Rei Kawakubo para H&M - uma nova fase para o fast fashion?

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Está chegando, e está me dando a maior inveja de quem vai ter um H&M pertinho para poder conferir – e comprar – a coleção que Rei Kawakubo assinou para a marca de high-street/fast-fashion sueca. As roupas chegam nas lojas do mundo inteiro só no dai 13 de novembro e cinco dias antes na nova loja da marca em Harajuku, em Tóquio.

Eu, pessoalmente confesso que tomei um mini susto quando fiquei sabendo da parceria. É que Rei Kawakubo sempre foi conhecida pelo seu desgin intelectual, questionador, nada convencional, as vezes até radical e perturbador. Características que não combinam muito com os conceitos de roupas fáceis das redes de fast-fashion, né?

Mas tudo bem, fui lendo mais sobre o assunto, refletindo mais sobre tudo isso e hoje acho que Rei está mais do que certa. Primeiro que pelo que dizem, ela é super metódica e exigente e não ia assinar seu nome – um dos mais reverenciados no mundo da moda – em algo que não fosse bom, ou então que apresentasse um produto de má qualidade.

Segundo, que como Suzy Menkes disse, esta parceira pode significar o começo de uma nova fase para o fast-fashion. Eu to cada vez mais concordando com ela. Vocês já viram as fotos que saíram da coleção? No Telegraph de hoje tem uma matéria falando disso, com algumas imagens. De fato não são peças que a gente encontra sempre nessas lojas de high-street ou fast-fashion.

Não chegam a ser difíceis de usar como uma Comme des Garçons original, ainda que dê para reconhecer a identidade da marca naquelas roupas. Os preços também são bem acessíveis. Não são baratos como aquilo que estão chamando de disposable fashion – que de tão barato, você usa uma vez e joga fora. E mais importante de tudo, não são peças que vão durar apenas uma estação.

Sim, não é todo mundo que vai conseguir usar de cara, eu sei. Mas se a gente parar para pensar, onde é que encontrarmos roupas desse tipo – usáveis, mas com um certo diferencial, cheias de informação de moda e ainda e com assinatura de Rei Kawakubo?

Talvez seja mesmo o marco de uma nova fase para o fast-fashion. Uma fase onde com a crise, ou mesmo depois dela, as pessoas passem a consumir com um pouco mais de consciência e menos compulsivamente. O jeito é esperar e ver no que dá.

P.S.: desculpa o texto pobrinho, é que não estou lá muito bem hoje, aliás não to nada bem…

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Louis Vuitton por Rei Kawakubo

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Eu já tinha dito aqui que a Comme des Garçons, da Rei Kawakubo tinha fechado uma parceria com a Louis Vuitton. O motivo é a comemoração de 30 anos da famosa marca de acessórios de luxo no Japão.

 

A ação consiste numa pop-up store dentro da loja da Comme des Garçons em Omotesando, em Tóquio. Diz até que Rei Kawakubo mandou reformar a loja para dar um espaço especial para as peças da parceria.

 

 

Mas enfim, o que queria falar aqui é que já saiu na internet algumas fotos das 6 bolsas que a estilista japonesa desenhou para a LV. Na minha opinião, ficaram bem legais, foi um bom mix da excentricidade de Rei com o luxo e tradição da Louis Vuitton, né? O que vocês acham?

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Santíssima Trindade Fashion

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Na segunda metade dos anos 80 o cenário econômico e criativo mundial não era muito diferente do que estamos vivendo hoje. Um severa crise econômica assolava o mundo inteiro, afetando também a criatividade em todas as áreas e principalmente na moda. Devido às dificuldades financeiras na década de 1980, os estilistas já bem estabelecidos não propunham grandes mudanças, nem ousavam muito. Os grandes nomes da moda passavam mais tempo revisitando seus próprios arquivos do que apresentando novidades. Um “risco calculado”, como gostariam de dizer os homens de negócios.

 

O marasmo mercadológico logo despertou uma vontade de mudança, uma busca por novos estilistas, alguns recém-saídos de escolas como a Central Saint Martin’s de Londres, a FIT de Nova York e também o Bunka College de Tóquio. Assim, aos poucos, a crise foi sendo superada a crise. Christian Lacroix teve papel fundamental no processo de evolução com o seu maximalismo, assim como os belgas, como Martin Margiela e Dries Van Noten, com o seus designs inovadores.

 

Apesar disso nenhuma grande ruptura, nenhuma grande inovação teria acontecido de fato sem a presença de três importantes figuras no meio da moda. Três estilistas japoneses que surpreenderam o mundo todo com seus conceitos totalmente novos e suas roupas inesperadas.

 

Por mais que Kenzo Takada e Hanaë Mori já tivessem chegado em Paris nos anos 70, firmado de vez a globalidade na moda, foram Issey Miyake, Rei Kawakubo e Yohji Yamamoto os responsáveis por mudara por completo a maneira como a moda era vista, analisada e entendida.

 

O sucesso dessa santíssima trindade fashion não foi imediato. Em seus primeiros desfiles, os japoneses foram vítimas de críticas severas. Mas que no fundo eram apenas olhares desacostumados aos ideais libertários, sem qualquer amarras com tabus e convenções do vestir ocidental. Após um solavanco inicial, a imprensa especializada e os grandes nomes da indústria perceberam que os conceitos e idéias sobre moda e vestuário propostos pelos japoneses configuravam uma mudança drástica, porém extremamente positiva.

 

Em parte, a inovação se deu pelo uso de técnicas e materiais tipicamente japoneses, como os tecidos de fibras naturais, tingimentos orgânicos, cores fracas e cortes que lembravam roupas antigas de trabalho. Logo no início de suas carreiras em Paris, os japoneses ficaram conhecidos pelo “pauperismo”, que no fundo eram roupas com aspecto pobre, tecidos furados e rasgados, sempre em preto ou tons escuros, com muitas sobreposições e amarrações que resultavam em formas amplas, longas, molengas e assimétricas.

 

Os estilistas orientais, assim, materializavam sua vontade contra os estilistas ocidentais, entregues ao luxo opulento, e criaram uma espécie de miséria luxuosa. Acima de tudo, os criadores vindos do Japão quebraram convenções e subverteram as regras no tabuleiro da moda.

 

Talvez por não terem um passado histórico tão travado com tradições e convenções do vestuário, os japoneses conseguem enxergar e trabalhar muito mais livremente com moda e com a própria roupa. Nunca antes uma passarela tinha abrigado calças de uma perna só, jaquetas com botões em locais inusitados e “visuais doentios”, como classificaram muitos opositores na época. Fato é que, através da união de conceitos múltiplos, do hi-low, do cruzamento entre oriente e ocidente, os japoneses mudaram para sempre o rumo da moda mundial.

 

Clique no link abaixo para ler mais sobre cada estilista.

 

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