Posts Tagged ‘semana de moda’

Uma questão de timing…

Monday, September 14th, 2009

Não faz muito tempo que houve uma reunião de poderosos nomes da moda em Nova York para de discutir o futuro da NY Fashion Week. Eu até cheguei a falar a respeito disso aqui na época. Os assuntos em pauta era a relevância de se desfilar hoje e principalmente o tempo que levava para as coleções chegarem nas lojas depois de que foram desfiladas. Segundo algumas entrevistas publicadas na época no NY Times e no WWD uma série de compradores e consumidores reclamaram que quando as coleções chegam nas lojas todo aquele frisson que se causou durante os desfiles, já não era o mesmo. O desejo já não era tão forte e aquela roupa que na época que foi apresentada vinha cheio de apelo, agora já parecia data.

Lá fora, geralmente leva cerca de 6 meses para as coleções saírem das passarelas e chegarem as lojas. E ainda assim, chegam com considerável antecedência em relação a estação do ano. Por exemplo, o inverno 2009 que desfilou em NY, Londres, Milão e Paris entre fevereiro e marco desse ano, chegou às lojas do hemisfério norte em agosto, em plano verão.

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Toda essa lógica tem seus fundamentos lá nos 60, quando o prêt-à-porter passou a dominar a indústria e mercado de moda no mundo. Na época era natural, e não parecia moroso esse intervalo entre os desfiles e o lançamento de fato das coleção para o consumidor. Só que de lá para cá uma série de alterações na economia e na sociedade aconteceram. A economia mudou, as redes de comunicação mudaram, surgiu a internet, o bombardeio de informação que surgiu nos anos 80 ficou ainda mais intenção, as imagens passaram a ter valores cada vez maioresno imaginário da sociedade, o fluxo de informações chegou a uma velocidade absurda e a própria relação da moda e consumo com as pessoas também ficaram ainda mais intensas e dinâmicas.

Enfim, o mundo mudou, as pessoas mudaram, o consumo mudou a sociedade mudou, mas a lógica de apresentação de coleções continuou a mesa. Então não é surpresa que os consumidores se sintam meio perdidos no meio disso tudo. É natural que as pessoas achem as roupas, as “tendências”, ultrapassadas quando chegam as lojas.

Isso ficou super claro nesse começo da semana de moda de Nova York. Boa parte das marcas que se apresentaram nesses dias, apostaram em “vontades” que nós já estamos vendo (e vestindo) há pelo menos três mêses. O nude, as tachas, o jeans delavé, o jeans com jeans, os anos 90. É só olhar as coleções de Erin Wasson, Rag & Bone, Lacoste, Alexander Wang. Cada um a sua maneira, uns mais autorais que os outros, passaram por essas vontades que estamos vivendo agora, neste exato momento. E nessa nossa vida onde tudo muda a cada segundo, será que ainda vamos ter essas mesmas vontades daqui a 6 meses quando essas roupas chegarem as lojas?

De repente, nosso modelo de semanas de moda, e apresentações coleções, passou a fazermais sentido nos dias de hoje do que aqueles que vemos e idolatramos lá fora. Aqui, aquilo que é apresentado nas passarelas do Fashion Rio e SPFW, leva apenas 3 meses (senão menos) para chegar às araras das lojas. Tempo mais que suficiente para amadurecermos nossas vontades, acalmar impulsos, mas sem perder o ânimo ou o desejo de determinada tendência.

Tempos de mudança?

Friday, July 31st, 2009

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“Parece haver algo desconexo. Para nós, os desfiles se tornaram algo da imprensa. Estão nos blogs, as revistas já publicam matérias e fotos direto da passarela, e quando chegam na lojas, (as roupas) parecem meio velhas”, disse Jack McCollough, um dos estilistas da Proenza Schouler, durante um encontro do CFDA (Council of Fashion Designer of America) na semana passada em Nova York. “O consumidor está completamente confuso e ela está dizendo ‘basta’. Nós estamos gastando dinheiro em desfiles e quando o consumidor pode chegar as produtos, eles já estão em liquidação”, disse a estilista Donna Karan.

O motivo do encontro, encabeçado pela presidente do conselho, a estilista Diane Von Furstenberg tinha como objetivo discutir a relevância das semanas de moda (a da NY no caso) em seu atual formato. E vamos combinar que de um certo moda, essas reclamações até que fazem sentido, né?

Essa lógica de apresentação das coleções, com desfiles cerca de 6 meses antes das roupas chegarem às lojas segue praticamente a mesma, desde os anos 60 quanto o prêt-à-porter ganhou relevância. De lá para cá as mudanças foram várias. A economia mudou, as redes de comunicação também, surgiu a internet, o bombardeio de informação que surgiu nos anos 80 ficou ainda mais intenção, as imagens passaram a ter valores cada vez mais importantes no imaginário da sociedade, surgiu a internet, o fluxo de informações chegou a uma velocidade absurda e a própria relação da moda e consumo com as pessoas também ficaram ainda mais intensas.

Enfim, o mundo mudou, as pessoas mudaram, o consumo mudou a sociedade mudou. Mas a lógica de apresentação de coleções continua a mesa. Então é natural que os consumidores se sintam meio perdidos no meio disso tudo. É natural que as pessoas achem as roupas, as “tendências”, meio velhas quando chegam as lojas.

