cadernos, blocos e agendas por Ronaldo Fraga

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Todo SPFW é a mesma coisa, o conceito da coleção não fica restrito as roupas e ao desfile em si, e acaba chegando também aos convites – as vezes até aos relases. Alguns são tão legais que a gente acaba nem jogando fora – não sem sentir um pinguinho de remorso.

 

 

Os convites e releases dos desfiles do Ronaldo Fraga são um bom exemplo. Há quatro coleções o estilista vem trabalhando em parceria com a Hallmark no desenvolvimento deles. E tem dado super certo. Tanto que o estilista resolveu estender essa parceria para uma coleção de blocos, agendas e cadernos.

 

Em diversos tamanhos formas e materiais, todos tem capas com estampas de diferentes coleções de Ronaldo, ou então com elementos iconográficos sempre muito presente em seu universo. As páginas internas também são todas ilustradas e decoradas bem no estilo da marca.

 

Agora a cada nova coleção uma linha de produtos de papelaria também será lançada.

 

Por enquanto, os produtos estarão disponíveis em pontos de vendas exclusivos, como a loja do Ronaldo Fraga em SP e Belo Horizonte, multimarcas de moda e design e também em algumas papelarias e livrarias espalhadas por todo país.

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para mudar o olhar

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Há alguns anos deu-se início a uma série de discussões sobre o que seria a identidade brasileira na moda e no design. Como transpor características marcantes de nossa cultura para nossa roupa, sem deixá-la com cara de fantasia de carnaval ou de folclore, sem caricatices e clichês. Uma roupa que falasse nossa língua, se motrando adaptada ao nosso cotidiano e nosso tempo.

 

Não foram poucos os estilistas que descobriram fórmulas mágicas em elementos puramente brasileiros. Provavelmente o mais conhecido e bem sucedido seja a Osklen, que tirou do estilo de vida carioca e da vibe naturalista, que começava a ganhar força, os fundamentos de suas coleções. Resultado: aliado a uma modelagem feita para o brasileiro, sucesso garantido e vendas no exterior.

 

Mas temos que admitir que a Osklen não faz uma moda muito regionalista, apesar de estar cheia de brasilidade. Principalmente quando olhamos o trabalho de Ronaldo Fraga, ou da última coleção da Maria Bonita - que, por sinal, estabeleceu novos parâmetros para toda discussão sobre identidade brasileira.

 

Danielle Jensen (Maria Bonita) apresentou um verão cheio de referências tipicamente brasileiras, trouxe o minimalismo do universo das ribeirinhas, e com matérias tipicamente regionalistas (como redes de pesca) apresentou uma moda nacional aliada à vontade internacional.

 

União que poucos conseguem fazer. O maior problema não está na roupa em si, mas no olho do consumidor. Segundo o estilista Ronaldo Fraga: “Temos uma olhar muito provinciano sobre esta questão (a moda regionalista, no caso)”. Para ele, “vivemos admirando e adorando os estilistas belgas e japoneses, achando seus trabalhos incríveis, quando, na verdade, são extremamente regionalistas”, completa.

 

 

O que acontece no caso dos belgas e dos japoneses é que, assim como Ronaldo e Danielle Jensen, na Maria Bonita, eles conseguem aliar o regional às vontade internacionais, sem descaracterização marcante ou clichês.

 

“O estrangeiro valoriza muito mais nossa própria cultura, do que nós mesmos”, afirma Ronaldo. “Achamos que é coisa de pobre, varremos para debaixo do tapete”.

 

Não é de se espantar que a moda regionalista venda muito mais no exterior do que no próprio Brasil. Tem até quem argumente que uma moda regionalista não faz mais sentido quando o mundo inteiro caminha para a globalização, para a formação de uma “aldeia global”. Mas, como bem disse Danielle Jensen, “olhar para coisas ao seu redor, próximos de você, é olhar para o mundo também”.

 

Mas não pára por ai, conforme Ronaldo Fraga disse, “hoje as pessoas se vestem igual no mundo todo. O que traz a verdade local é o que vai ganhar valor daqui presente”.

 

“Deveria existir um compromisso civil do designer brasileiro tentar entender aquilo que temos mais bem resolvido, que é a cultura brasileira”, finaliza.

 

Matéria publicada originalmente no site do SPFW

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por uma roupa além da moda

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De verdade, não consigo entender porque tem tanta gente com preguiça (e também preconceito) com o Ronaldo Fraga. Não com a pessoa em si, mas com suas roupas. Qualquer um que se interessa um pouco por moda já deve ter ouvido comentários, do tipo “roupas de Maria mijona” sobre as peças de Ronaldo. Além disso, ouvi um monte de comentários durante e depois do SPFW de gente que morria de preguiça das coleções do estilista, que era tudo chato, bla bla bla.

 

E eu sempre defendendo o trabalho dele. Tanto que até fiquei conhecido aqui na redação do site como defensor do Ronald Fraga. Tenho que confessar que não sou fã do estilista, mas respeito e acho super válido, interessante, importante e quase único o seu trabalho.

 

Existem alguns estilistas que conseguem levar sua roupa para além da moda propriamente dita. Roupas que carregam valores em si que remetem à uma série de outros fatores e questões culturais. Quando vestidas conferem à seus portadores valores mais atrsy-cult do que de fashionistas. É o caso de Ronaldo Fraga, Lino Villaventura, Karla Girotto e até um pouco de Alexandre Herchcovictch.

 

Se pararmos para pensar, são todos estilistas que acabam olhando mais para seus próprios universos, para coisas do mundo que os interessam e acabam sendo traduzidas para roupa. E de fato, o Ronaldo Fraga sabe fazer isso como poucos. Suas roupas acabam tendo um peso cultural muito mais forte do que mero movimentos de moda, tendências e etc.

 

 

Ora regionalista, ora aristas, ora musical ou até estilistas mesmo, Ronaldo consegue transpor para suas coleções valores que transcendem o efêmero mundo da moda. A mulher que compra Ronaldo Fraga, não o faz para ficar a par das últimas tendências do momento, mas sim porque se identifica com o tema, com a pesquisa estética e com o próprio universo do estilista.

 

Como diz no seu novo blog, Ronaldo “tronou-se estilista no susto. Nunca desejou sua carreira, não teve mãe costureira ou irmãs provando vestidos em casa e nunca brincou de boneca. Começou pelo simples fato de saber desenhar. Trezentos anos depois, continua ilustrando personagens para suas estórias: o que muitos chamam de moda”.

 

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