesta coleção para o verão 2009.

Mas nem só de conceito é feito uma coleção. Aliás, as peças mais conceituais, como aquelas de ombro bem exagerados ou amplas de mais, dificilmente vão encontrar seu caminho para as ruas. Mas mesmo assim, os meninos da Proenza Schouler conhecem bem suas consumidoras e apresentaram boas peças, em versões mais simplificada para não deixar ninguém passando vontade.

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NY Fashion Week - e eu achei que não ia ter mais nada…

Isaac Mizrahi, NY Fashion Week, Ohne Titel, verão 2009 No Comments »

E eu já estava super achando que o 4o dia da NY Fashion estava bem fraquinho, tirando o excelente desfile de Marc Jacobs. É que comecei a ver os desfiles, todos bem ok, na verdade, como a elegância de Carolina Herrera – que não tava nem aí para crise econômica, apostando alto nos vermelhos e vestidos bem luxuosos – ou o street e jeanswear sofisticado da Diesel. Mas no fundo, nada de muito excepcional ou animador.

Mas não é eu gostei bastante do desfile Isaac Mizrahi? Tudo bem, os tons meio ácios, quase fluo podem até ser considerados um pouco datado, e aquela silhueta meio anos 80 também. Mas acontece que as roupas eram tão boas e pareciam ser tão bem feitas que tudo isso acabava ficando em segundo plano.

Mizrahi aposta num mix entre a década de 70, 80 e até um pouco de 90. Tinha desde longos vestidos rendados com ar mais natural, até outros mais ajustados, com recortes, ou com bustiers um pouco transparentes. Terninhos meio no esquema power dressing, ainda que bem de leve, também aparecem bastante numa versão um pouco mais agressiva dos blazers que vem tomando conta das passarelas nesta temporada. E também vestidos mais femininos, ou com construções mais elaboras, as vezes bem referentes Cristobal Balenciaga – vide o vestido verde de aparência estruturado, seguido do trench-coat lilás sutilmente assimétrico.

Em sua terceira coleção na NY Fashion Week, a Ohne Titel, de Alexa Adams e Flora Gil retoma uma linguagem mais clean, pendendo para aquele minimalismo que as deu notoriedade cerca de 1 ano atrás. Para o verão 2009 a dupla decide trabalhar com dicotomias, seja na questão entre os estruturados e soltos ou nos opacos e transparentes.

Daí os recortes, e superposição de tecidos opacos com outros mais transparentes, como chiffon. A sobreposição de balzers extremamente bem cortados e mais estruturados, sobre blusas mais soltas, as vezes com volumes meio molengas. Até o blazer – vale lembrar que a alfaiataria é um dos pontos forte da marca – entrou na jogada, ganhando recortes em tecidos mais leves, mas que acabaram não funcionando muito.

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NY Fashion Week - todas as mulheres da América

Marc Jacobs, NY Fashion Week, verão 2009 1 Comment »

Sabe aquela história de que a gente precisa se abstrair de um fato ou situação para poder entendê-lo e enxergá-lo de verdade? Então, é bem isso que acontece com Marc Jacobs em sua coleção para o verão 2009. É que desde que o estilista adotou Paris como sua segunda casa, parece que sua visão sobre os EUA e sobre a moda e o vestir americano se tornou mais claro.

E com todo o reboliço em torno das eleições americanas, que desta vez, mais do que nunca colocou as mulheres políticas em posição de destaque, nunca se teve tanto questionamento em trono do que é ser americano ou mais ainda o que o verdadeiro American Style.

Daí que Marc Jacobs aproveita o ensejo para romper com todos os padrões e convenções que se tinham sobre o assunto. As referências não são nada novas, bem pelo contrário, são super óbvias e algumas até clichês. E sim, tem um pouco de referências a Yves Saint Laurent em alguns looks da coleção – como nas calças de alfaitaria ou no terninho super bem cortado, usado com shorts numa clara referência ao Broadway Suit do Saint Laurent em 1978.

Mas acontece que tudo é tao bem adaptado e interpretado para a atualidade, e mais ainda, para o universo do estilista, que as refêrencias acabam tomando outro sentido.

O estilista junta tudo aquilo que mais caracteriza os EUA (country, Broadway, as calças e terno dos anos 40, Hollywood Golden Age, grunge, Wall Street, etc) e subverte para uma linguagem bem pessoal e ao mesmo tempo totalmente sintonizada com o nosso tempo. Uma verdadeira compilação de tudo que definiu o(s) estilo(s) americano de se vestir ao longo de toda sua história.

Tudo misturado, tudo super sobreposto, numa pesquisa de tecidos incríveis, que dava efeitos jamais esperados para uma vasta gama de materiais. A silhueta, quase sempre mais longa, vinha sempre com a cintura marca, com exceção dos vestidos drapeados meio divas de Hollywood dos anos 40 (outra referência ao estilo americano) que fecha o desfile.

Num primeiro olhar pode parecer complexo, difícil de chegar na rua. Mas se observado com atenção, a coleção está cheia de peças que não vão demorar muito para se tornar objeto de desejo de muita gente. Como nas jaquetas de motociclista em tweed metálico, os vestidos drapeados, as calças levemente mais amplas, nas camisas xadrezes e nos vários acessórios.

Não é novidade para ninguém, já que desde os começo dos anos 2000 se tronou bem comum o hábito de re-editar elementos e estilos do passado para se chegar num visual “novo”. Muitos estilistas também lançaram mão dessa táctica, como saída para o marasmo criativo desse começo de século. O próprio Marc Jacobs sempre usou referências históricas para projetar o futuro. Mas agora, dando foco na diversidade de estilos – e por conseqüência de mulheres – americanos, o estilista faz um retrato do nosso presente, abrindo espaço para diversas interpretações e discussões sobre o futuro ¬– ainda mais se levamos em conta o cenário super bem pensado de Stefan Beckham, cheio de espelhos e a trilha jazzy, Rhapsody in Blue, de Gershwin. Alguém quer começar?

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