Paris verão 2010 – Yohji Yamamoto, Maison Martin Margiela e Vivienne Westwood
Saturday, October 3rd, 2009Comercial e pé no chão, não é bem o que se espera de uma coleção de Yohji Yamamoto. Mas foi justamente isso que o estilista japonês, que já revolucionou a moda nos anos 80, apresenta para seu verão 2010. Culpe a crise, a baixa de vendas e o desânimo dos consumidores, mas o que não há como negar é que Yamamoto injeta uma alta dose de realidade em sua coleção.
De fora ficam toda aquela inventividade e força criativa que apresenta novas proporções, modelagens inusitadas e volumes extravagantes. Agora a silhueta é mais limpa e calma, com jaquetas e camisas próximas aos corpo, as vezes com estruturas de corsets e ombros levemente inflados. Saias longuetes ou mini envelopes completam os looks que carregam um certa simplicidade quase minimalista, que de fato não estamos acostumados a ver em coleções de Yamamoto.
As peças em si são super desejáveis, ótimas jaquetas, e camisas com proporções super frescas. Muitas vezes com furos e rasgos, lembrando o pauperismo dos anos 80, ou simplesmente com recortes e modelagem fora do comum. O problema é que nada disso parece novo. Bem pelo contrário, as formas, a silhueta, as proporções já estão rondando nosso imaginário há algum tempo.
Há um mistério pairando sobre a Maison Martin Margiela há pelo menos 3 coleções. Não se sabe se o grande estilista belga continua ou não no comando da grife que fundou e vendeu para o grupo Only The Brave, de Renzo Rosso (dono da Diesel). Se bem que dependendo das últimas coleções e principalmente dessa última, tudo indica que Margiela agora só empresa seu nome para a marca.
Nunca antes uma coleção da grife conhecida por sua extrema vanguarda, parece tão vazia e rasa em sentido. Os ombros estruturados, a silhueta quadrada e a exploração de texturas, parecem um mero exercício de uma forma pré-existente sem foco ou direcionamento mais preciso. A vontade de ser comercial se confunde com o histórico extremamente comercial, tirando a força criativa das roupas. Com estampas tropicais, a marca também passa a tentar se adequar as vontades do momento, levanta dúvidas quanto se é realmente isso que os consumidores da marca querem.
Se alguém tinha dúvidas sobre Vivienne Westwood estar perdendo sua capacidade de subversão, sugerimos que cheque sua coleção para o verão 2010 imediatamente. Extremamente autoral lá está com suas formas assimétricas, moulages, barras inacabadas, recortes, repuxes, amarrações, acabamentos rústicos, transformando a clássicas alfaiataria britânica e referências históricas em algo totalmente seu.
A diferença é que ao longo de anos de carreiras, Sra. Westwood adquiriu um apurado senso estético fazendo com que sua abordagem quase que niilista sobre as roupas, resultassem em peças desejáveis para uma clientela que não liga tanto para modices contemporâneas, quanto para um estilo autoral. Daí os vestidos vem com volumes irregulares, recortes nos ombros e laterais, jaquetas se aproximam do corpo a medida que suas golas ficam mais amplas revelando o colo, e tecidos e modelagens se juntam numa verdadeira colagens de referências. Adicione a isso as mensagens de ativismo político e ambiental que são as mais novas obsessões da estilista. Mas, de novo, já não vimos tudo isso antes? Moda não sobre evolução, apresentar o novo, levar uma imagem adiante despertando desejo nas pessoas?
Quando algumas das marcas tidas como de vanguarda começa a levantar perguntas em torno da preservação e evolução de sua identidade, parece que um dos principais assuntos em pauta (ainda que uma paralela e mais filosófica) é justamente o futuro da imagem de moda.


















