Prada ou Balenciaga? YSL

NY Times, Stefano Pilati, YSL, i-D 1 Comment »

Já virou meio lugar comum no jornalismo de moda nacional perguntar em uma entrevista se fulano prefere Prada ou Balenciaga, duas das marcas mais influentes e visionárias no mundo da moda. Acontece que se me perguntassem isso hoje eu acho que não diria nenhuma das duas.

 

É que estou num momento meio Yves Saint Laurent. Já faz um bom tempo que admiro o trabalho de Stefano Pilati dentro da marca, e essa última coleção para o inverno 2008 foi simplesmente incrível. As criticas foram ótimas, algumas dizendo que o estilista finalmente encontrou seu caminho dentro da YSL, na sua melhor coleção para a marca.

 

Tudo bem, que Prada continua sendo a marca mais copiada do planeta. Tudo o que Dona Miuccia coloca na passarela vira febre e todo mundo copia ou se inspira naquilo. Tudo bem que Nicholas Ghesquière para Balenciaga, tem uma visão única sobre a moda, sobre a relação com a sociedade, sem contar que sabe manipular tecidos e materiais como poucos.

 

Mas até ai quais dessas características Sr. Pilati não tem? Quem leu suas entrevistas, no NY Times e na i-D do mês passado, deve ter percebido que o que impediu seu boom, talvez fosse a situação financeira conturbada da YSL. Depois que seu fundador deixou a marca, logo vendida, a situação não era nada animadora.

 

Quando Tom Ford assumiu o posto de diretor criativo, o cenário não havia mudado e a YSL só continuou a perder sua identidade. Nada contra o Sr. Ford, mas é que ele tentou usar a mesma estratégia que usou na Gucci – e que super deu certo lá – na marca francesa. Acontece que como bem disse Pilati, Ford tem uma visão bem precisa do que as mulheres querem e precisam, e a marca YSL sempre foi mais sobre desafiar as mulheres, em propor algo novo, algo que as mulheres ainda não estavam acostumadas.

 

 

Na matéria que saiu essa semana do NY Times a jornalista Lynn Hirschberg ilustra bem como as mesmas características de estar a frente do seu tempo, assim como a Prada estão presente na YSL de Pilati.

 

Nas coleção passadas, Pilitai estava muito a frente de suas consumidores. Quando ele apresentou saias tulipas em 2004, a proporção ainda era um pouco confusa para as mulheres, e a coleção acabou não vendendo bem. Agora, é difícil achar uma saia que na seja no formato tulipa. Quando, em 2006, ele desenho túnicas longas e sacas sobre calças, sua coleção não foi bem recebi, mas o look se tornou uma necessidade para as mulheres no ano seguinte. Similarmente, em 2007, Pilati estampou cores vivas num simples vestido de seda branco, e o look foi logo copiado por outras casas como Max Mara”.

 

O que estava acontecendo era que Pilati estava de fato muito a frente de seu. E isso não é bom. Marie Rucki já tinha dito isso em uma de suas palestras aqui, que um estilista deve estar em perfeita sintonia com o seu tempo, se estiver muito a frente não vai ser compreendido, logo não vai vender. E no fim é isso que sustenta eles.

 

Na Prada, por mais que suas coleções causem estranhamento e acabem sendo antecipações de algo que lá na frente vai ser tendência, sempre mantém uma forte conexão com o presente.

 

E foi bem isso que aconteceu na última coleção da YSL, toda a pesquisa de materiais, os cortes e proporções meio góticos-futuristas, os tons sóbrios, embora viessem carregados de valores “modernos” e “novos”, vinham em perfeita sintonia com esse clima de crise financeira, de recessão que o mundo vive agora.

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Baixa fashion - das grandes

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Mais uma baixa no mundo da moda. Acaba de ser anunciada a morte de um dos maiores estilistas do século XX, o francês Yves Saint Launrent, com 71 anos. E enquanto causa da morte ainda é desconhecida, uma coisa é certa: a moda acaba de perder uma de suas maiores lendas. O homem responsável por fazer a alta-costura ter todo seu prestígio de volta em pleno anos 60 e também por ter tornado o prêt-à-porter algo respeitado e luxuoso.

 

Nascido em 1º de agosto de 1936 em Oran, Argélia, Yves-Mathieu Saint Laurent desde jovem já se mostrava talentoso. Com apenas 17 anos se mudou para Paris para trabalhar com ninguém menos que Christian Dior. Após sua morte em 1957, Saint Laurent, já com 22 assume o posto de seu mentor, tornando-se o responsável por toda a criação da Maision Dior.

 

E 1962, depois de ter servido como soldado francês na guerra de independência da Argélia – que acabou o deixando mentalmente perturbado à ponto de ter que ser internado – saiu da Dior para criar sua próprio marca, YSL, já patrocinada pelo seu parceiro Pierre Bergé. E apesar do casal ter se separado (em termos românticos) em 1976, continuaram juntos nos negócios até o dia de hoje.

 

E foi justamente nas décadas de 60 e 70 que o estilista-gênio vivenciou seu período de maior sucesso. A marca se tornou uma das principais ditadoras de tendência do planeta fashion, popularizando o estilo beatnik, o look safári, as primeiras calças skinny, botas de cano alto (até a coxa) e principalmente, o look mais icônico de sua carreira – e um dos mais memoráveis de todas história da moda – Le Smoking, o terno feminino, numa versão totalmente andrógina, jamais visto antes, nem mesmo nos tailleurs de Coco Chanel. Aliás, Saint Laurent era um dos poucos, senão únicos estilistas admirados por Mademoiselle Chanel.

 

Yves Saint Laurent também foi um dos primeiros a revisitar silhuetas de décadas passadas, como as dos anos 20, 30 e 40. Foi um dos principais responsáveis por popularizar o prêt-à-porter, numa tentativa de democratizar a moda e também foi um dos primeiros estilista a utilizar modelos negras.

 

Enfim, podíamos passar horas aqui falando das inúmeras inovações de Saint Laurent, de como deu poder as mulheres com as roupas masculinas, de como proporcionou a elas liberdade com suas criações e como revolucionou o mundo da moda por completo, não só em termos de roupas, como de campanha, marketing e até mesmo negócios. E embora respirasse os princípios da moda, certamente o “príncipe da moda”, como era apelidado, jamais sofrerá de sua efemeridade, sendo lembrado e referenciado para sempre.

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