roupas sensitivas

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Uma das várias definições de moda é a exteriorização, ou materialização de subjetividade e personalidade. Com a moda, usamos nossas roupas para comunicar aos outros, ao mundo e à nós mesmos quem somos (ou quem queremos ser) e o que estamos sentindo.

É um dos princípios da consultoria de imagem. Através da roupa pode-se dizer muito sobre a personalidade de uma pessoa. E na maior parte das vezes fazemos isso inconscientemente ou por mera questões culturais. Por exemplo, quando estamos tristes ou bravos acabamos por escolher looks em tons mais escuros. Já quando estamos mais contentes e otimistas preferimos roupas em tons mais claros e vivos, com mais estampas e profusão de cores.

Com o avanço tecnológico está ficando cada vez mais fácil expressar, senão nossa personalidade, pelo menos nossas emoções e sentimentos. Hoje o conceito de wearable technology, ou smart clothes (roupas inteligentes), já foi levado adiante para um conceito totalmente novo, que promete trazer novos parâmetros para a relação moda e individualidade/subjetividade: é o chamado emotional clothing.

Como o próprio nome diz são roupas emocionais, ou emotivas. Ou seja, roupas que reagem não só com o ambiente externo, mas também com o humor, emoções e sentimentos de seu portador.

Desde seu surgimento, lá no Renascimento, a moda ainda que calcada na questão da distinção de classes, já se configurava como ferramenta de exteriorização do “eu”. Por mais que esse “eu” fosse mais uma questão de “eu tenho e eu posso”, do que de personalidade mesmo, as roupas já eram utilizadas como forma de expressão de um certa subjetividade.

Hoje então nem se fala. Como o filósofo Gilles Lipovestky diz em seu livro, O Império do Efêmero, “é cada vez menos verdadeiro que adquirimos objetos para adquirir prestígio social, para nos isolar dos grupos de estatuto inferior e filiar-nos aos grupos superiores. O que se busca, através dos objetos (e da moda), é menos uma legitimidade e uma diferença social do que uma satisfação privada cada vez mais indiferentes julgamentos dos outros. O consumo (…) manifesta-se, isso sim, em vista do bem-estar, da funcionalidade, do prazer para si mesmo.”

Não é de se espantar que atualmente tendências e grifes cada vez mais perdem importância para o estilo e universo pessoal da cada um. Ninguém mais (pelo menos aqueles com um mínimo de cultura e informação de moda) quer sair nas ruas vestido dos pés a cabeça de Reinaldo Lourenço, Alexandre Herchcovitch ou Osklen. Muito menos num look total boho chic anos 70, ou cowboy.

Hoje vivemos a consumação do chamado “supermercado de estilo”. Onde podemos garimpar peças de épocas, estilos e grupos diferentes, misturando tudo do nosso jeito para compor um look que no fim diga algo a respeito de nós.

Pois bem, só que com o avanço tecnológico, ou melhor, nano-tecnológico, a própria tecnologia passou a ser vestida, rompendo o então conceito de como a moda expressa nossos sentimentos.

Hoje em dia já não é mais raro encontrarmos wearable technology no mercado. Ainda que em pequena quantidade e representando pouquíssimo no total de vendas de suas empresas, já se pode encontrar óculos com fone de ouvido e mp3 player embutido, calça jeans com plug para o iPod e até uma bolsas e jaquetas com mini painéis solares que transformam a luz solar em energia para ser utilizada na carga os celulares, iPods e afins.

Mas a real novidade está nas chamadas emotional clothings. A Philips tem uma linha de pesquisa totalmente dedicada a essa nova área chamada Design Probe, responsável pelos principais produtos do segmento. Como parte deste projeto, a marca desenvolveu os SKIN Dresses, um sub-projeto que visa estudar a futura integração de materiais sensíveis na área de sensores emocionais. É a evolução de produtos e tecnologia inteligentes para sensitíveis.

Hoje já existem dois modelos sendo testados, um mais justo, o Frisson, e outro mais volumoso, chamado e Blush Dress - que chegou a entrar para a lista das melhores invenções de 2007 da revista Time. Ambos apresentam tecnológica sensível às emoções humanas e mostram como o corpo e tudo o que nos rodeia pode usar padronagens e variações de cores para interagir e prever estados emocionais.

O Blush é composto por duas camadas, sendo que a primeira, ou a debaixo, contem sensores biométricos que captam as emoções de seu usuário através de variações de temperatura, batimento cardíaco e de textura na superfície da pele, e as projetam na segunda camada sob a forma de luz e cores.

Segundo a própria idealizadora do vestido, Lucy McRae o Blush Dress é menos sobre o toque do seu portador e mais sobre o ambiente que o rodeia. É uma exteriorização do que a pessoa sente em relação ao ambiente.

Já o Frission, um macacão bem justo ao corpo com vários LEDS, já respondem mais ao que a pessoa sente em relação ao que ela faz e toca. Os mesmo sensores biométricos fazem os LEDS ascenderem e diferentes intensidades de acordo com o nível de excitação e entusiasmos da pessoa.

Tudo isso pode parecer um filme de ficção científica, ainda mais quando se sabe que o Desgin Probe da Philips tenta prever tendências e necessidades sociais dos próximos 15 anos, ou seja, o que os seres humanos poderão estar usando em 2020.

Porém, não há como negar que tudo isso mostra uma nova forma de como a roupa comunica nossas emoções e sentimentos para o mundo. Os benefícios podem ser inúmeros, desde a expressão de sentimentos que dificilmente são expressados em palavras, até formas de estudos de marketing e sociais - para prever como as pessoas reagem a determinada situação ou produto.

O terreno é extremamente novo, porém muito fértil, prometendo muitos estudos e ainda muita inovação e aprimoramento. E que venha o futuro.