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Desde o surgimento da internet, não só na moda, mas no mundo todo começou uma corrida louca em busca to tão falado tempo zero, ou tempo real. No jornalismo isso ficou evidente pela cobertura quase que ao vivo que muitos sites, blogs e agora com twitter mais ainda. Notas curtas, objetivas, relatando tudo que acontece. Nas semanas de moda a gente vê isso com as fotos de desfile que minutos após a última modelo descer da passarela, já é possível encontrar imagens da coleção em blogs e sites especializados.

Todo esse imediatismo (que no fundo não é nada saudável) é um dos responsáveis por essa confusão que Donna Karan fala, ou então, esse sentimento que a roupa já está velha quando chega nas lojas. Mas será que é bom mesmo adequar os desfiles/coleções ao comércio? Desfilar o que irá para loja praticamente no dia seguinte? Alguns estilista dizem que a fórmula dá certo. Não à toa as vendas das cruise collections de algumas marcas estão se mostrando mais lucrativas do que as grandes coleções.

Mas será que vale a pena? Vitor Angelo já bem disse que os desfiles das semanas de moda perderam sua relevância no quesito moda a medida que ações publicitárias e de marketing invadiram as passarelas. Fazer uma semana de moda só para o comércio corre o risco das apresentações ficaram ainda mais chatas do ponto de vista da informação e imagem de moda. Sem contar que mudar essa lógica implicaria num impacto tremendo sobre toda a indústria. Como ficariam os compradores que fazem seus pedidos 6 meses antes? Como fazer aqueles ajustes em peças que não foram bem aceitas num desfile, ou que podem se mostrar difíceis de vender?

De repente fazer uma apresentação antes, menor para compradores e imprensa, e depois um desfile quando as roupas estiverem prontas para irem para as lojas? Mas será que vale a pena? Enfim, é para se pensar, afinal o formato desfiles está ficando cada vez mais ultrapassado e cansativo, e novas formas já estão sendo explorados. O que não resta dúvida é que alguma forma de apresentação das coleções é de extrema importância para toda indústria.

post confuso sobre tendências e semanas de moda

Thursday, April 9th, 2009

Ai entrei em crise ontem… Estava sem idéias do que postar ai resolvi fazer um post sobre as tendências dessa temporada (inverno 2009). Mas aí fiquei pensando se valia a pena mesmo. Afinal, moda não é muito mais válida e interessante quando vista, pensada e entendida como expressão de personalidade/individualidade? Então, porque fazer um post sobre tendências? Não seria meio paradoxal?

Talvez, mas aquelas listinhas de tendências que todo mundo faz depois das temporadas de moda tem lá sua importância. Ah, eu acho que tem, sim. É só uma questão de não entender aquilo como uma regra ou imposição, e sim como um norteamento ou um caminho a ser seguido e adaptado para o estilo pessoal de cada um. Daí que se seu estilo se encaixa ou tem a ver com algumas das tendências do momento, ótimo. Se não tem, melhor ainda. Afinal, hoje é muito mais legal ir na contra mão, ou fugir dessas modinhas que mudam (ou não) a cada seis meses.

Acontece que a gente acaba vendo tanta imagem igual (tendências) no desfile, nas campanhas, em editoriais, em celebridades que acabamos ficando com vontade de imitar aquele look, não? Bom, pelo menos a maioria das pessoas funciona mais ou menos assim. E moda tem disso mesmo, de criar e despertar desejos. A própria Regina Guerreiro já me falou isso numa entrevista que fiz com ela durante uma edição do SPFW. Mas daí o que é nosso desejo mesmo e o que é um desejo ou vontade meio imposta pelo mercado?

Acho que hoje está cada vez mais difícil de diferenciar. Por isso a gente tem super que prestar atenção naquilo que a gente quer ter, ou acha que quer. E agora é uma época perfeita para isso. Afinal não está todo mundo falando que com a crise e tals e hora de pensar melhor como gastar o dinheiro? Então, vamos pensas para valer e ver se a vontade de ter a calça cenoura, ou um blazer com ombreirinhas ou uma blusa com ombros e mangas mais volumosas é mesmo um desejo seu, ou se é um desejo que colocaram dentro da sua cabeça por meio de um bombardeio de imagens com esse look.

Então se é assim, porque continuar cobrindo as semanas de moda? Elas não estão cada vez mais a serviço da publicidade e do marketing do que da moda em si e da criatividade de fato? Por que falar delas se quase ninguém – muitas vezes nem eu e mais gente que escreve sobre isso – tem acesso e condições de bancar tais peças?

Aí entram alguns princípios bem jornalísticos. Como o assunto é moda, não dá para gente simplesmente ignorar os desfiles importantes das semanas de moda. Afinal, no fundo eles são notícia, e tem muita gente interessada em saber o que está acontecendo ali. Sem contar que algumas marcas – principalmente lá fora – se tornaram verdadeiras entidades inspiradoras do meio da moda, e acabam informando posicionamentos e elementos que podem ser bem útil para o entendimento da moda como um todo. E tem também as inovações e conhecimentos técnicos que são sempre interessantes e valiosos, para o meio e também para quem se interessa pelo assunto. Enfim, acho que é isso… vou pensar mais aqui e depois volto com um post de tema definido.

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