Matéria publicada originalmente na Revista Catarina

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e já que o assunto de hoje é esporte…

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Foi-se o tempo em que os esportes se resumiam puramente a habilidades e capacidades físicas dos atletas. Ainda que essas duas características tenham papel fundamental no desempenho dos esportistas, hoje em dia o uniforme/roupa perfeita para cada competição pode fazer toda diferença. É uma área em que a menor vantagem, seja em milímetros ou milésimos de segundo, pode decidir quem vence e quem perde uma prova.

 

Com o avanço da ciência, com a globalização e com a profissionalização dos esportes no mundo todo, os níveis de treinamento e capacidades físicas entre atletas de diferentes partes do mundo ficaram muito próximos. Deixando assim que as competições fossem decididas mais pelo aparato tecnológico do que pela força física. Foi nesse cenário, que começou a ganhar proporções jamais imaginadas nos anos 90, que surgiram as super-roupas.

 

Na verdade, o super fica mais por conta dos tecidos ou matérias nelas utilizados. Marcas esportivas como Nike, Adidas e Speedo começaram a se unir com as principais universidades e centros de pesquisa do mundo para desenvolverem o traje esportivo perfeito, capaz de reduzir a quantidade de desgaste físico de um atleta e potencializar seu desempenho.

 

Muito mais do que a resistência do náilon ou a impermeabilidade do neoprene, esses tecidos se tornaram verdadeiras revoluções para os esportes - causando também muitas discórdias. Alguns chegaram a considerá-los como uma forma de dopping, já que o atleta acaba fazendo uso de ajuda externa, além de sua real capacidade física. Mas, a verdade é que hoje não se pode mais separar o esporte da tecnologia. Por mais que isso acabe acrescentando um cunho financeiro - já que essas roupas não são nada baratas - dificilmente você irá encontrar atletas competindo sem elas nas principais provas do mundo.

 

Uma das mais famosas - e também uma das primeiras e mais simples - é o conhecido dry-fit, que hoje já é até ultrapassado. Seu fundamento é bem simples: um tecido bem arejado, que retém pouquíssima água, deixando a roupa mais leve e fresca.

 

A Nike, uma das marcas líderes em corrida e atletismo, é a responsável pela última inovação nesse sentido. Sua mais nova regata de corrida de longas distância é 30% mais leve do que as peças convencionais, além de possuir um design bem simples, com quase nenhuma costura para evitar desconfortos e distrações na hora da prova.

 

 

 

Sem contar os vários poros que ajudam na ventilação e, consequentemente, no controle de temperatura do corpo. Para quem não sabe, quanto mais baixa a temperatura do corpo durante a prova, melhor. Por isso a Nike possui um colete que pode ser enchido de água e congelado, para resfriar o corpo momentos antes da competição.

 

 

Na natação, a busca por uma roupa que elimine por completo o atrito com a água também vem dando o que falar. Ainda esse ano a Speedo lançou seu novo racing suit, o Fast Skin LZR Racer. A marca se uniu à NASA para, depois de inúmeras pesquisas e testes, criar um traje que possui um coeficiente de arraste mínimo (atrito com a água).

 

O LZR RACE foi o primeiro traje do mundo totalmente soldado por processo ultrasônico que elimina as costuras, cria silhuetas com menos ondulações e reduz o atrito com a pele em 6% se comparada a uma peça costurada de forma tradicional.

 

O mesmo acontece no triathlon, onde conforto, leveza e pouca retenção de água são fatores essenciais. Foi pensando nisso que a Orca, líder mundial em trajes de triathlon, desenvolveu um macaquinho para corrida - praticamente uma segunda pele -, o Pro Killa, que serve tanto para natação como para o ciclismo e corrida. Para natação, a ausência de costura, junto com o caimento extremamente justo ao corpo garantem um menor coeficiente de atrito.

 

Como o tecido é hidrofóbico, ou seja, repele a água, seca instantaneamente com a saída do atleta da água. Essa característica também garante mais conforto durante a corrida e ciclismo, não retendo o suor e ajudando no controle da temperatura corpórea. Sem contar a leveza da peça.

 

Tudo isso pode parecer frescura ou bobagem. Mas o desgaste dos atletas em competições oficias - principalmente em provas de longa duração - é imenso, e toda ajuda, por menor que seja, pode determinar um novo vencedor, um novo recorde mundial e, é claro, a medalha de ouro.

 

Texto publicado originalmente no site do SPFW em 06/08/2008

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Sem bateria jamais

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Acho que todo mundo já passou pela desgradável situação de ficar sem bateria no celular, quando a gente mais precisa, né? Eu entro em pânico quando isso aconteceu, porque sou super dependente do meu celular…

 

Mas enfim, agora isso tem fim, pelo menos em tese. É que a CNC Costume National lançou uma bolsa com mini painéis solares que transformam a luz solar em energia, que pode depois ser utilizada para carregar os celulares, iPods e afins. “Eu desafiei o projeto em transformar o luxo italiano em algo contemporâneo”, disse o estilista da marca, Ennio Capasa para o WWD. Tudo bem que a bolsa, não é lá muito bonita (eu achei bem feinha para ser sincero), mas sua utilidade é bem interessante.

 

Mas convenhamos, isso não é nada novo. Tudo bem que a gente ainda não vê ninguém carregando a bateria do celular na roupa ou na bolsa, mas já teve um monte de marca/gente/projeto que já apresentou roupas e acessórios com a mesma finalidade. Aqui no Brasil mesmo, no Fashion Rio de verão 2008, o estúdio de arquitetura Random apresentou roupas, em seu desfile no Rio Moda Hype, que graças a painéis solares, geram energia para carregar celulares, laptops e iPods.

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